A beleza das cores e das flores que a chegada da primavera traz é acompanhada, rotineiramente, de um fenômeno pouco agradável aos olhos e aos bens de muita gente. O período coincide com o momento em que os temidos cupins deixam seus ninhos e partem em revoada atrás de novos territórios, para que possam expandir suas colônias. Expansão essa que traz efeitos indesejáveis a portas, móveis e qualquer outra estrutura de madeira ou composta de celulose, como papel, papelão e os próprios vegetais, ricos na substância que alimenta estes insetos.
Em todo o mundo, há mais de duas mil espécies de cupins catalogadas, sendo mais de duzentas existentes no Brasil. "Há uma incidência maior principalmente em locais onde, no passado, costumavam haver muitas árvores e que acabaram passando por um desmatamento. Nesses lugares, há uma propensão maior ao surgimento de cupins", destaca Egídio Antônio Camillo, diretor-geral da Astral Saúde Ambiental no litoral.
De acordo com Rafael dos Santos Nascimento, representante comercial de uma empresa especializada no combate aos cupins, o período de revoada se dá nessa ocasião do ano justamente pela mudança de estação, que culmina na alteração do comportamento da colônia. "No frio, os cupins diminuem o raio de busca por alimentos porque a própria rainha reduz sua capacidade de ovoposição. Quando chega agosto, mais ou menos até o fim de outubro, a rainha volta a ovular bastante e exala feromônios para que os cupins operários e soldados entendam que precisam ir novamente com mais voracidade atrás de alimentos", explica.
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Não é só a madeira que é atacada. Livros também são alvos de cupins |
Incidência
Um sinal de presença de cupins é quando as lâmpadas da casa ficam infestadas pelos insetos alados. Neste caso, explica Camillo, uma recomendação é, percebendo a movimentação dos insetos na lâmpada, apagar a luz do local, fechar portas e janelas e deixar iluminado apenas o lado externo da residência. "Logo que se apaga a luz, o cupim desce em questão de segundos, e por garantia, é quando se pode matá-lo, para que ele não rasteje e encontre a fresta", completa.
A busca por água se dá essencialmente para sobrevivência no meio, de acordo com Nascimento. "Normalmente, os cupins, quando se alojam nas casas, buscam se situar próximos às colunas hidráulicas. Dentro do ninho, eles sobrevivem a uma temperatura de 30ºC, a partir de atividades metabólicas. Mas fora dele, precisam buscar um ecossistema que os ajude a não morrer. Quando eles ficam expostos à temperatura ambiente, podem não sobreviver não só por um calor excessivo ou um frio excessivo, mas por desidratação", explica.
Outro sinal pode ser observado nas tomadas elétricas. Conforme Nascimento, sinais de uma substância parecida com barro localizadas nos buracos das tomadas indicam a possibilidade de que cupins possam estar cavando tuneis na rede elétrica. "Tratam-se de partículas que o próprio cupim deixa de rastro, como as próprias fezes ou restos do que ele roeu na alvenaria, cavando atrás de celulose", acrescenta.
Túneis
Um dos tipos mais comuns e de combate mais complicado é o chamado cupim de solo. "Um cupinzeiro desta natureza pode infectar várias casas ao mesmo tempo que estiverem a, por exemplo, 500 metros dele", destaca Camillo. Inicialmente por vias subterrâneas, estes cupins cavam verdadeiros túneis atrás de celulose. "Em um prédio de 20 andares, pode acontecer de eles saírem da garagem do subsolo e chegarem ao último andar, onde há o barrilete com toras de madeira que sustenta a caixa de água. Os insetos precisam de acesso, ábrigo, água e alimento. Seria, então, um local perfeito para eles se abrigarem", complementa.
Hoje, as técnicas para combate às pragas lidam principalmente com injeções químicas nos locais afetados (veja tabela). No entanto, especificamente para controle dos cupins de solo, há um sistema desenvolvido nos Estados Unidos (mas disponível no Brasil desde 2001), de nome Sentricon. Trata-se, literalmente, de uma "armadilha" para os insetos. É inserido no solo, onde foi identificado, que há um caminho de cupins, um molde com um pedaço de celulose. Nas primeiras semanas, a celulose-isca não conta com nenhum tipo de produto, com o intuito de "atrair" os cupins para aquela região em que, supostamente, há alimento. Após duas ou três semanas, insere-se uma peça de celulose idêntica, mas desta vez com o produto químico, que acaba afetando a colônia.
Oco
Outro tipo comum de cupins é o de madeira seca. Diferentemente dos de solo, estes insetos avançam diretamente em uma só superfície. Uma porta atingida por esse tipo de praga, por exemplo, poderá ficar oca, já que este inseto deixa somente a lâmina externa intacta, que serve como uma espécie de "proteção" para ele. Uma dica para verificar a possibilidade de que determinado móvel esteja sob "ataque" dos cupins de madeira seca é bater na porta e observar se, dela, sai algum tipo de pó. "Esse pó parece com serragem, mas não é. Tratam-se de pelotas fecais, esferas perfeitas que, na verdade, são as fezes do inseto", explica o gerente técnico da Astral, Edézio Valber Soares da Costa.
