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Com a chegada de novos aplicativos de transporte, concorrência fica acirrada

A exemplo do que ocorre em outras cidades do Brasil e do exterior, o meio de transporte de passageiros está sofrendo transformações, alterando hábitos tanto dos consumidores como dos prestadores de serviços.

16 de junho de 2017 - 18:43

Cris Challoub

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Há mais de 10 meses o Uber chegou a Santos e desde então a discussão sobre os ônus e o bônus do serviço é uma pauta decorrente. Por um lado, os passageiros elogiam o baixo preço do usufruto — detalhe que em tempos de crise financeira faz diferença no bolso do brasileiro. Mas se observarmos por outra ótica, o benefício também representa uma transformação dos tempos atuais, que feliz ou infelizmente faz parte da sobressalência da tecnologia.

Durante esses meses realizei cerca de quarenta viagens a partir do aplicativo de transporte. Em cada carro, uma história diferente foi contada, no entanto existe algo em comum entre a maioria delas: o desemprego.

Um motorista era engenheiro e perdeu o emprego. A outra, por conta da idade avançada e a dificuldade de se inserir novamente no mercado de trabalho, precisava de uma alternativa para conseguir manter a geladeira abastecida. Já outro fechou as portas do próprio negócio, mas não podia cruzar os braços, afinal há crianças que dependem do seu sustento no final do mês.

Mesmo com histórias tão sensíveis, não podemos esquecer que essa realidade interfere na vida dos taxistas, que antes faziam o transporte particular com exclusividade. Hoje, a concorrência é grande: além do Uber, há o Cabify, que chegou a Santos em fevereiro passado, e o 99 POP, que deu início oficial ao serviço na última segunda (12).

A quantidade de opções aumenta o leque de oportunidades ao consumidor, porém eleva a concorrência entre eles, principalmente os taxistas que pagam taxas fixas e elevadas.

Inclusive, na segunda (12), após o buzinaço que mobilizou cerca de 400 taxistas pelas ruas da Cidade, os trabalhadores reuniram-se com a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) de Santos para apresentar e ouvir a proposta de regulamentação dos aplicativos de transporte.

Em nota, a CET-Santos informa que a categoria ficou de avaliar a proposta sugerida pela Prefeitura. Por outro lado, o SindTÁXI (Sindicato dos Taxistas) Santos disse que a sugestão apresentada “desagradou totalmente a categoria, deixando-os profundamente indignados e à mercê da própria sorte”. Os conteúdos não foram revelados por ambos.

Veículo com desconto

Por mais que exista toda essa polêmica instaurada entre os taxistas e os serviços que utilizam de aplicativos para o transporte, vale ressaltar que a categoria possui 30% desconto na compra do veículo zero quilômetro.

Porém, a diretoria do SindiTÁXI, destaca que isso é muito relativo. “Os taxistas que optam pelo desconto só conseguem fazer o seguro do veículo com cobertura de 75%, muitos não esperam o processo para as isenções de impostos por conta da demora. O processo leva, em média, nove meses mais o tempo que a montadora demora para entregar o veículo. Por tudo isso, muitos compram sem desconto”, diz, em nota. “É importante dizer que na hora na venda do veículo o taxista tem imensa dificuldade e acaba vendendo por um valor muito baixo, diferentemente dos veículos particulares”, completa o sindicato da categoria.

A frota da Cidade é composta por 1.161 táxis, segundo dados da Prefeitura. As operadoras dos aplicativos não divulgam o total de cadastrados.

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