Praça Caio Ribeiro

Furtos e vandalismo em praça da Aparecida viram rotina

Praça Caio Ribeiro, na Aparecida, em Santos, sofre com ação da marginalidade antes de ser reinaugurada, e munícipes se sentem inseguros nas imediações.

25 de agosto de 2018 - 10:30

Felipe Rey e

Lucas Freire

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Mesmo ainda não totalmente reformada, a Praça Caio Ribeiro Moraes e Silva, na Aparecida, amanheceu no sábado (18) sem iluminação, em razão do furto de 800 metros de cabos de energia.
O prejuízo não apenas se reflete nos cofres públicos, onde a Prefeitura teve de repor a fiação e arcar com os custos.

Na realidade, a prática tem se tornado cada vez mais comum. Só no semestre passado, foram contabilizados 20 ocorrências de furto de cabos em locais públicos pela cidade. Inclusive na orla, onde até câmeras de segurança foram furtadas.

Assim, os comerciantes da FeirArte também foram prejudicados. A tradicional feira de exposição em Santos não pode trabalhar no domingo na Praça em frente ao Sesc, local de grande fluxo , sendo transferida para a orla Boqueirão, onde já ocorre aos sábados. A comerciante Maristela Silveira, 50 anos, disse que o furto provocou um grande prejuízo financeiro aos expositores.

“Fomos prejudicados, pois tivemos que sair do nosso espaço onde expomos aos domingos. No Boqueirão, muitos não foram trabalhar, principalmente por causa da friagem. Além disso, os visitantes não souberam dessa transferência. Portanto, o público presente foi bem reduzido, e consequentemente a queda nas vendas foi alta”, lamentou a expositora que trabalha há 29 anos na área.

Praça Caio Ribeiro

Empresa prestadora de serviço teve que instalar nova rede de cabos, furtados a partir das caixas de passagem (detalhe), totalizando 800 metros (Foto: Nando Santos)

Insegurança

Dessa forma, reclamações sobre os assaltos recorrentes na praça viraram rotina. Um dos seguranças da farmácia mais próxima teve a bicicleta furtada. A presença de usuários de drogas no local, especialmente à noite, contribuiu para esta situação, segundo relatos.

Segundo um dos funcionários do local, o segurança não era fixo, mas folguista. “Aqui na região estão acontecendo muitos assaltos. Eu conheço vários casos”, comentou. Uma padaria que estava para ser inaugurada na esquina da Epitácio Pessoa com Alexandre Martins nem abriu as portas e foi invadida, provocando prejuízos aos proprietários.

Uma das moradoras do bairro, Mônica Melim, afirmou que após todos os casos de assaltos, ela tem medo de transitar no local. “Era muito difícil eu sair à noite. Agora então, eu fico com mais medo”, informou.

Mônica relatou que nunca presenciou casos de assaltos no local. No entanto, conhece diversos casos de furtos devido a amigos que moram nas proximidades. “Graças a Deus nenhuma pessoa que eu conheço foi assaltada, mas da mesma forma me sinto insegura”, disse.

O porteiro João de Jesus, que trabalha em um prédio em frente à praça, lembra que houve um assalto no cruzamento entre a Epitácio Pessoa e Anália Franco. “Eu escutei um grito, até pensei que havia sido um acidente. Mas quando reparei era um rapaz que tinha furtado a bolsa da mulher”, confirmou.

Segundo o porteiro, ocorreu um assalto com o outro funcionário do prédio, enquanto ele passava pela praça. O porteiro acredita que quem esteja praticando os assaltos seriam os moradores de rua que ocupam um trecho da praça, junto à parede da Praça dos Cães.

Moradores de Rua na Praça Caio Ribeiro

Apesar da Praça Caio Ribeiro ser um local que tem apresentado perigo, Maristela explicou que durante as feiras, aos domingos, a presença dos moradores de rua não apresenta insegurança. No entanto, os visitantes se sentem incomodados por conta das abordagens feitas. “Naquele local há uma grande concentração de moradores de rua. Eles pedem doações, trocados, comidas. Isso atrapalha o evento, pois o público se sente desconfortável”.

Portanto, para a expositora, as autoridades precisam tomar alguma providência urgente. tanto para acolher as pessoas em situação de rua, como também melhorar a qualidade da segurança.
“Há muito morador de rua. Aos domingos quando estamos chegando de manhã, eles costumam ficar deitado atrás da praça dos cães. Quarta-feira cedo, eu passei pela praça e tinham duas mulheres, e duas crianças dormindo naquele trecho (muro que percorre toda a praça). Além disso, no canto dos bancos tinham aproximadamente cinco pessoas dormindo. Parecia um hotel a céu aberto. É necessário que alguém tome uma providência”, afirmou a expositora.

Praça Caio Ribeiro

Visitantes e frequentadores da praça não utilizam a Praça dos Cães, com medo da presença de dependentes químicos e moradores de rua (Foto: Nando Santos)

Vigilância na Praça Caio Ribeiro

Para Mônica, a Guarda Civil Municipal (GCM) deveria ficar direto no local, principalmente para inibir mais casos de assaltos.

Entretanto, outra moradora do bairro divergiu sobre a situação da insegurança no bairro. Segundo Silverina Adair, de 71 anos, os funcionários da Guarda Municipal estão sempre presentes no local para assegurar o bem-estar da população. “Sempre que vou ao mercado ou ao médico, eles transitam por aqui”, afirmou.

Silverina ainda afirmou que não presenciou nenhum assalto no local. Apesar disso, reconhece que é importante que a Guarda fique durante à noite para endossar a segurança de quem passa pelo espaço.

Prefeitura

A Secretaria de Serviços Públicos informou que foram furtados cabeamentos de vários circuitos nas caixas de passagem junto aos postes de iluminação. Juntamente com a mão de obra o valor estimado desse furto ficou em R$ 6 mil.

Com relação à segurança, a Guarda Municipal informa que existe uma câmera de monitoramento no local – o que é pouco diante das dimensões da praça. “As rondas no local serão intensificadas. A GM realiza rondas de viaturas e motos, em toda extensão da orla e também na Praça do Sesc. Denúncias devem ser feitas pelos telefones 153 e 0800177766”.

Quanto à presença de pessoas em situação de rua, a Secretaria de Desenvolvimento Social explicou que atualmente Santos, com o intuito de garantir os direitos das pessoas em situação de rua, oferece o Serviço Especializado em Abordagem Social (com cinco equipes atuantes) e do Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua, Centro Pop.

De acordo com a pasta, as equipes desenvolvem um serviço de abordagem constante da população de rua, a fim de que se consiga estabelecer vínculos de confiança com os operadores sociais, e encaminhamentos para a rede socioassistencial do município. Este trabalho é processual e feito a partir da persuasão e respeito a liberdade de escolha por meio de vínculos de confiança, explica a pasta.

Legislativo

O vereador Zequinha Teixeira (PSD) usou a palavra em Plenário para cobrar medidas urgentes de segurança na Praça Caio Ribeiro.

O parlamentar apresentou requerimentos à Guarda Municipal e ao 6º Batalhão da Polícia Militar por conta do furto de fios ocorrido na praça.

“Foram roubados 150 metros de fios da iluminação. É um absurdo o que está acontecendo na Praça que ainda não foi nem inaugurada oficialmente”, declarou o vereador.

Além do furto dos cabos, em menos de três semanas outros equipamentos da Praça que já sofreram problemas foram constatados pelo vereador. “Três aparelhos da academia foram quebrados além do balanço das crianças ter sido pichado”.

Assim, nos requerimentos apresentados, Zequinha pede uma base fixa ou móvel da Guarda Municipal. Além disso, pediu o aumento das rondas ostensivas no entorno da praça. “A praça precisa ser ocupada pela população e protegida pela Prefeitura. Foi muito dinheiro gasto para deixar o equipamento à mercê de marginais e vândalos”, complementou o parlamentar.

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