cidades

Em um ano, cesta básica aumenta quase 20% em Santos

Censo do IBGE revela que 27,7% dos santistas vivem com renda nominal mensal por habitante de até 1/2 salário mínimo

06 de janeiro de 2019 - 10:19

Fernando De Maria

Compartilhe

cesta básica

Considerado um dos municípios mais ricos do País, Santos convive com uma triste realidade.

Conforme o censo do IBGE de 2010, 27,7% dos santistas vivem com renda nominal mensal per capita (por habitante) de até 1/2 salário mínimo (R$ 499,00).

Em números, com base na população atual, são cerca de 120 mil pessoas.

E os percentuais não levam em consideração a crise econômica e o aumento do desemprego registrado nos últimos anos.

Entre os 5.570 municípios brasileiros onde há maior incidência de brasileiros neste grupo, Santos ocupa a 5.066ª no ranking.

No estado de São Paulo, das 645 cidades, fica na 549ª posição.

Mas a realidade dos números salta aos olhos quando comparados ao volume de pessoas nesta situação.

 

Dura realidade

Apesar de posições relativamente melhores que a imensa maioria dos municípios brasileiros (o salário médio formal dos trabalhadores santistas é 3,3 salários mínimos (R$ 3.293,40), com dados de 2016, segundo o IBGE), para uma imensa massa de cidadãos e cidadãs o custo da cesta básica praticamente consome toda renda per capita de milhares de famílias.

E até ultrapassa. Em números, são, no mínimo, 6.131 domicílios cujos moradores convivem com esta situação.

Ou seja, para  no mínimo 18 mil santistas, a renda per capita de 1/4 do salário mínimo (R$ 249,50) não dá sequer para comprar uma cesta básica.

Mas, certamente, este número é bem maior.

Afinal, conforme o IBGE, Santos tem média de 2,89 moradores por imóvel ocupado.

No entanto, na periferia, este número é superior, mas a pesquisa não traz este tipo de detalhamento.

O volume é tão expressivo que se supera a população de 369 municípios paulistas (são 645).

Afinal, segundo dados da Fundação Seade, 4,23% dos moradores de domicílios santistas vivem com renda per capita de até 1/4 do salário mínimo.

Mesmo levando em consideração o salário mínimo paulista de R$ 1.108,38, isso equivale a R$ 277,09.

Se for o salário mínimo nacional, deste ano, (objeto do levantamento do IBGE), R$ 249,50.

 

Quase 57 mil pessoas

E a situação também é complicada para outro volume considerável de santistas, cuja renda per capita mensa é de 1/2 salário mínimo (R$ 499,00).

Afinal, 9,31% dos domicílios são formados por moradores nestas condições (total de 13.495).

Em números, são 39 mil.

Na soma, portanto, entre os dois grupos (com renda de até 1/2 salário mínimo per capita), são 57 mil pessoas – cerca de 13,5% da população santista.

Se fosse uma cidade, seria a 122ª mais populosa do Estado de São Paulo.

 

Arte: Mala

Drama social

O drama social fica mais explícito quando os dados do IBGE e da Fundação Seade são cruzados com o levantamento realizado pelo Labores – Laboratório Econômico Social da Universidade Católica de Santos .

Realizado mensalmente desde agosto de 2017, o estudo mostra que o valor da cesta básica em Santos tem aumentado sucessivamente, atingindo especialmente as famílias mais carentes.

Justamente as que mais necessitam dos produtos presentes na cesta.

Denominado Índice de Custo da Cesta Básica de Alimentos – ICCB, o levantamento mensal é realizado por professores e alunos dentro do programa de pesquisa e extensão do curso de Ciências Econômicas da Universidade Católica de Santos.

“Visitamos os mercados varejistas, de acordo com a população de cada região, dentro de uma metodologia que avalia os valores mínimo, máximo e médio”, destaca o professor João Alfredo Carvalho Rodrigues.

Ele é coordenador do Labson – Laboratório de Soluções Organizacionais, que tem neste tipo de estudo uma das atividades de extensão oferecidas à comunidade.

 

Sem promoções

Ao todo, são 16 mercados espalhados por bairros, divididos em zonas da orla, intermediária, central e noroeste.

As pesquisas são realizadas ao longo de vários dias.

Desta forma, evitam-se datas onde as redes de supermercado fazem promoções de hortifrutigranjeiros, que tem peso na cesta básica.

Na metodologia, utilizam-se os produtos mais baratos e mais caros e até marcas diferentes.

Assim, o  objetivo é calcular um índice de preços de alimentos similar ao do Dieese – Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômico).

Para tanto, utiliza-se a metodologia do economista e estatístico alemão Ernst Louis Étienne Laspeyres.

Todos os dados são coletados até o dia 10 de cada mês.

Quando as tabelas são montadas e divulgadas no portal da instituição para consulta pública.

Vale lembrar que este levantamento não tem qualquer relação com o divulgado no Diário Oficial de Santos, conforme lei municipal 1761/99.

O último levantamento ocorreu em novembro, com divulgação em dezembro.

 

Mais horas trabalhadas

Os números apresentados pelos pesquisadores revelam que em novembro (com base no último estudo divulgado em dezembro), o valor médio da cesta básica em Santos foi de R$ 408,50.

Ou seja, 19,7% acima do valor médio do mesmo mês de 2017.

Para se ter uma ideia, naquela ocasião, o valor da cesta básica equivalia a 30,7% do salário mínimo paulista (R$ 1.072,20).

Em novembro último, chegou a 36,8% do mesmo salário mínimo paulista de 2018 (R$ 1.108,38).

Já em relação ao atual salário mínimo nacional, chega a 40,9%

Em horas trabalhadas com base no salário mínimo, esta alta fica ainda mais evidenciada.

Em novembro de 2017, o trabalhador que recebia um salário mínimo gastava 69,8 horas para comprar uma cesta básica.

Agora, são 81,1 horas.

Já pelo salário mínimo atual, a hora chega a R$ 4,99.

“As pessoas estão comprando menos comida”, enfatiza Rodrigues.

“É uma triste realidade que temos notado. E tem atingido especialmente as pessoas de menor poder aquisitivo”, salienta o coordenador dos cursos de Negócios da UniSantos, Elias Salim Haddad Filho.

Ou seja, justamente as pessoas que moram em áreas mais periféricas é quem têm pago mais pelos alimentos que compõem a cesta básica. (veja o quadro).

A alta é maior entre os supermercados da Zona Noroeste (24,6%) entre novembro de 2017 e novembro de 2018.

Assim, a quantidade da cesta básica se baseia no consumo mensal per capita por morador em uma residência.

Por exemplo: são 7,5 litros de leite ao mês – o equivalente a 250 ml diários.

No entanto, em caso com crianças pequenas esta é uma meta praticamente impossível de ser atingida.

Ou 100 gramas de arroz/dia e 150 gramas de feijão/dia.

 

Cesta básica tem peso maior

Um trabalhador santista que recebe o atual salário mínimo precisa trabalhar cada vez mais para comprar uma cesta básica.

O reajuste do salário mínimo, que passou de R$ 954 para R$ 998, equivale a 81,1 horas trabalhadas para a aquisição de uma cesta básica em supermercados de Santos.

Em novembro de 2017, o trabalhador que recebia o salário mínimo na ocasião gastava 69,8 horas para adquirir a mesma cesta básica.

Em novembro passado – data do último levantamento divulgado em dezembro último – o valor da cesta básica nos supermercados santistas chegou ao recorde de R$ 408,50.

Na comparação com o salário mínimo, equivale a 40,9%.

Ao todo, são 16 mercados pesquisados, espalhados por bairros, divididos em zonas da orla, intermediária, central e noroeste.

Os dados fazem parte da pesquisa realizada pelo Labores – Laboratório Econômico Social da Universidade Católica de Santos.  Salário mínimo paulista. Para se ter ideia, em novembro de 2017, o valor da cesta básica equivalia a 30,7% do salário mínimo paulista (R$ 1.072,20).

Em novembro passado, chegou a 36,8% do salário mínimo paulista de 2018 (R$ 1.108,38).

Os novos valores para 2019 ainda não foram divulgados pelo governo paulista.

 

Novo salário

Já em relação ao novo salário mínimo nacional chega a 40,9% do montante recebido.

“As pessoas estão comprando menos comida”, enfatiza o coordenador do Labson – Laboratório de Soluções Organizacionais, professor João Alfredo Carvalho Rodrigues.

“É uma trise realidade que temos notado. E tem atingido especialmente as pessoas de menor poder aquisitivo”, salienta o coordenador dos cursos de Negócios da Unisantos, Elias Salim Haddad Filho.

Ou seja, justamente as pessoas que moram em áreas mais periféricas têm pago mais pelos alimentos que compõem a cesta básica.

A alta foi maior entre os supermercados da Zona Noroeste (24,6%) entre novembro/17 e novembro/18. (ver quadro abaixo)

A quantidade da cesta básica se baseia no consumo mensal per capita por morador em uma mesma família.

Por exemplo – são 7,5 litros de leite ao mês – o equivalente a 250 ml diários.

No caso de famílias, com crianças, no entanto, este percentual é praticamente impossível de ser atingido.

Ou 100 gramas de arroz/dia e 150 gramas de feijão/dia.

 

Aumento real

Após três anos, o salário mínimo nacional teve aumento real (foi reajustado em 4,6%).

No entanto, originalmente a proposta era reajustar para R$ 1.006,00.

No entanto, a queda na inflação empurrou para um valor menor (R$ 998,00).

Como o ex-presidente Michel Temer resolveu não assinar o reajuste, coube ao novo presidente Jair Bolsonaro fazê-lo.

LEIA TAMBÉM: