Eleições 2018

Efeitos Bolsonaro e França retiram votos do PSDB, PT e MDB

Ondas Bolsonaro e França na Baixada Santista derrubam votações para candidatos do PSDB, PT e MDB à Presidência da República e Governo do Estado.

11 de outubro de 2018 - 15:17

Fernando De Maria

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Eleições 2018

Campeões de votos à Presidência da República e ao Governo do Estado nas nove cidades da Baixada Santista, as vitórias no primeiro turno de Jair Bolsonaro (PSL) e Márcio França (PSB) atingiram em cheio o PSDB, PT e MDB na Baixada Santista.

As votações expressivas de ambos no primeiro turno foram decisivas para este cenário no Executivo.

Assim, como no Legislativo.

Afinal, se antes o PSDB tinha um federal (João Paulo Papa) e um estadual (Cássio Navarro) e o MDB um federal (Beto Mansur), agora ambos os partidos ficaram sem representantes.

PSL, de Bolsonaro, elegeu um federal (Jr. Bozzella) e um estadual (Tenente Coimbra).

Já o PSB, uma federal (Rosana Valle), e um estadual (Caio França, reeleito).

Completam o time prof. Kenny (ex-PSDB, atual PP) e Paulo Correa, reeleito pelo Patriotas, ambos estaduais.

 

Vitória expressiva

Jair Bolsonaro, por exemplo, ganhou nas nove cidades, totalizando 510.834 votos – equivalente a 54,9% dos votos válidos.

Portanto, se dependesse dos eleitores da região, o candidato seria eleito já no primeiro turno.

Seu oponente mais próximo, Fernando Haddad (PT), com quem Bolsonaro disputará o segundo turno em 28 de outubro, obteve 142.757 votos – 15,3% dos votos válidos (foram 930.807).

Na terceira colocação ficou Ciro Gomes (PDT), com 104.567 votos (11,2%).

Já Geraldo Alckmin obteve meros 85.515 votos (9,2%).

Menos que o total de votos do primeiro suplente do partido, Miguel Haddad (PSDB), à Câmara dos Deputados, que ficou de fora mesmo com 86.042 votos.

 

Tucanos em baixa – federal

Os tucanos, aliás, foram os mais atingidos pelo ‘furacão’ Bolsonaro na Baixada Santista.

E o mesmo pode se dizer em relação ao governador Marcio França, do PSB, que estremeceu a sempre folgada votação regional ao PSDB.

Afinal, se em 2016 o PSDB conseguiu eleger sete dos nove prefeitos, dois anos depois o partido foi quem mais perdeu espaço junto ao eleitorado.

Isso significa que nem sempre o fato de uma cidade ser governada por um prefeito representa que quem ele apoia terá sucesso.

Isso fica claro, por exemplo, no caso de Santos, onde o atual prefeito, Paulo Alexandre Barbosa (PSDB), ganhou há dois anos a eleição municipal em primeiro turno, com 172.215 votos.

Não bastasse, a agremiação fez a maior bancada, com oito vereadores – quase 40% do Legislativo santista.

No entanto, a boa performance tucana de 2016 foi insuficiente para alavancar a candidatura de Geraldo Alckmin na Cidade, onde ele ficou em quarto lugar, com meros 20.043 votos (8,1% dos votos válidos).

O volume é menor que os votos obtidos pelo vereador mais votado na ocasião – e na história da Cidade -, prof. Kenny, então no PSDB de Alckmin em 2016.

Na ocasião, ele obteve 24.765 sufrágios.

Se em 2014, o PSDB garantiu 339.336 votos com Aécio Neves no primeiro turno, desta vez foram apenas 85.515 votos conquistados por Alckmin – uma queda de 74,8%.

Os números, aliás, ajudam a entender a explosão de votos em Bolsonaro.

Ou seja, os tradicionais eleitores do PSDB migraram para o PSL do deputado federal nesta eleição, principalmente em razão do discurso anti-PT, atitude que o PSDB não teve capacidade para assumir.

 

Tucanos em baixa – estadual

Situação semelhante ocorreu no tocante ao Governo do Estado.

Em 2016, Geraldo Alckmin obteve 504.925 votos – 59,8% dos votos válidos para o Governo do Estado.

Ou seja, ganharia no primeiro turno, como de fato ocorreu.

Porém, João Doria (PSDB), que disputará o segundo turno com Márcio França em 28 de outubro, ficou em segundo na região, com 202.894 votos (24,1% dos votos válidos).

Bem distante, portanto, do cenário de quatro anos atrás.

O motivo foi a entrada de Márcio França, com raízes no litoral, onde foi prefeito de São Vicente e deputado federal, que abocanhou 344.463 votos (41% do total dos votos válidos).

Em 2014, seu partido, o PSB não disputou o governo paulista, pois se coligou com o PSDB.

França era vice de Alckmin e assumiu em abril com a saída do ex-governador para disputar a Presidência da República.

Fica claro, portanto, que a entrada de França na disputa também esvaziou o PSDB na região.

França ganhou em sete das nove cidades da Baixada Santista no primeiro turno, com exceção de Bertioga e Itanhaém, ambas governadas pelo PSDB, onde Doria saiu vitorioso.

O resultado mais apertado (e curioso!), porém, ocorreu em Praia Grande, cidade administrada pelo coordenador regional do tucano, o prefeito Alberto Mourão (PSDB).

Lá, França ganhou por apenas 9 votos (38.900 contra 38.881 de João Doria).

Mas venceu.

 

PT

Mesmo indo para o segundo turno em âmbito federal, o Partido dos Trabalhadores também perdeu votos na Baixada Santista na comparação entre as eleições de 2014 e 2018.

Na ocasião, Dilma Rousseff obteve 253.428 votos no primeiro turno.

No domingo, seu colega de partido, Fernando Haddad, ficou com 142.757 votos – uma queda de 43,7% dos votos neste período.

Situação semelhante ocorreu na disputa pelo governo paulista.

Em 2014, o ex-ministro da Saúde, Alexandre Padilha, candidato do partido, recebeu 140.078 votos na região. Ficou em terceiro lugar.

Desta vez, Luiz Marinho ficou em quarto, com 73.930 votos na Baixada Santista. Redução de 47,2%.

O PT não dispunha de representantes regionais na Assembleia Legislativa nem na Câmara Federal na atual legislatura, situação oposta à vivida até meados das duas últimas décadas.

Afinal, naquele período  candidatos regionais chegaram a ser eleitos (e bem votados) pelo partido da estrela vermelha.

Foram os casos de Telma de Souza, Mariângela Duarte, Fausto Figueira e Maria Lúcia Prandi.

 

MDB

O MDB pagou pelos pecados de ter Michel Temer no poder.

Com a mais baixa popularidade de um presidente, viu seu único representante regional, Beto Mansur (MDB) não se reeleger, após seguidos mandatos consecutivos neste século.

Mansur teve 27.613 votos, menos que na eleição anterior, quando obteve 31.301.

Na época, Mansur estava no PRB e foi eleito graças ao efeito Celso Russomano, líder de votos naquela eleição, com 1.524.361 sufrágios.

Outro sintoma da queda da popularidade do partido foi  a redução de votos de Paulo Skaf (foto).

Ele já concorrera em 2014 (também em 2010, mas pelo PSB de Márcio França).

Na ocasião, Skaf ficou em segundo lugar na disputa ao Palácio dos Bandeirantes, tendo recebido 207.013 votos.

A vitória de Geraldo Alckmin eliminou o segundo turno.

No domingo (7) passado, viu seu desempenho cair em 44,4%. Conseguiu 115.038.

Por ironia, se ele tivesse mantido a mesma votação de 2014 na Baixada Santista, a diferença de votos (91.975) seria suficiente para que ele fosse para o segundo turno.

Afinal, Skaf perdeu a segunda vaga no segundo turno por apenas 89.133 votos para França.

Ontem (17), Skaf anunciou apoio a França contra Doria.

Coisas da política.

 

 

 

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