Editorial
Humberto Challoub

Jornalista e Diretor de Redação do Jornal Boqnews. Diretor da Faculdade de Artes e Comunicação da Unisanta

A eleição sem Lula

O valor da Lei da Ficha Limpa deve ser ressaltado por todos e servir como fator inibidor às candidaturas maculadas por desvios de conduta

11 de setembro de 2018 - 10:39

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Com a confirmação pelo TSE do impedimento de participação do ex-presidente Lula no processo eleitoral, que até então liderava todas as pesquisas de intenção de voto, a corrida ao Palácio do Planalto ganhou novos contornos e, de certa forma, trouxe grande imprevisibilidade para o processo.

Descontados os exageros retóricos e midiáticos da denúncia contra o ex-presidente, a farta documentação acusatória anexada ao processo – somada a tantas outras evidências e fatos conclusivos que têm se revelado ao longo da investigação colocada em curso pela Polícia Federal -, não abre possibilidade de eximir sua culpa dos crimes que a ele foram imputados. Lula sucumbiu às tentações da corrupção, assim como tantos outros políticos e servidores públicos que perpetuam a “propinocracia”, um pejorativo e vergonhoso traço cultural que ao longo da história permeia a política brasileira.

É perceptível que sua condenação representou o golpe derradeiro contra um ideário político que, durante décadas foi sustentado pelo populismo e pela falsa defesa de princípios éticos e de honestidade. Neste contexo, o valor da Lei da Ficha Limpa deve ser ressaltado e servir como fator inibidor às candidaturas maculadas por desvios de conduta e, ao mesmo tempo, estimular a adoção de práticas políticas em consonância com os anseios da população, que reivindica mais ética, honestidade e competência de seus representantes. É cada vez maior o repúdio aos modelos e doutrinas políticas baseadas na troca de favores e dedicadas a se perpetuar no poder por meio do desvio de recursos públicos destinados à causa.

A saída de Lula da disputa eleitoral obrigará seus eleitores cativos a analisar outras possibilidades de voto. Mesmo os fidelizados pelo ideário petista haverão de questionar, em algum momento, as opções de candidaturas diante do risco de insucesso do partido no primeiro turno das eleições. Diante de tamanha imprevisibilidade, resta ao eleitor escolher seus futuros representantes com responsabilidade, analisando o histórico de conduta, currículo e rol de realizações de cada candidato, de forma a não sucumbir às promessas fáceis e aos apelos emocionais da propaganda eleitoral.

Lula

Foto: Wilson Dias / Agência Brasil

É preciso admitir que os graves problemas enfrentados pelo Brasil nas áreas da educação, saúde, segurança, habitação, geração de empregos e infraestrutura não serão resolvidos em apenas um mandato presidencial. Porém, mais do que nunca, é preciso lançar bases para um futuro promissor. Daí a importância de que a escolha seja feita com mais consciência e menos emoção. É o que se espera.