Panorama Regional
Fernando De Maria

Fome não tem ideologia

Independente das paixões políticas, todos estão na mesma direção. Ou seja, mesmo que não tenha votado no atual governo, o Brasil é maior do que ideologias políticas e partidárias

08 de janeiro de 2019 - 10:24

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2019 chegou e com ele novas expectativas surgem em razão das mudanças políticas acalentadas pelos brasileiros, que, de forma democrática, depositaram nas urnas as esperanças por dias melhores.

Nesta hora, independente das paixões políticas, todos estão na mesma direção: sejam eleitores do atual governo, sejam aqueles que não votaram no presidente Jair Bolsonaro.

Afinal, o Brasil é maior que ideologias e desejos políticos e deve ser assim.

Para o bem da Nação, que não aguenta mais tanta desfaçatez e sacanagem com o dinheiro público, seja no Executivo, Legislativo e Judiciário.

Não dá mais para convivermos com tantas discrepâncias sociais.

O novo chefe do Executivo terá a missão de colocar em prática o discurso de campanha.

Ainda que alguns deles sob pontos não tão esclarecidos. Sob a expectativa e aval dos seus quase 58 milhões de votos, Bolsonaro tem à frente vários desafios, especialmente na economia.

Sob a batuta do ministro Paulo Guedes, ele sabe da necessidade da retomada profunda da geração de empregos – onde 12,2 milhões de pessoas encontram-se nesta triste situação, além de milhares de outras que vivem de subempregos, compartilhando a pobreza.

A boa notícia é que o cenário deixado pelo mandatário anterior, Michel Temer, foi de tendência de alta, ou seja, ainda que lentamente os empregos estão voltando.

Mas a fome e necessidade social urgem.

Não é à toa que, após 15 anos de queda, o índice de desigualdade social no Brasil tenha parado de cair, segundo apontou no final de novembro a Organização Não Governamental Oxfam Brasil no relatório País estagnado: um retrato das desigualdades brasileiras.

Assim, o País subiu uma posição e hoje carrega o título de 9º nação mais desigual do mundo (era a 10ª), dentro de 189 países.

Esta realidade, porém, não se restringe às cidades periféricas Brasil afora, mas na Baixada Santista casos não faltam para ilustrar.

E até em Santos, onde o salário médio formal dos trabalhadores santistas chega a 3,3 salários mínimos (R$ 3.293,40), com dados de 2016, conforme o IBGE.

Um paraíso em comparação com outras cidades até da própria região.

Mas os números são cruéis: 18 mil pessoas (sobre) vivem com 1/4 do salário mínimo (R$ 249,50) mensal.

Não são poucos os que vivem do bolsa-família, recebendo míseros R$ 92,00 mensais!

Valor que para muitos é gasto em banalidades e consumismo dispensável.

Se incluirmos o grupo cuja renda per capita chega a 1/2 salário mínimo (R$ 499,00), a soma total de santistas nestas condições atinge 57 mil pessoas – cerca de 13,5% da população total.

E isso em Santos, cidade com uma das maiores rendas per capita do País. Quiçá País afora.

Oxalá o novo governo faça as melhorias necessárias ao País, sem esquecer do atendimento aos mais necessitados, diminuindo esta disparidade social tão vergonhosa.

Espera-se bom senso e um olhar social do novo governo. Afinal, a fome e miséria não tem ideologia.