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Vinicius Carlos Vieira

Saiu da faculdade de jornalismo e descobriu que não sabia fazer mais nada a não ser escrever sobre cinema. Resolveu virar crítico. Hoje, é editor e crítico do site Cinema Aqui (@cinemaqui), além de ser produtor do Nerd Cine Fest. No twitter pode ser encontrada no @vinicvieira

Mulher Maravilha

Heroína da DC demorou para chegar aos cinemas, mas a espera valeu a pena. Confira a crítica.

06 de junho de 2017 - 21:32

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Ainda que não seja motivo de empolgação ser considerado “o melhor filme do universo cinematográfico da DC até agora”, Mulher Maravilha pode ser exaltado por uma série de outras qualidades, inclusive ser tão importante para o gênero como o Superman de 1978 foi lá atrás e Batman – Cavaleiro das Trevas “mais recentemente”.

E esqueça a Marvel, o objetivo deles é uma autofagia monetária que roda através dela mesma. Uma pilha de aventuras com ambições menores, mas que conquistaram sua fatia no mercado e não estão preocupados com nenhuma influência externa. Mulher Maravilha tem inspirações épicas, desde o nascimento mitológico até uma jornada que a leva a discutir conceitos pesados como a maldade dentro de cada um. Isso dentro da trama, porque fora dela, a discussão é ainda mais importante.

Mulher Maravilha é a prova de que é possível levar para o cinema uma heroína. E se isso parece meio idiota, pare para pensar que com sete décadas de existência, quantas vezes você viu o Batman e o Superman nos cinemas? E quantas vezes a Mulher Maravilha esteve por lá?

Talvez o sucesso de Mulher Maravilha abra essas portas, mas enquanto isso Hollywood ainda tem um caminho bem longo a seguir. Isso sem contar a presença de uma mulher, Patty Jenkins, na direção, que entra para a história de Hollywood como a diretora na história a ter o maior orçamento em mãos para realizar um filme.

Mas indo ao filme, Jenkins faz um trabalho impecável. Sensível na hora de desenvolver seus personagens e motivações, precisa nas composições, valorizando bem os cenários e situações e dando um baile quando o assunto é ação. Todo primeiro ato é um espetáculo visual e épico, o que contrasta bem com a estética do resto do filme, quando a heroína deixa a Ilha Paraíso (Themyschira) e vai em busca de Ares para enfrentá-lo e acabar com a Primeira Guerra Mundial.

E Mulher Maravilha é esse caminho enquanto ela descobre suas motivações, sua força e suas verdadeiras origens. Uma busca pelo conhecimento dela enquanto descobre que o “mundo dos homens” não é feito de preto e branco, mas sim de diversos tons de cinza.

O roteiro escrito por Allan Heinberg, inteligente, ágil e preciso, discute tudo isso com propriedade e só escorrega bem lá para o final, ao apontar para uma discussão poderosa, mas se contradizer com a presença de um vilão clássico. E isso só não atrapalha, pois isso resulta em um cena de ação empolgante e visualmente divertida, que testa as capacidades da personagem e fecha o filme com propriedade.

Fora isso, Heinberg trabalha bem todo desenvolvimento da personagem, todo choque e humor dela com um mundo novo e move muito bem a personagem através da trama. E falando em “andar através da trama”, de modo orgânico e natural a Mulher Maravilha é jogada no front de batalha e talvez crie uma das mais empolgantes cenas de ação dos filmes de super-heróis desde a luta de Superman contra Zod em seu segundo filme.

Naquele momento, nasce a Mulher Maravilha, mas nasce também a esperança não só de que o universo da DC volte ao rumo que tanto já lhe divertiu seus fãs, como também de um cinema de super-herói onde não só as heroínas sejam mais vistas, como também as mulheres estejam mais presentes por trás e pela frente das câmeras.

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