Direito e Acesso em Pauta
Jackson C. De Paula

Pessoa com deficiência, possui "Amiotrofia Espinhal Progressivo Tipo 2", doença neurológica congênita que afeta a musculatura. Hoje mexe o pescoço, a face e a mão esquerda. É estudante de Direito da Universidade Católica de Santos, e presidente do Instituto SuperAção Total.

Nem Melhor, nem Pior, apenas Diferentes!

O que é uma pessoa com deficiência? Como se comportar perante alguém que tenha limitações físicas?

10 de fevereiro de 2016 - 13:04

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Estas questões são muito corriqueiras dentro da nossa sociedade. Muitas vezes, a grande maioria das pessoas não sabe se comportar diante de quem tem alguma deficiência, e acabam agindo de forma inadequada, causando constrangimentos desnecessários. Muito se deve à falta de informação. As pessoas só passam a entender que as pessoas com deficiência, são PESSOAS como qualquer outra, depois que passam a conhecer e conviver com elas.

Juridicamente podemos definir uma pessoa deficiente conforme o Art. 2º da LBI, da seguinte maneira; “Considera-se pessoa com deficiência aquela que tem impedimento de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, o qual, em interação com uma ou mais barreiras, pode obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas”.

Quem possui alguma deficiência, é uma pessoa normal como qualquer outra, com personalidade, com qualidades e defeitos, com formas de pensar, agir e desejos de todas as naturezas. A diferença esta na maneira de locomover-se, segurar uma caneta, digitar em um computador, etc., sem que isso diminua ou aumente o seu valor perante aos outros.

Portanto, devesse abordar e tratá-los com naturalidade, sem preconceito ou discriminação.

Como abordar e agir:Veja algumas dicas de como abordar e agir com uma pessoa deficiente, seja no trabalho, estudo, lazer ou relações pessoais;

Se você perceber que de alguma maneira pode ajudar fisicamente alguém com deficiência, pergunte diretamente para esta pessoa se ela aceita receber o auxílio. É muito comum as pessoas já irem pegando no braço, ou em alguma parte da cadeira de rodas (a cadeira de rodas ou qualquer outro equipamento de auxílio, é praticamente uma extensão do corpo da pessoa), sem questionar, ou quando questionam, se a pessoa com deficiência estiver acompanhado, falam com o acompanhante e não com a própria pessoa.

Quando estiver conversando com alguém que esteja em cadeira de rodas, e a conversa durar mais do que 5,10 minutos, e sendo possível, procure sentar em uma cadeira para que você fique nivelado à altura da pessoa sentada na cadeira de rodas. Esta pessoa na maioria das vezes tem de ficar olhando para cima, ou para os lados para poder ter contato o visual, causando um extremo desconforto.

Se a pessoa tem deficiência auditiva, seja o mais natural possível. Use a sua fala na velocidade e tom normal. Só aumente ou diminua, caso ela peça. Fale diretamente, na sua frente, porque também ela pode fazer leitura labial, e entender a conversa através da sua expressão facial. Se você tiver conhecimento da língua de sinais, tente usa-la, a outra parte dirá se é possível conversar dessa forma ou não. Algumas pessoas sem audição conseguem falar com certa dificuldade. Tendo dificuldade de entendê-la, não é inconveniente pedir que ela fale novamente, ou use a escrita. Existem várias formas de dificuldades em se fazer entender através da voz, desde as mais simples, como a dificuldade de se falar alguma sílaba, palavras, quanto as mais graves como as gagueiras, e transtornos neurológicos que podem trazer impedimentos na comunicação oral. Todas são capazes de se comunicar, só é necessário boa vontade e paciência por parte de quem está conversando com ele. Não entendeu, não tenha medo de perguntar novamente. Preste atenção, mas não julgue esta pessoa pelo modo que ela fala.

Com aqueles que têm deficiência visual, sempre se identifique e faça esta pessoa perceber que você está falando diretamente com ela. Não precisa gritar, ela não tem visão, mas geralmente sua audição e os outros sentidos são mais apurados. Ela precisando que você a guie, deixe que ela segure seu braço, e tenha plena consciência que ela seguirá o movimento do seu corpo. No momento de ajudá-la a se sentar, só coloque a sua mão no encosto da cadeira ou do sofá, pois ela se sentará sozinha. Se a pessoa possuir um cão guia, não brinque com o cachorro, já que ele esta em serviço, e qualquer distração pode causar acidentes. Nunca o impeça de entrar em qualquer ambiente, pois são animais especialmente treinados para se comportar em qualquer lugar e qualquer situação, estando junto ao seu dono. Se você for sair de um ambiente em que esteja com uma pessoa que não enxergue, avise que você está deixando o local, para que ela não fique falando sozinha.

Existem as pessoas com paralisia cerebral, que é fruto de uma lesão (não é uma doença), ocorrida antes, durante ou depois do nascimento, causando grandes dificuldades no controle dos músculos. Em boa parte dos casos, isto não afeta a sua capacidade cognitiva. Esta pessoa precisa ser tratada com muito respeito e paciência, pois ela é mais vagarosa em suas ações. Aqui recomendamos às mesmas ações para aqueles que têm dificuldades na fala.

Com os deficientes intelectuais, (pessoas com atraso cognitivo em relação a sua idade física) deve-se agir naturalmente, com respeito e consideração. Nunca subestime a inteligência destas pessoas, pois elas são capazes de desenvolver suas atividades quase que na totalidade.

Em todos os casos, deve ser sempre valorizado o potencial humano desta pessoa. Nunca ache que por ser deficiente, ela possa ser incapaz de algo, ou que essa condição a coloque como uma pessoa perfeita, no sentido de caráter e personalidade. lembre-se que são pessoas com qualidade e defeitos, nem melhor, nem pior, apenas diferentes!