Números para reflexão | Boqnews

Ponto de vista

Números para reflexão
Em tempos quando a violência contra as mulheres ganha cada vez mais repercussão em todas as esferas e classes sociais, vale a pena conferir alguns números do estudo Visível e Invisível: a vitimização das mulheres no Brasil divulgados em março passado para refletir sobre quanto ainda há de distância entre o discurso e a prática em relação à igualdade de gêneros no Brasil. Segundo pesquisa do Instituto Datafolha encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança e divulgada em março passado, uma em cada três mulheres sofreu algum tipo de violência no Brasil no ano passado. Só em relação às agressões físicas, foram 503 vítimas/hora. Quase oito por minuto. Outros números preocupantes chamam a atenção: - 22% das brasileiras sofreram ofensa verbal em 2016, atingindo 12 milhões de mulheres - 10% sofreram violência física e 8% ofensa sexual - 4% foram ameaçadas com faca ou arma de fogo - 3%, ou cerca de 1,4 milhões, sofreram espacamento ou tentativa de estrangulamento e 1% levou pelo menos um tiro - 52% das mulheres que sofreram violência se calaram. Apenas 11% procuraram uma delegacia da mulher e 13% buscaram apoio em familiares - Em 61% casos o agressor é conhecido da família, sendo 19% companheiros atuais das vítimas e em 16%, ex. - 43% das agressões ocorrem dentro de casa. Ou seja, o inimigo mora no mesmo teto que a vítima. - 40% das mulheres acima de 16 anos sofreram algum tipo de assédio, incluindo comentários desrespeitosos nas ruas (20,4 milhões de vítimas), físicos e em transporte público (5,2 milhões) ou foram forçadas a beijar ou agarradas sem consentimento (2,2 milhões) - Os assédios mais graves ocorreram entre adolescentes e jovens de 16 a 24 anos e entre mulheres negras. E o pior: 73% dos brasileiros acham que a violência contra a mulher aumentou na última década. Esta sensação chama a atenção em relação a um dos crimes mais pérfidos que existem: o estupro, onde as mulheres são as principais vítimas. No ano passado, a média paulista oficial (os números são sempre menores que a realidade, pois a maioria dos casos sequer são registrados) foi de 22,10 para cada 100 mil/habitantes. A Baixada Santista atingiu 14,56. Na região, em 2015 foram 261 casos registrados e 264 no ano passado. Mas apenas nos quatro primeiros meses deste ano já foram contabilizados 112 casos e outros 44 contra vulneráveis (menores ou deficientes). Na comparação dos quatro primeiros meses de 2016 e 2017, houve um crescimento de 10,89% destes casos na região. Com tais números é possível entender melhor o comportamento masculino e a vitimização de parcela considerável das mulheres brasileiras. Números, portanto, para se refletir e revelar o quanto a nossa sociedade está cada vez mais doente.
19 de junho de 2017

Números para reflexão

Em tempos quando a violência contra as mulheres ganha cada vez mais repercussão em todas as esferas e classes sociais, vale a pena conferir alguns números do estudo Visível e Invisível: a vitimização das mulheres no Brasil divulgados em março passado para refletir sobre quanto ainda há de distância entre o discurso e a prática em relação à igualdade de gêneros no Brasil.

Segundo pesquisa do Instituto Datafolha encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança e divulgada em março passado, uma em cada três mulheres sofreu algum tipo de violência no Brasil no ano passado.
Só em relação às agressões físicas, foram 503 vítimas/hora. Quase oito por minuto. Outros números preocupantes chamam a atenção:

– 22% das brasileiras sofreram ofensa verbal em 2016, atingindo 12 milhões de mulheres
– 10% sofreram violência física e 8% ofensa sexual
– 4% foram ameaçadas com faca ou arma de fogo
– 3%, ou cerca de 1,4 milhões, sofreram espacamento ou tentativa de estrangulamento e 1% levou pelo menos um tiro
– 52% das mulheres que sofreram violência se calaram. Apenas 11% procuraram uma delegacia da mulher e 13% buscaram apoio em familiares
– Em 61% casos o agressor é conhecido da família, sendo 19% companheiros atuais das vítimas e em 16%, ex.
– 43% das agressões ocorrem dentro de casa. Ou seja, o inimigo mora no mesmo teto que a vítima.
– 40% das mulheres acima de 16 anos sofreram algum tipo de assédio, incluindo comentários desrespeitosos nas ruas (20,4 milhões de vítimas), físicos e em transporte público (5,2 milhões) ou foram forçadas a beijar ou agarradas sem consentimento (2,2 milhões)
– Os assédios mais graves ocorreram entre adolescentes e jovens de 16 a 24 anos e entre mulheres negras.

E o pior: 73% dos brasileiros acham que a violência contra a mulher aumentou na última década.
Esta sensação chama a atenção em relação a um dos crimes mais pérfidos que existem: o estupro, onde as mulheres são as principais vítimas. No ano passado, a média paulista oficial (os números são sempre menores que a realidade, pois a maioria dos casos sequer são registrados) foi de 22,10 para cada 100 mil/habitantes. A Baixada Santista atingiu 14,56.

Na região, em 2015 foram 261 casos registrados e 264 no ano passado. Mas apenas nos quatro primeiros meses deste ano já foram contabilizados 112 casos e outros 44 contra vulneráveis (menores ou deficientes).

Na comparação dos quatro primeiros meses de 2016 e 2017, houve um crescimento de 10,89% destes casos na região.

Com tais números é possível entender melhor o comportamento masculino e a vitimização de parcela considerável das mulheres brasileiras. Números, portanto, para se refletir e revelar o quanto a nossa sociedade está cada vez mais doente.

Fernando De Maria
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