Campeonato Brasileiro

Brasileirão chega à última rodada com brigas para fugir do rebaixamento

Analistas explicam os motivos que fizeram os clubes disputaram a permanência na Série A até a última rodada

01 de dezembro de 2018 - 12:14

Felipe Rey

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Duas vagas para cinco times. Esse é o cenário que América (MG), Chapecoense, Fluminense, Sport e Vasco tentam fugir. Desses, o Sport é quem está na pior situação da tabela.

Na 18º posição, o Leão da Ilha não depende apenas de si para fugir do rebaixamento. Para permanecer, o Sport necessita de uma combinação de diversos resultados.

Já os rivais dependem apenas das próprias forças para conseguir permanecer na primeira divisão.

Fluminense e Vasco precisam ‘apenas’ de um empate para garantir a vaga em 2019. Chapecoense e América necessitam vencer seus jogos e torcer pelo fracasso de ambos.

Os jogos acontecem simultaneamente no domingo (2), às 17h.

O que necessitam?

O confronto mais árduo será de Flu e América que se enfrentam no Maracanã. Em caso de derrota para o time mineiro, o tricolor deverá torcer para derrotas de Vasco ou Chapecoense.

Já o América, em caso de empate, precisa torcer por uma derrota da Chape e que o Sport não vença o Santos. Em caso de derrota, o time, que está na zona de rebaixamento, vai cair.

No caso do Vasco, se tropeçar fora de casa contra o Ceará, deverá secar dois dos três concorrentes abaixo na tabela (Sport, América e Chape) . Já a Chape necessita apenas de vitória simples contra o São Paulo em casa. Se perder, terá de torcer contra as vitórias de América e Sport. Se empatar contra o Tricolor poderá ser rebaixada com um empate dos rivais.

Se vencer, o Sport deverá torcer para que dois dos três times acima da tabela não ganhem. Em caso de tropeço contra o Santos, em casa, o Sport será rebaixado

Especialistas

Para o jornalista da Fox Sports, Fabio Azevedo, as campanhas dos times podem ser consideradas ‘pobres’. Ele indaga como Vasco e Flu chegaram ao patamar de risco nesta último rodada.

Segundo ele, a “má gestão, falta de conhecimento técnico na hora de contratar e outras explicações indicam este triste caminho”. Outro fator exposto é da crise política vivida no Vasco. Azevedo salienta que a asfixia financeira sufoca, cada vez mais, o time em campo.

Assim, segundo ele, o clube não consegue contratar nomes de peso nem pagar as despesas em dia. Vale lembrar que a diretoria pagou o salário de outubro na última semana. Por fim, ele afirma que a parte financeira dos clubes que caírem serão prejudicadas devido a redução de cotas. “Em 2019, quem ficar na série A terá sua cota calculada pela posição na tabela”.

O jornalista Alex Frutuoso considera estranho o campeonato deste ano, pois, uma grande parcela dos times brigou contra o rebaixamento. “O próprio Santos esteve ameaçado”

“No primeiro turno a briga do clube era pra não cair. Até mesmo o Corinthians fez parte dessa briga”, relembra.01

Da mesma forma que Azevedo, Frutuoso classifica que os times se encontram nessas posições por problemas estruturais. Na visão dele, como o futebol brasileiro é equilibrado se algum time for organizado minimamente, ele irá se sobressair aos demais.

Ele cita o exemplo do América MG que começou o campeonato passando por problemas de organização até a chegada do técnico Adilson Batista. Com Adilson, o clube mineiro se distanciou do Z4 e chegou a beirar a primeira parte da tabela. No entanto, após algumas rodadas o clube despencou e hoje briga para não cair. Hoje, quem treina o time é Givanildo Oliveira, velho conhecido do Coelho.

Segundo o jornalista, o problema dos times não é sofrerem com a falta de recursos, mas fazerem um planejamento razoável para a temporada. “A logística, o pagamento de premiação de jogadores, salários em dia.

Não ficar trocando de comissão técnica toda hora. Existem times que contratam jogadores por nome. Influenciam no planejamento”, afirma.

Política amadora

As questões políticas também interferem no âmbito profissional do clube. Frutuoso explica que não são apenas os times de baixo da tabela que sofrem com esse caos. Times como Flamengo e São Paulo, que estão na ponta da tabela, também estão em ebulição política.

“O São Paulo, por exemplo, demitiu um treinador faltando cinco rodadas para o final do campeonato. O Ricardo Rocha já avisou que sairá da diretoria em 2019”, salienta.

O Santos, por exemplo, que passou grande parte do campeonato namorando e dentro da zona de rebaixamento viveu seu período mais conturbado quando tentaram o impeachment do presidente José Carlos Peres.

Por fim, Frutuoso acredita, assim como Fabio Azevedo, que o rebaixamento poderá acarretar em sérios problemas aos times. Segundo ele, além da vergonha, o impacto que o marketing sofre é grande.

Assim, ele cita a questão da visibilidade da Série B como fator predominante nesse quesito.

“No primeiro momento você perde dinheiro e o interesse do jogador. Se o jogador tiver uma proposta em atuar por um time da Série B ou por um da A, ele optará pelo da primeiro divisão”, afirma.

Outros dois pontos são destacados. A questão moral dos times ficará abalada em caso de descenso. A segunda é a parte financeira. Segundo ele, o impacto será sentido no ano seguinte à queda por acabar não disputando a Libertadores nem a Sul Americana.

Ele finaliza dizendo que para alguns clubes grandes a queda é ‘boa’, podendo, assim, começar do zero novamente.

No entanto, mesmo fazendo um trabalho mais pé no chão, os problemas econômicos serão sentidos com o passar do tempo.

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