Olimpíadas 2016

“É um orgulho!”, diz Jackson, um dos condutores da tocha

O deficiente físico Jackson Paula, de 40 anos, será um dos condutores da tocha olímpica em Praia Grande

20 de julho de 2016 - 16:15

Cris Challoub

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Jackson é estudante de direito pela Unisantos e e presidente do Instituto SuperAção Total (Insat)

Jackson é estudante de direito pela Unisantos e e presidente do Instituto SuperAção Total (Insat)

Santos, Praia Grande, Guarujá e São Vicente ficarão para sempre na história das Olimpíadas de 2016. Os três municípios da Baixada Santista foram escolhidos para fazer parte do trajeto da Tocha Olímpica, que chega na região no dia 22 deste mês. O momento torna-se ainda mais importante e inesquecível para quem foi escolhido para conduzir o objeto simbólico, como é o caso do deficiente físico e estudante de Direito, Jackson Paula, de 40 anos.

Cerca de 12 mil pessoas conduzirão a tocha em um período de 100 dias, que começou a ser contado no dia 27 de abril, em Olímpia, na Grécia, e segue até a abertura das Olimpíadas no Rio de Janeiro, no dia 5 de agosto. Jackson está entre essas 12 mil mãos, porém com um propósito que merece destaque: representar a luta a favor dos direitos da pessoa com deficiência.

Jackson possui apenas o movimento da face, do pescoço e da mão esquerda. Consequência da Amiotrofia Espinhal Progressivo Tipo 2, uma doença neurológica congênita que afeta a musculatura do corpo. As limitações nunca foram motivo para que ele desistisse dos sonhos e objetivos de luta. Estudante de Direito na Universidade Católica de Santos (Unisantos) e presidente do Instituto SuperAção Total (Insat), ele busca propagar o conhecimento para que os deficientes possam, cada vez mais, conquistar e saber dos seus direitos.

Me inscrevi e consegui!

Jackson Paula foi selecionado a partir do concurso Quem se atreve! promovido pela Nissan, uma das patrocinadoras das Olimpíadas 2016. “Eu tinha visto uma publicidade nas redes sociais sobre o assunto, mas confesso que tinha passado despercebido, no sentido de entrar na página naquele momento.”, diz.

Mesmo descrente, após o incentivo de um amigo ele decidiu se inscrever. “Nunca havia ganho uma rifa na minha vida, e não seria aquilo que ia acabar com esta sina”, conta rindo. Mas como já diz aquele famoso dito popular: para tudo na vida existe uma primeira vez. 

A emoção a pouco mais de dois meses antes da grande oportunidade toma conta de Jackson. “É um orgulho danado!”, ressalta. Ele ainda não sabe como fará para carregar a tocha, a única certeza que tem é que de um jeito ou de outro irá conduzi-la.

Para muitos pode ser fácil exercer várias atividades ao mesmo tempo, mas para Jackson, assim como para muitos outros deficientes, a complexidade está presente nas pequenas coisas e são esses desafios que dão ainda mais força para lutar, vencer e mostrar para o mundo o quanto as pessoas com deficiência podem fazer quando existem oportunidades.

 

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