Futebol

Santos evolui com Cuca e volta a brigar pela Libertadores

Após a chegada do comandante Cuca, o Peixe cresce de produção e está há nove jogos invicto no Brasileirão e há oito sem sofre gols.

17 de setembro de 2018 - 18:22

Felipe Rey

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Desde o anúncio da contratação do técnico Cuca, em 30 de julho, a evolução do Santos é notória.

Quando assumiu, o Peixe estava dentro da zona de rebaixamento, com um jogo a menos – a partida será disputada dia 27 de setembro, contra o Vasco.

Outros pontos que chamavam a atenção era o fato da zaga sofrer gols em quase todas as partidas do Campeonato Brasileiro.

O segundo ponto que Cuca precisava recuperar era Gabigol.

O atacante santista não havia feito grandes partidas antes da chegada do treinador.

Antes do técnico assumir, o Alvinegro Praiano havia levado gols em 12 dos 15 jogos do campeonato.

Apenas em três partidas o clube não teve as redes balançadas.

No entanto, já no comando técnico de Cuca, o Santos foi vazado apenas em quatro oportunidades.

Atualmente, o time está há nove jogos sem perder e há oito sem levar gols, um feito desde 1955.

Livre para jogar

Quando assinou a volta o clube por empréstimo, em 25 de janeiro, Gabigol gerou demasiada expectativa aos torcedores.

Mesmo com um retorno de encher a torcida de esperanças, o desempenho do atacante nas seguintes partidas caiu.

Entretanto, as funções exercidas pelo atleta não estavam facilitando suas atuações.

Com Jair Ventura, hoje à frente do Corinthians, Gabriel atuava como um centroavante de área, muitas vezes, ficando preso entre os zagueiros.

Já na ‘era Cuca’, o camisa 10 ainda continua como o homem de referência no ataque, só que desta vez, atual com mais liberdade. Assim, se desvencilha dos marcadores e abre mais jogadas pelo meio campo.

A evolução do atacante também é notória.

Atualmente, Gabigol é o artilheiro do Brasileirão com 12 gols feitos, dois a mais que o segundo colocado, Ricardo Oliveira, do Atlético Mineiro.

Outro número que comprova isso é que, desde a chegada do novo comandante, o jogador soma sete gols em nove partidas.

Ao todo, o atleta tem 199 partidas realizadas pelo Santos e 78 gols.

 

Desde a chegada de Cuca, Gabigol se transformou em peça fundamental no elenco santista. Foto: Divulgação

Ex-atleta

Para o ex-jogador Léo, ao ser perguntado sobre os motivos que levaram o time a não engrenar no campeonato antes de Cuca, ele relata que, às vezes, o futebol pode não ter lógica.

“O Jair é um profissional capacitado, que fez um bom trabalho no Botafogo e tem um futuro promissor. Difícil dizer o que faltou para que os resultados aparecessem”, diz.

No entanto, enalteceu o a contratação do técnico, elogiando o jeito que ele comanda o elenco.

“O estilo do Cuca é de mais vibração. O forte dele é a questão motivacional”.

Além do mais, para o ex-atleta, o elenco do Santos é qualificado e não merecia estar na situação que se encontrava.

Para ele, os atuais jogadores são capazes de levar o time a uma briga direta pela Libertadores de 2019.

Atualmente, Léo é o 10º jogador que mais atuou com a camisa santista, com 455 jogos. Foto: Divulgação/Tática Assessoria

Análise

Para o jornalista esportivo Luiz Ademar, Cuca deu um novo gás para o elenco santista, fazendo com que os jogadores tenham que provar o valor para atuar no time.

“A chegada de um novo treinador mexe com todo elenco. Quem está jogando precisa confirmar que merece ser titular. Quem está fora quer mostrar que foi injustiçado e merece ser titular. Tudo normal”, informa.

No entanto, ele enaltece que desde a chegada do comandante, as linhas (defesa, meio e ataque) ficaram mais próximas.

Desta forma, ajudando na movimentação do Gabigol.

O estilo Cuca sempre foi mais motivacional, o que inúmeras vezes, beneficia jogadores que não gostam de ser cobrados na frente dos companheiros.

Além disso, para Ademar, esse estilo é importante no futebol.

“Na conversa individual, o treinador não expõe o atleta. Ele pode falar principalmente no que ele está decepcionando, o que ele espera e o que pretende. E também avisar que se não melhorar vai sair do time”, explica.

As variações táticas e estratégias também chamam a atenção do jornalista.

Segundo ele, o atual elenco do Santos dá uma abertura para que as escalações favoreçam durante os jogos.

 

Diferentes funções

Além disso, ele enaltece que alguns jogadores estão aptos a exercer algumas funções diferentes em determinadas partidas.

“O Carlos Sanchéz, por exemplo, pode ser volante e meia. O Sasha pode ser meia, centroavante ou atacante pelos lados. Sem contar o talento e versatilidade do trio Rodrygo, Gabriel e Bruno Henrique. Gosto dessa dinâmica, da variação de esquema tático, principalmente dentro de uma mesma partida. Confunde a marcação do adversário,” enaltece.

Assim, ele relata que, com esse elenco, o time praiano não deveria brigar pelo rebaixamento.

Contudo, ele não exime o ex-técnico Jair Ventura de realizar um trabalho abaixo do esperado.

“É preciso admitir que o Jair Ventura não vinha contando com o Bruno Henrique, que após voltar de lesão demorou para engrenar. E que o Gabriel caiu muito de produção. E os reforços contratados após a Copa ainda não estavam à disposição. Mesmo assim, entendo que o trabalho do Jair deixou a desejar, principalmente no esquema tático, com três jogadores abertos, distantes do meio-campo”, finaliza.

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