Saúde

Cerca de 20% dos municípios brasileiros tem risco de surto de dengue

Entre as capitais, apenas São Paulo, João Pessoa e Aracaju apresentam índices satisfatórios e não devem enfrentar problemas desse tipo

08 de junho de 2018 - 18:17

Helena Martins

Agência Brasil

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De acordo com o Ministério da Saúde 1.153 municípios brasileiros, o que corresponde a 22% do total, têm alto índice de infestação e risco de surto para dengue, zika e chikungunya. O dado analisa a necessidade de intensificar as ações de combate ao mosquito Aedes aegypti, mesmo durante o outono e o inverno.

Nessas estações, a tendência seria de cair a incidência de doenças associadas ao mosquito.

O mapeamento foi feito com base no Levantamento Rápido de Índices de Infestação pelo Aedes aegypti (LIRAa), que compila informações enviadas por gestores municipais.

Neste caso, os dados foram coletados entre janeiro e meados de março. O LIRAa mostra que, além dos municípios que estão em situação mais vulnerável, 2.069 estão em alerta; 1.711 apresentam índices satisfatórios. A lista com a situação de cada cidade está disponível no portal do Ministério da Saúde

“O resultado do levantamento indica que é necessário dar mais atenção às ações de combate ao mosquito. A prevenção não pode ser interrompida, mesmo no período mais frio do ano”, alertou o secretário de Vigilância em Saúde, Osnei Okumoto. De acordo com o secretário, as ações ddevem reverter em maior proteção durante o verão, época de maior proliferação do Aedes aegipty. “Assim será possível manter a redução do número de casos”, adiantou.

De acordo com o ministério, Rio de Janeiro; Fortaleza; Porto Velho; Palmas; Maceió; Salvador Teresina; Recife; Brasília; Vitória; São Luís; Belém; Macapá; Manaus e Goiânia estão no risco de alerta. Natal e Porto Alegre realizaram levantamento por armadilha, utilizada quando a infestação do mosquito é muito baixa ou inexistente. Boa Vista; Belo Horizonte; Curitiba; Florianópolis e Campo Grande não enviaram informações.

O vice-presidente da Sociedade Brasileira de Virologia e professor da Universidade Feevale, Fernando Rosado Spilki, considerou “impressionante” o índice de infestação no Brasil. Spilki, relatou que os riscos de ocorrência de novos surtos são elevados.

Como no caso da chikungunya, por exemplo, a população imune, inclusive por já ter contraído a doença, é relativamente baixa.

Para ele, a manutenção desse patamar de incidência, poucos anos após surtos de doenças terem chamado a atenção do país, reflete a falta de políticas que integram ações preventivas eficazes.Além da conscientização da população.

O professor, ainda, acrescentou que a situação deriva também de outros problemas, como a urbanização precária das cidades brasileiras e a descontinuidade no fornecimento de água. Com isso, faz com que parte da população tenha de armazená-la, o que pode gerar criadouros de mosquitos.

As características do Aedes aegypti também dificultam o combate, o que amplia o desafio de superar o problema. “Hoje, a praga número 1 a ser combatido é exatamente o Aedes aegypti. Ele entrado em muitos municípios, inclusive expulsando outras espécies, como o Aedes albopictus. E o aegypti tem a característica de não só ficar ao redor da casa. No caso ele entra na casa, o que dificulta o combate”, detalhou Spilki.

O professor ressaltou que o Brasil não é o único país que sofre com o problema. “Há uma recrudescência dessa situação em toda a América do Sul. Há relatos de aumento de casos de doenças transmitidas no Peru e no Equador, acompanhando a situação brasileira. Não é, portanto, uma coisa exclusiva nossa, mas, como país, precisamos tomar uma ação de prevenção e vigilância, porque nossa população é muito grande.”

O Ministério da Saúde informa que as ações de prevenção e combate ao mosquito são permanentes e tratadas como prioridade.

Entre as medidas tomadas para combater o mosquito está a criação da Sala Nacional de Coordenação e Controle, que orienta e articula ações contínuas ao longo do ano com governos estaduais e municipais para combate ao vetor e monitora a situação epidemiológica e as atividades para enfrentamento do mosquito.

Além disso, os recursos para as ações de vigilância em saúde cresceram nos últimos anos, passando de R$ 924,1 milhões, em 2010, para R$ 1,94 bilhão em 2017.

Para este ano, a previsão é que o orçamento de vigilância em saúde para os estados chegue a R$ 1,9 bilhão.

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