14 milhões de brasileiros

Diabetes aumenta em 25 vezes o risco de amputações

Nesta terça (14) é lembrado como o Dia Mundial da Diabetes. No Brasil, são 14 milhões de pessoas que convivem com a doença, de efeitos preocupantes.

13 de novembro de 2017 - 13:14

Da Redação

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Prevenção e acompanhamento constante é uma forma de prevenir sobre os riscos do surgimento da doença. Foto: Divulgação Pixabay

De acordo com a Federação Internacional de Diabetes (IDF), o Brasil tem aproximadamente 14 milhões de pessoas vivendo com a doença.

Nesse universo, cerca de 1 milhão de pacientes desenvolvem úlceras e 200 mil precisam passar por amputações.

Deste volume,  cerca de 40 mil levam o indivíduo a óbito.

O risco de um pessoa com diabetes sofrer uma amputação é 25 vezes maior do que o de um indivíduo sem a doença.

Pelo menos, 10% dos pacientes podem sofrer amputação de membros inferiores, causados pelo pé diabético – infecção, ulceração ou qualquer tipo de destruição dos tecidos dos pés.

“Esses números são muito preocupantes. Infelizmente, ao não controlar adequadamente a glicemia (nível de açúcar no sangue) e o uso correto de medicamentos, criam-se condições para o aparecimento de complicações que afetarão sensivelmente a qualidade de vida do paciente e da sua família”, esclarece o presidente da Associação Nacional de Atenção ao Diabetes (ANAD),  Fadlo Fraige Filho.

Entre as complicações microvasculares da doença estão os danos nos nervos.

Eles podem levar à diminuição da sensação de dor e agravar feridas existentes nos pés – nos rins e nos olhos – que podem evoluir para insuficiência renal e cegueira, respectivamente.

Ainda de acordo com dados do Ministério da Saúde, entre 40% e 70% de todas as amputações das extremidades inferiores estão relacionadas ao diabetes.

Pelo menos, 85% delas são precedidas de uma ulceração nos pés.

“Se essas lesões fossem evitadas ou tratadas adequadamente na fase inicial seria possível impedir a perda do membro, por isso é tão importante a prevenção e o controle do diabetes”, complementa.

Sem saber que tem diabetes

O problema, no entanto, é muito mais grave.

De 15% a 19% dos pacientes submetidos a uma amputação não sabiam que tinham diabetes e foram diagnosticados apenas quando a lesão se tornou crônica e complexa.

Um em cada dois portadores de diabetes não sabe que tem a doença.

O pé diabético também representa um problema econômico significativo, principalmente se a amputação resultar em hospitalização prolongada e reabilitação.

Além disso, existem os custos indiretos, relativos à perda de produtividade do paciente, às despesas individuais e à perda de qualidade de vida.

No Brasil, estimativas indicam que os custos com o diabetes chegam a US$ 3,9 bilhões ao ano.

Só o Sistema Único de Saúde (SUS) gasta cerca de US$ 2.108,00 (R$ 7.400) por paciente diabético em atendimento ambulatorial.

As taxas de amputação podem ser reduzidas em mais de 50% se forem tomados cuidados simples, como controlar a glicemia, inspecionar pés e calçados e visitar o médico regularmente.

Abordagem multidisciplinar

Considerado uma ferida complexa – lesão aguda ou crônica que geralmente não cicatriza espontaneamente –, o pé diabético é um problema vascular grave e na maioria dos casos exige uma abordagem multidisciplinar.

Embora ainda sejam pouco difundas, estão disponíveis no mercado soluções inovadoras para tratar feridas complexas, como curativos avançados com propriedades antimicrobianas, antiodor, regenerativa ou hidratante, que favorecem a cicatrização.

Também existem tecnologias que podem ser utilizadas no ambiente hospitalar ou no tratamento domiciliar.

A terapia por pressão negativa, que utiliza a pressão controlada e localizada sobre a lesão por meio de um curativo de espuma coberto por uma película e ligado a um sistema de drenagem, atua juntando as bordas da ferida, retirando o excesso de líquidos e promovendo a formação de tecidos.

Já a câmara hiperbárica usa oxigênio com pressão acima da pressão ambiente para ajudar a tratar vários tipos de lesões que não cicatrizam.

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