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Empoderamento!

Novo artigo do colaborador José Roberto Vasconcelos que trata sobre o empoderamento feminino.

16 de novembro de 2018 - 20:20

José Roberto Vasconcelos

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Empoderamento!

Expressão muito utilizada, atualmente, pra designar o despertar, a tomada de consciência do poder inerente ao ser humano no encaminhamento de seu viver.

Ou seja, deixar de ser influenciado por terceiros e valores preestabelecidos pra assumir as rédeas de sua vida, através do autoconhecimento e tomada pra si da responsabilidade de suas escolhas.

Indiretamente, tal Empoderamento pode advir da ascensão política, profissional e/ou educacional. Mas mesmo assim, somente prevalece com consciência (educação) e saber lidar (cultura).

E, na questão do feminismo, assume proporções dantescas.

O curioso é que o poder feminino esteve sempre nítido, seja para o bem como pro mal. E não faltam exemplos históricos. Nisso conta a cultura de cada povo.

Contudo, os usos e costumes, vide contexto de cada época, não impedem uma mulher esclarecida e decidida a fazer o que deseja.

Em nossa cultura judaico-cristã temos na Bíblia, especialmente no Velho Testamento, mulheres marcantes. Ao ler ficamos impressionados com a coragem e determinação delas.

Rebeca, Rute, Noemi, Ana, entre outras. E graças ao encanto e o sim de Betesabá, diante do Rei Davi, nasceu Salomão.

E por falar em Sim, o temos de Maria, mãe e educadora de Jesus, o Cristo. Certamente, o mais emblemático no contexto religioso e histórico.

Outras, ao longo da História, ousaram fazer algo com sua determinação em se destacar com vistas a dar alguma contribuição para a sociedade e, nalguns casos, à própria Humanidade.

Estudar, pra uma mulher à época, significava uma carta de alforria. Libertar-se do tanque de roupa e da pia de louça, além dos demais serviços domésticos.

Ainda mais se não buscasse casar nos moldes impostos, principalmente com bons $$$ partidos.

Hoje também.

Mulher independente

Mas graças a automação & serviços , basta ter uma remuneração mensal razoável pra viver com comodidade.

Marido rico ficou relativo. Até dispensável para uma mulher independente.

E, homens de padrão cultural superior são excelentes donos de casa, principalmente na cozinha.

Há casos de homens que, além do trato profissional, cuidam do lar e filhos pra mulher dedicar-se aos estudos e se realizar profissionalmente.

Uma minoria, infelizmente, ainda.

Porém, se nos atermos apenas a biografia de algumas, ficaremos encantados. Ei-las: Ana Nery (enfermeira na Guerra do Paraguai), Anísia Ferreira Campos (sufragista), Ada Rogato (aviadora brasileira que atravessou as três américas, entre outras façanhas), Guiomar Novaes (pianista), Amélia Earhart (aviadora que atravessou o Atlântico), Valentina Tereskova (astronauta soviética), Coco Chanel (estilista francesa), Simone de Beauvoir (escritora e filósofa), Marie Curie (prêmio Nobel de física 1903), Léa Campos (1a. Mulher Árbitro de futebol do mundo), Anita Garibaldi (heroína), Patrícia Galvão (jornalista e ativista política).

Mas será que a garota que frequenta as danceterias da periferia ou baladas dos mais abastados ouviu e ao menos procurou entender isso?

Ou sabem o que essas e outras biografias de vultos femininas representam na vida e liberdade delas, atualmente?

Há uma legião de alfabetizados funcionais com certificados de conclusão de cursos. Aprovação continuada promove impensantes, suspeita-se.

Queira sim ou queira não, ainda vivemos a síndrome da senzala.

A Casa Grande domina.

Manter a baixa qualidade do ensino público, exceto o funil das Universidades Públicas, é quesito essencial na manutenção do exército de serviçais e do poder dos Senhores de Engenho.

Empoderamento, verdadeiramente, pra Sinhás e Sinhazinhas, lúcidas.

E pra uma pequena parcela esclarecida que luta, objetivamente, por seu espaço ao Sol. Independentemente do gênero.

 

José R. da S. Vasconcelos – vascohomosapiens@gmail.com

Colabora com este jornal desde 2016.
Escrito na Primavera de 2018.