Futebol

Final da Libertadores em jogo único, um verdadeiro “gol contra”

Colaborador analisa a decisão da Conmebol em realizar, a partir de 2019, a final única da Taça Libertadores e os impactos que isso provocará no torcedor.

22 de agosto de 2018 - 16:41

João Pedro Bezerra

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Imagina uma final entre brasileiros ou argentinos no Chile e no Peru, parece bizarro mas é verdade.

A medida da Conmebol (confederação sul-americana de futebol) em tornar as finais das competições de clubes em jogo único foi totalmente equivocada e triste para o nosso futebol.

Antes de tudo, somos da América do Sul, futebol não é só um jogo e sim uma vida. Aderir aos modelos da Europa só afasta o torcedor do estádio.

Devemos pegar como referência à organização, transmissões, logística e gramados de qualidade da Liga dos Campeões.

No entanto, a entidade que organiza o futebol sul-americano foi no caminho contrário, visando apenas o lucro. Pela segunda vez em menos de três anos, os torneios tem uma mudança significativa.

No ano passado, a Copa Libertadores durou o ano todo, com mais vagas para os clubes e uma fase prévia ainda mais inchada.

O grande problema desse modelo é a janela de transferências, se um jogador brilhar na primeira fase ele poderá ser vendido para outro continente com bastante facilidade.

Temos o exemplo do atacante Vinícius Júnior, revelação do Flamengo que foi vendido para o Real Madrid.

Outro aspecto é o preço dos ingressos abusivos não correspondentes às condições dos torcedores.

Aqui no Brasil, podemos citar o caso do Palmeiras, onde o ingresso mais barato para o jogo contra o Cerro Porteño-PAR, válido pelas oitavas de final custa R$ 120,00  e se esgotar, terá o de R$ 200,00  que equivale mais de 20% de um salário mínimo.

Vale ressaltar que o plano de sócio-torcedor não foi utilizado na matéria.

Nesse mês a Conmebol divulgou que Santiago (Libertadores) e Lima (Copa Sul-americana) serão as sedes das finais em 2019.

Ou seja, no ano que vem não vamos ter a paixão dos torcedores na final nos estádios.

A Copa Libertadores se tornou uma competição elitista, contrariando toda a história.

Para encerrar, espero que isso seja por pouco tempo e a final ocorra em dois jogos, com o time podendo jogar ao lado da torcida e que o futebol volte a ser uma festa popular.