Política

Horário de Fake News Gratuito

O jornalista Aldo Neto, especialista em redes sociais e marketing político faz um alerta para o cuidado com o fake news

05 de outubro de 2018 - 09:56

Aldo Neto

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Quinta-feira (4), encerra-se o Horário Político no rádio e TV. Há três dias do pleito, o fim da propagação das opiniões, projetos e mesmo ofensas entre os candidatos a Presidente, Governador, Senador, Deputado Federal e Deputado Estadual merece reflexão. O Brasil melhorou após isso? Propostas foram apresentadas? A TV é mais importante que a Internet? Essa última é a principal discussão dos tempos atuais entre os que participam ativamente das disputas. A resposta é óbvia. É! A questão é outra, tem credibilidade?

Por mais que as redes sociais tenham aprimorado as ferramentas para evitar a propagação de mentiras eleitorais, elas ainda existem e atuam fortemente, e vão se fortalecer ainda mais entre 5 e 7 de outubro, período que vai ocorrer o que chamo de Horário de Fake News Gratuito. Pouca gente lembra, mas no pleito de 2016, correu uma fake news de “boca de urna”, alegando que um vereador foi preso por desacato após estar fazendo boca de urna. A notícia correu como um raio entre celulares chegando a todos os colégios eleitorais e ao bate-papo da porta dos mesmos. Sabe quem foi punido? Ninguém!

Neste ano, com a quantidade enorme de candidaturas, a tendência é isso aumentar. O único espaço para desmentir essas notícias, o horário na TV, é tirado e ficam os candidatos a mercê da própria sorte. E com isso, o povo também fica à mercê desta ação sem escrúpulos.

É fácil culpar a internet. Mas o culpado é o povo, que não sabe usá-la. Vale lembrar que em pleitos sem internet, ações parecidas existiam, como distribuir informações desencontradas, roubar santinhos, depredar material eleitoral dos adversários, produzir material físico mentiroso. Enfim, as fake news sempre existiram, os meios eram diferentes. O Meio é a Mensagem! E a mensagem que essas ações passam é sempre que tudo vale para levar vantagem em tudo. Não foi a internet que criou o MR-8, nem o MR-8 que criou a internet. O povo é que sempre utiliza mal suas ferramentas.

Pela web, candidaturas fracas se fortaleceram, a saudosa vereadora Mariele casou-se com o traficante Fernandinho Beira-Mar, uma viatura da Secretaria de Saúde passeou em Campos do Jordão, um candidato a presidente batia em sua ex-mulher atriz, e a manifestação #Elenão usou foto de outro encontro no mesmo lugar. Verdade e mentira correm a vida humana desde que a humanidade se consagrou como dominante no planeta. Com a internet, a mentira se espalha mais rápido, na velocidade da luz.

É chegado o momento de vermos a política como necessária e a discussão como salutar. Chega de gente apolítica. Os apolíticos, como diria Bertold Brecht são os responsáveis por esse nefasto momento de extremos. A política não pode ser tornar a discussão do futebol onde prevalece o amor. Ela é a discussão de ideias, onde se fortalece a razão. Criminalizar a política, proibindo tudo, diminuindo tempos de campanha, e confundindo o eleitor só facilitar o sistema vigente, e não a democracia e o debate de ideias.

Quanto as Fake News, aconselho, como profissional de Comunicação especialista na área digital, não acreditar em nada além do que for veiculado na imprensa. A mídia e seus veículos de credibilidade, como A Tribuna, checam as informações com responsabilidade e ouvem sempre os lados envolvidos. Se não está na mídia, deve ser mentira. Dificilmente não será entre 5 e 7 de outubro. Fiquem atentos e não mudem de voto por informações desencontradas.

*Aldo Neto é jornalista, especialista em redes sociais e marketing político, diretor da Compartilhar Comunicação