Sindical

Os problemas do sindicalismo brasileiro

Líder sindical, o advogado Uriel Villas Boas analisa o atual momento do sindicalismo brasileiro e, em especial, na Baixada Santista.

08 de janeiro de 2019 - 21:47

Uriel Villas Boas

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Luta das categorias profissionais enfrentam novo desafio com o atual governo. Foto: Divulgação/Sind. dos Bancários

 

A história do sindicalismo brasileiro teve inicio praticamente nos idos de 1880, quando os anarquistas vindos da Europa começaram a exercer as atividades políticas à partir de muitas atividades em empresas dos mais variados ramos que estavam em desenvolvimento em várias regiões brasileiras.

E Santos teve muito destaque, principalmente na área portuária, entrando para a história como a primeira cidade brasileira a comemorar o Primeiro de Maio, Dia Internacional da Classe Trabalhadora, no ano de 1896.

E vieram a seguir muitas lutas operárias, sem a definição de uma estrutura sindical nos moldes atuais.

Os ferroviários, por exemplo,conseguiram na década de 1920 o reconhecimento de um sistema previdenciário, motivando outras categorias a buscarem uma cobertura para garantir direitos após longos anos  de trabalho. E o então ditador Getúlio Vargas percebeu os riscos e um potencial político com as organizações trabalhistas e em 1943 criou a Consolidação das Leis do Trabalho, definindo inclusive a estrutura sindical.

E formalizou também a legislação previdenciária, no denominado Instituto Nacional de Previdência Social. Em relação ao sindicalismo, muitas conquistas se deram pela luta de categorias organizadas, como o 13º salário, as férias de 30 dias, a jornada de 44 horas semanais e outras vantagens.

 

Contribuição Sindical

O tempo passou e recentemente o Presidente Michel Temer aproveitou de forma oportunista um momento de muitas dificuldades na área econômica, com um desemprego assustador e determinou mudanças radicais na denominada CLT.

Assim,  um ponto que teve muita repercussão foi a eliminação da denominada Contribuição Sindical, o desconto anual  de um dia no salário do empregado.

O que causou muitos problemas na estrutura sindical.

E foi muito explorado, sem levar em consideração que os Acordos  Coletivos atingem toda a categoria e não apenas os filiados ao Sindicato.

Mas a questão maior, por certo, tem a ver com os problemas políticos, ou seja, a estrutura sindical em muitas áreas,  não levou em conta a necessidade de representação por local de trabalho.

E deve ser levada em consideração também o desenvolvimento tecnológico, com a eliminação de muitas vagas no mercado.

 

Momento preocupante

O momento é muito preocupante, levando em consideração as manifestações de membros do Governo recém empossado.

Um ponto é certo, o movimento sindical de trabalhadores precisa definir posicionamentos, de forma a mostrar uma disposição de manter conquistas e mais, para evitar mais perdas.

O momento exige o debate transparente sem levar em conta disputa partidária.

E que sejam envolvidos também os aposentados, que podem contribuir com a experiência de lutas quando estavam na ativa.

Por certo esta questão será levada em consideração na Baixada Santista, com o encontro de lideranças comprometidas com as lutas de suas categorias.

Uriel Villas Boas- Secretário de Previdência da Fitmetal/CTB- Coordenação do Movimento de Aposentados e Pensionistas da Baixada Santista/MAP.LP