Elas no controle | Boqnews

Ponto de vista

13 de dezembro de 2016

Elas no controle

Você está no planeta Zebes, enfrentando piratas espaciais. Com sua armadura, vai passando por vários desafios e inimigos, atirando contra todos e invadindo o covil da terrível Mother Brain. Assim que derrota e destrói o cérebro gigante que deseja dominar o universo, se tiver completado todo o jogo devidamente, você desbloqueia uma curta animação e Samus Aran tira a gigantesca armadura e se revela…uma mulher. O ano era de 1986 e muitas crianças e pais se mostraram surpresos por aquele personagem forte e destemido, invadindo covis e atirando em alienígenas e monstros gigantes ser uma moça. Para o mundo dos videogames, era apenas o princípio de uma tendência que só se intensificou ao passar dos anos.
Samus Aran

Os videogames, no geral, sempre mostraram que o protagonismo feminino também era possível e que não incentivariam a compra e utilização dos consoles apenas voltado ao público masculino. Citando alguns exemplos ao longo dos anos, tivemos a imponente exploradora Lara Croft (Tomb Raider), a caçadora de dinossauros Regina (Dino Crisis), a agente especial Jill Valentine e a jovem e corajosa Claire Redfield (Resident Evil), a guerreira Lightning, a sacerdotisa Yuna (para citar apenas algumas das várias heroínas de Final Fantasy), a estudante poderosa Max Caulfield (Life is Strange), as combatentes Tracer e Widowmaker (duas da personagens mais usadas de Overwatch), a esperançosa Joule Adams (Recore)…apenas comentando poucos (mas icônicos) personagens que demonstram como as mulheres são bem-representadas há 30 anos deste mercado. Então porque há ainda tanto preconceito desde público jogando em conjunto com os homens?

Há tantos personagens femininos e capazes quanto dos masculinos, em um número consideravelmente grande, portanto qual a razão da hostilização? Se até o próprio videogame é inclusivo, o que faltaria? Em Pokémon, isso serve como plano de fundo para vários enredos durante sua história. Em sete gerações a série evoluiu para a escolha entre gêneros para protagonizar o game, apresentou líderes de ginásios e campeãs poderosas, vilãs que afrontaram no mesmo nível e até com superioridade e até heroínas que, fora do seu controle, roubam a cena e ajudam a salvar o mundo (quando as próprias não assumem que deixou o “herói” fazer demais durante todo o jogo e elas mesmas dão um jeito na situação). imagem-2

Atualmente existe algo que ainda paira no ar, como se videogame fosse visto como “equipamento para meninos” e isso é uma afirmação muito equivocada. E não adianta negar a informação, pois temos várias notícias que comprovam este pensamento antiquado. Em 21 de junho uma notícia correu pelos sites de videogames, sobre uma jogadora coreana de Overwatch que sofreu várias denúncias sobre seu desempenho no jogo e acusações de que hackeava o game online. Ela teve de transmitir seu jogo via Twitch para provar, ao vivo, que suas habilidades eram superiores. Ainda assim, vários jogadores afirmaram que sairiam dos servidores caso a Blizzard não fizesse algo a respeito. Assim como vemos alguns casos onde Youtubersmasculinos não sofrem com a falta de acesso e confiabilidade de seu público. Também há o caso de várias mulheres sendo evitadas em partidas em rede, onde sua participação é questionada e mantida como “suporte”. Será que, neste tempo todo, não foram as mulheres a se afastarem dos jogos, mas sim dos jogadores?

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 Antes mesmo de Nathan Drake existir e explorar locais perdidos em busca de artefatos valiosos, Lara Croft já era veterana na especialidade. Antes de nos depararmos com Master Chief e sua tropa estelar, Samus Aran já desbravava o espaço e destruía alienígenas megalomaníacos. Mesmo assim, desde o princípio, nós homens reduzimos o espaço delas a “suporte” ou a jogos de dança e infantis (“Barbie e o resgate dos cachorrinhos”; “Monster High: O Novo Fantasma da Escola” – se procurarem, saberão que estes jogos de fato existem). Há um universo que também consumimos e que aprendemos com ele, então porque não incluir as próprias que inspiram estas histórias?

 O que não é discutido é que elas não são apenas substitutas. Não são personagens secundárias, nem sombras de outros que já se aventuraram nesta área. Realmente existem heroínas que representam toda a habilidade, igualdade, força, destreza, inteligência e virtudes que vários personagens masculinos também transmitem. Elas são as protagonistas de suas próprias histórias e nós, jogadores, já passamos e aprendemos com vários games que as destacavam (quem lembra das fases mais legais do Crash, onde jogávamos com Coco Bandicoot em cima de um tigre ou jet ski?). Tivemos aventuras que ainda permanecem em nossas memórias. Nem todas as princesas querem ser salvas (alguém jogou The Legend of Zelda: Ocarina of Time e descobriu que a Princesa Zelda não ficou parada lhe esperando enquanto seu reino ruía?). Assim como algumas garotas não querem se ver como princesas, apenas querem que você passe o controle para elas. E muitas delas vão lhe surpreender.

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Da Redação
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