A utilização cultural da Cadeia Velha de Santos está ‘garantida’, segundo anunciou o Governo do Estado na última quarta-feira (10). Em 2016 e até mesmo em anos anteriores, o local foi pauta de reuniões, audiências públicas e a reivindicação maior era que se transformasse em um Centro Cultural. Mas parece que destes encontros pouca coisa ou quase nada foi levado em consideração. No lugar, ficará o merecido Projeto Guri, que inclusive já chegou a ocupar o espaço antes da milionária obra (R$ 11 milhões), e a sede da Agem – Agência Metropolitana.
Para a classe artística, porém, o anúncio desta decisão foi visto como um golpe e receio, pois não ficou claro qual o espaço que se dará às demais atividades. Segundo o ator e produtor cultural Junior Brassalotti, jogaram todas as audiências públicas no lixo. “Um secretário desconectado com a região, retóricas hesitantes que só quem quer acreditar, embarca”.
Para Jamir Lopes, presidente interino do Conselho Municipal de Cultura, este é o assunto cultural mais efervescente do momento e o Conselho de Cultura, que reúne representantes de várias áreas artísticas e do Poder Público tem que tomar uma posição oficial, que será enviada aos órgãos competentes. Para tanto, o novo uso da Cadeia está na pauta da reunião do Conselho, marcado para segunda (16), às 18h30, no Museu da Imagem e do Som de Santos (MISS), no térrreo do Teatro Municipal.
“Estamos cientes da crise, mas esta não pode ser a única justificativa para tudo. O que não queremos é que o Estado abandone a cultura da região. A Agem pode ocupar o espaço, que é grande, mas não se pode fechar as portas para as atividades e coletivos artísticos da região”, conclui.
Jamir ressalta que são 30 anos de história que transformaram a Cadeia Velha em referência na formação artística da região e isso não pode ser ignorado. “Estamos lamentando esta mudança de postura do Governo”.