Kong: A Ilha da Caveira | Boqnews

Ponto de vista

15 de março de 2017

Kong: A Ilha da Caveira

bannerTalvez King Kong seja uma das figuras mais conhecidas da cultura pop mundial. Uma história tão famosa e tão copiada que acreditar que alguém ainda possa fazer algo diferente é quase impossível. Mas felizmente isso pode acontecer sim, e Kong: A Ilha da Caveira faz isso perfeitamente bem.

O gorilão já tinha aparecido em três produções de Hollywood (1933, 1976 e 2005) (e em um punhado de continuações canhestras, animações fracas e algumas loucuras “made in Japan”, mas essas não contam). Porém agora o que se vê em A Ilha da Caveira é algo que foge disso, aproveita grande parte da mítica, abre espaço para um novo mundo e, o melhor de tudo, surpreende todos que entrarem no cinema.

Não algum tipo de reviravolta, mas sim simplesmente por não contar mais uma vez aquela mesma história batida. Infelizmente, o roteiro escrito por Dan Gilroy, Max Borenstein e Derek Connolly não consegue fugir completamente disso e se permite alinhavar tudo com um macacão apaixonado, mas até isso é tratado com sutileza e funciona na tela.

Saindo fora do navio de exploradores e do gorilão subindo no Empire States, A Ilha da Caveira começa com uma dupla de cientistas (John Goodman e Corey Hawkins) tentando convencer o governo dos Estados Unidos a bancá-los em uma viagem a uma ilha misteriosa no meio de lugar nenhum. A dupla consegue isso e ainda uma escolta militar de um grupo de soldados liderados por um piloto “órfão da guerra” (Samuel L. Jackson) que estavam se despedindo na conflito no Vietnã, mas ainda precisam cumprir essa última missão.

Por fim, um especialista em sobrevivência do exército inglês (Tom Hiddleston) e uma fotógrafa de guerra (Brie Larson) se juntam à equipe sem nenhuma razão aparentemente muito crível, mas o que importa é que eles estão lá e são seus protagonistas. Mas esse “furo” acaba não importando muito, já que todo o resto é divertido demais para compensar tudo.

kong-filmeE isso, principalmente, pois tanto o roteiro, quanto a direção de Jordan Vogt-Roberts (que ninguém conhecia, mas muito provavelmente vai ficar famoso), desconstroem o mito de modo certeiro. A trama de Kong ser um “King” de acordo com uma tribo qualquer da ilha está lá, mas toda aquele meio chato dos filmes originais onde o personagem enfrentava um monte de criaturas igualmente gigantes, mas sem muita razão de estarem ali, aqui é o que move boa parte da trama. Isso e um vilão humano que surge de modo interessante e com uma motivação inteligente e pertinente, a maioria no lugar dele acabaria tomando o mesmo caminho.

Kong faz isso de modo simples, dividindo o elenco e mostrando para cada grupo um lado diferente dessa ilha e do próprio Kong. Criando uma trama dinâmica, bem descomplicada e clara, abrindo espaço para o que importa: a ação.

Já de cara, a ideia de arrancar esses soldados do Vietnã e coloca-los em um ambiente praticamente igual é um deleite para os fãs de filmes de guerra. Por outro lado, esse novo Kong atlético, violento e, literalmente, um herói de ação, não se esconde de nada nem de ninguém e desce o braço em quem cruzar seu caminho, sejam os helicópteros, um polvo gigante ou as esquisitas criaturas que saem do centro da Terra e são suas antagonistas. Tudo em mais um trabalho incrível da Industrial Light and Magic (ILM).

Enfim, Kong: A Ilha da Caveira é um filmão. Divertido, bem humorado, com um visual incrível (e enorme), bons personagens, muita ação e a impressão de que não só a Legendary Entertainment acertou em cheio para remodelar a mítica do personagem, como também deixa claro, em uma divertida cena pós-crédito, que o futuro da franquia ainda guarda muito mais diversão. E dessa vez vindo da “Terra do Sol Nascente”.

Da Redação
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