Usuários elogiam rapidez e conforto do VLT, porém defendem melhorias
Na última semana, a equipe do Boqnews percorreu todo o trajeto do Veículo Leve Sobre Trilhos (VLT) — do Terminal Barreiros, em São Vicente, ao Terminal Porto, em Santos — para analisar o serviço disponível aos munícipes de forma completa desde o mês passado.
Ao longo dos aproximados 40 minutos de viagem, conversamos com usuários que ressaltaram pontos positivos e negativos do sistema, como o comerciário José Augusto de Lima, de 60 anos, que abandonou o veículo próprio para se locomover diariamente pelo VLT. Para ele, o serviço de transporte oferecido é confortável, rápido e supre a sua necessidade, no entanto ele acredita que o trajeto deveria ser ampliado para a Área Continental de São Vicente, pois muitos usuários do transporte público residem nessa região.
Além deste aspecto, José Augusto questionou sobre a ausência de banheiros nas estações. O também usuário Romeu Moura, que morou em Portugal por 10 anos, destaca que também sentiu a falta de sanitários. “Em Portugal, os banheiros encontram-se abaixo das estações do VLT por onde passa o metrô. Quando necessitamos, usamos os do transporte subterrâneo”, destaca.
Em resposta, a Empresa Metropolitana de Transportes Urbano (EMTU) disse que ‘a exemplo de sistemas de VLT implantados em diversas cidades ao redor do mundo, o banheiro público não está previsto no projeto das estações por se tratar de local de rápida circulação dos usuários’.
Mas nem mesmo os funcionários que trabalham de oito a dez horas por dia nas plataformas possuem um local adequado para suas necessidades fisiológicas, tendo que se locomover a estabelecimentos nem sempre tão próximos ao local de trabalho.
Aliás, além deste importante e indispensável detalhe, a Reportagem também apurou que os funcionários não possuem bebedouros, armários para guardar pertences pessoais assim como ficam vulneráveis a assaltos nas estações, que não contam com câmeras.
De acordo com a advogada atuante na área de direito trabalhista, Bruna Cunha Ferrari, “o fato de não haver banheiros e bebedouros disponibilizados pela empresa em local próximo à prestação de serviços enseja uma situação incompatível com as normas de segurança e higiene do trabalho, de forma que tal situação, por expor o empregado a situações degradantes, pode vir a configurar dano moral passível de indenização”.
A equipe entrou em contato com o Consórcio BR Mobilidade, empresa que opera o serviço, entretanto, até o fechamento da edição os questionamentos relativos aos funcionários não foram respondidos.
Valor das tarifas
O valor pago de R$ 4,05 pelo serviço também foi questionado pelos usuários. A manicure Ana Cristina, 46 anos, acredita que este preço é abusivo, principalmente para o trabalhador que ganha um salário mínimo. “Por mês, o trabalhador tem que dedicar cerca de R$ 180 para o transporte. Esse valor faz muita diferença!”, disse.
A EMTU justifica que o percentual aplicado leva em consideração os custos dos insumos do transporte como mão-de-obra, consumo de energia elétrica da rede aérea e dos veículos, além das cláusulas contratuais com o Consórcio BR Mobilidade.
Integração das linhas
O reajuste da tarifa dos ônibus em janeiro acendeu uma discussão em relação à integração do VLT com as linhas municipais, já que em junho de 2016, o presidente da EMTU, Joaquim Lopes, anunciou a integração com 37 linhas intermunicipais.
Segundo a empresa, a integração com as linhas municipais de Santos têm previsão de início em abril, porém a data não foi divulgada. Já em relação ao sistema municipal de São Vicente, a empresa informa que está dialogando com a nova administração municipal para encontrar soluções adequadas ao usuário, pois a organização do sistema de transporte no município, com a utilização de vans, difere de Santos, que optou pelo ônibus coletivo.
