Ponto de vista
Curtir, comentar e compartilhar
A eleição deste ano será
a primeira em que a Internet principalmente as redes sociais pode ter um
papel de protagonismo nos rumos das campanhas. As redes sociais apareceram como
coadjuvantes nos dois últimos pleitos, em 2010 e em 2012, mais pela cobertura
da imprensa e pela procura por informações dos eleitores na contagem dos votos.
No
caso dos candidatos, apenas os cachorros maiores entenderam que deveriam
profissionalizar a relação com os eleitores, mas alguns se limitaram a criar perfis
profissionais.
A lição de que as redes sociais são essenciais para o
processo político veio da equipe de Barack Obama, em 2008. Ali, ficou
cristalina a necessidade de produzir informações e criar mecanismos de
aproximação com o eleitor no mundo virtual. A estratégia incluía respostas
rápidas para reações do público e para conteúdos desfavoráveis na imprensa, independentemente
da mídia.
Desde o ano passado, os políticos da Baixada Santista dão
sinais de que começaram a entender as mudanças. Muitos secretários e
vereadores, em Santos, dialogam diretamente com outros usuários de Facebook. O
secretário de Cultura, Raul Christiano, por exemplo, possui cinco perfis.
A
Câmara Municipal de Santos criou um sistema de chat para as audiências
públicas, que permite a participação do público sem estar presente no local. As
audiências são transmitidas desde abril do ano passado pelo canal de TV a cabo
do Poder Legislativo.
Em
Cubatão, secretários municipais se revezam desde janeiro no atendimento ao
público via rede social. É o chamado
Gabinete Virtual, espécie de plantão de atendimento no Facebook. A prefeita
Márcia Rosa e o secretariado participam, desde o início de fevereiro, de uma
reunião semanal na qual qualquer cidadão pode participar, com inscrições por
e-mail. Os encontros acontecem às segundas-feiras, às 8 horas, na Prefeitura.
O
problema é que, quando nos afastamos de cidades grandes ou médias, torna-se
latente a baixa percepção dos políticos sobre comunicação online. O
publicitário Thiago Peres Teves produziu, no ano passado, um estudo sobre o
papel das redes sociais entre os vereadores de Mongaguá. Os resultados assustaram.
Dos 13 vereadores, somente quatro divulgam os trabalhos legislativos pelo
Facebook. Deles, um possui página oficial como vereador.
Todos
os parlamentares de Mongaguá possuem perfis pessoais na rede social, mas
predominam as fotos de família e comentários genéricos sobre festas, almoços e
outros tipos de eventos.
Mais
do que um avanço, conversar ou abrir canais para os eleitores é uma questão de
sobrevivência. Diante de uma imagem tão desgastada, a classe política teve que migrar
para o mundo virtual a fim de reconstruir uma relação com o público.
No
entanto, as redes sociais não são vistas pela classe política como um
instrumento de cidadania. Os conteúdos indicam, acima de tudo, propaganda
camuflada, geralmente livre da legislação eleitoral.
No
mundo online, a campanha eleitoral corre na quinta marcha. Mesmo oficialmente
pré-candidatos, muitos concorrentes já contam com um exército de colaboradores
que mobilizam seus perfis para enaltecer os empregadores ou atacar os
adversários. A remuneração pode se estender aos blogs, com empresas estatais
como anunciantes.
A
produção de informação está além de multiplicar links ou agir como máquinas de
curtir mensagens. Diariamente, nascem postagens falsas em forma de cartazes
ou de reportagens que visam desmoralizar o partido inimigo. O esgoto
eleitoral fica mais evidente entre os peixes grandes, que realimentam a
política como um Fla-Flu, cenário resumido a petistas e tucanos.
De
fato, os irmãos são quase gêmeos. São como Caim e Abel, dentro e fora da
Internet. Nas palavras, nos atos e nas ilusões.