Hitchcock | Boqnews

Ponto de vista

10 de março de 2013

Hitchcock

Fazer da vida do cineasta Alfred Hitchcock – no período onde
suas relações profissionais com Hollywood e sua situação econômica estavam
engatilhadas, prontas para um tiro no escuro – uma verdadeira trama de intrigas
envolvendo: um ciúme doentio por sua talentosa esposa, Alma Neville, alcoolismo
e uma compulsão crônica pelas musas que eternizaram as personagens de seus
filmes, é algo muito bom de assistir. Talvez, o fato de nunca antes termos tido
a oportunidade de ver sua vida particular, cinematograficamente, sendo exibida
ao público, tenha colaborado positivamente para sentirmos essa sensação. Neste
filme, o “mestre do suspense” está vulnerável. Somos testemunhas de suas
emoções e, juntos, fantasiamos a elaboração de cenas cruciais do filme que mais
trouxe prestígio ao diretor, injustiçado durante anos por críticos e pela mais
famosa cerimônia de prêmios do cinema: o Oscar.

Assistir ao filme “Psicose” é algo único. Tanto,
que se eu pudesse apagar minha memória, eu faria por prazer. Só para ter a
mesma sensação de estar assistindo pela primeira vez. E olha que não faz muito
tempo! O clima do longa de 1 hora e 48 minutos faz jus aos méritos do diretor,
que depois de muito tempo produzindo diversas produções, de forma independente,
foi importado por Hollywood para dar continuidade a sua genialidade. É claro,
com todo o suporte técnico que cidade do Cinema pode oferecer.

Agora, o bastidor deste clássico suspense, que quebrou os
padrões de censura dos filmes americanos, está disponível através do comando do
diretor Sacha Gervasi, que buscou produzir um filme onde temos a vida de
Hitchcock paralela a uma investigação conjugal e inserida numa turbulência que
abalou o mercado cinematográfico nos anos 60.

Em uma cinebiografia, creio que a aparência como os
personagens são apresentados ao público deve atender a uma necessidade básica:
lembrar o artista que esteja representando. Não que seja uma regra, mas
acredito que isso faz com que o público faça uma melhor associação à personalidade
em pauta. No caso de “Hitchcock”, de longe, e sem exagero, Anthony Hopkins nada
se parece com o gordo bochechudo que podemos ver invadindo alguns de seus
filmes – isso é para quem acha novidade Stan Lee, Tarantino ou Scorsese fazer
pontas em seus próprios filmes. Porém, a dicção empregada nas falas, pelo ator,
estão perfeitas. A fala mansa e pausada de Hitchcock está perfeitamente
reproduza no filme. Com isso, a lacuna negativa que a maquiagem produziu, foi
preenchida pelo talento de Hopkins. E outra, trocar o ator para atingir tal
nível de similaridade seria um risco muito maior. A atriz Helen Mirren está
formidável como Alma Neville. Concisa e, ao mesmo tempo, rígida, impondo
respeito, faz uma ótima atuação. Através de seus gestos conseguimos identificar
o sentimento que poderia estar sentindo uma estrela que sempre era ofuscada
pelo brilho de outra: o brilho da fama do seu marido.

É incrível a semelhança entre James D’Arcy, que interpreta o
psicopata de Norman Bates, com o ator que interpreta o mesmo personagem,
Anthony Perkins. Uma verossimilhança positiva ao filme. Scarlett Johansson vive
Marion Crane, a polêmica protagonista que morre no meio do filme e que tanto
desiludiu os produtores do cineasta. Johansson pode ter sido uma ótima escolha
para o papel. Ela se encaixa perfeitamente em um padrão que despertava arrepios
no diretor: bela, jovem e loira. Um dos problemas que resultou em crises no
casamento entre ele e Alma, sua parceira. E que, mesmo assim, nunca o
abandonou.

Com um ritmo calmo e envolvente, a narrativa nos conduz
através do sacrifício feito por todos os envolvidos para terminar as filmagens
de “Psicose”, que, em certo momento, já estava atrasado e estava com o orçamento
estourado. Sacrifício porque, para quem não sabe, o filme teve que ser produzido
de forma independente. Já que a produtora não se comprometeria com um filme que
fugisse de uma linguagem assinada pelo diretor durante muito tempo. Poderia ter
sido um tiro no pé. E o problema com a censura era onde mais pesava porque, para
a sua livre exibição, o filme, não poderia conter cenas explícitas de nudez,
violência e… do close de um vaso sanitário. Isto mesmo, um vaso sanitário –
imagina querer fazer um filme como “Shame” naquela época. Em uma das cenas,
Hitchcock negocia de forma eficaz todas essas barreiras, explicando que nada
iria ser explícito. E que, o vaso sanitário faria parte crucial da trama.

Chegar ao final do filme e ver a reação do público ao ouvir a
aterrorizante trilha sonora, produzida exclusivamente para a cena do banheiro
por Bernard Herrmann, é muito nostálgico. O filme se resume numa verdadeira
orquestra, onde todos os instrumentos estão sincronizados e prontos para dar o
seu show musical. E claro, com a regência de um dos melhores maestros que o
Cinema já teve.

Ficha Técnica

Hitchcock, 2012

Diretor: Sacha Gervasi

Roteiro: John
J. McLaughlin

Elenco: Anthony
Hopkins; Helen Mirren; Scarlett Johansson;

Danny Huston;
Toni Collete; Jessica Biel; James D’Arcy;

Da Redação
A opinião manifestada no artigo não representa, necessariamente, a opinião do boqnews.com

Quem Somos

Boqnews.com é um dos produtos da Enfoque Jornal e Editora, que edita o Boqnews, jornal em circulação em Santos, no litoral paulista, desde 1986.

Fundado pelo jornalista Jairo Sérgio de Abreu Campos, o veículo passou a ser editado pela Enfoque desde 1993, cujos sócios são os jornalistas Humberto Challoub e Fernando De Maria dos Santos, ambos com larga experiência em veículos de comunicação e no setor acadêmico, formando centenas de gerações de jornalistas hoje atuando nos mais variados veículos do País e do exterior.

Seguindo os princípios que nortearam a origem do Jornal do Boqueirão nos anos 80 (depois Boqueirão News, sucedido pelo nome atual Boqnews) como veículo impresso, o grupo Enfoque mantém constante atualização com as novas tendências multimídias garantindo ampliação do leque de conteúdo para os mais variados públicos diversificando-o em novas plataformas, mas sem perder sua essência: a credibilidade na informação divulgada.

A qualidade do conteúdo oferecido está presente em todas as plataformas: do jornal impresso ou digital, dos programas na Boqnews TV, como o Jornal Enfoque - Manhã de Notícias, e na rádio Boqnews, expandido nas redes sociais.

Aliás, credibilidade conquistada também na realização e divulgação de pesquisas eleitorais, iniciadas em 1996, e que se transformaram em referência quanto aos resultados divulgados após a abertura das urnas.

Não é à toa que o slogan do Boqnews sintetiza o compromisso do grupo Enfoque com a qualidade da informação: Boqnews, credibilidade em todas as plataformas.

Expediente

Boqnews.com é parte integrante da Enfoque Jornal e Editora (CNPJ 08.627.628/0001-23), com sede em Santos, no litoral paulista.

Contatos - (13) 3326-0509/3326-0639 e Whatsapp (13) 99123-2141.

E-mail: [email protected]

Jairo Sérgio de Abreu Campos - fundador / Humberto Iafullo Challoub - diretor de redação / Fernando De Maria dos Santos - diretor comercial/administrativo.

Atenção

Material jornalístico do Boqnews (textos, fotos, vídeos, etc) estão protegidos pela Lei de Direitos Autorais (Lei 9.610 de 1988). Proibida a reprodução sem autorização.

Este site usa cookies para personalizar conteúdo e analisar o tráfego do site. Conheça a nossa Política de Cookies.