Ponto de vista
Distrito 9
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| O agente Wikus Van De Merwe (mostrando o crachá) desocupando o gueto formado por aliens. |
David Cronenberg usou como cenário principal um
apartamento-laboratório para impressionar o público com a mutação do cientista
Seth Brundle (Jeff Goldblum) em A Mosca. O tratamento profissional para fazer
tal criatura arrepiar até o último fio de cabelo e provocar o mais alto nível
de asco por quem assistia realmente foi de extrema eficiência. Isso em 1989.
Depois de 27 anos um filme faz referência à ficção-científica
do diretor canadense ao colocar um homem que vai dando lugar a uma criatura, se desespera ao ver, em frente ao espelho, suas unhas caírem, uma a uma. A cena impressiona pelo trabalho artístico empregado nesse processo de mutação
horrenda.
Em Distrito 9, a contextualização de um processo
metamórfico fica à cargo de Wikus Van De Merwe, muito bem interpretado pelo
ator Sharlto Copley, que soube trabalhar todo o processo de transformação do
funcionário de uma unidade especializada em cuidar da comunidade formada por
alienígenas nomeados de camarões.
Tudo começa com a aparição de uma nave com grandes dimensões que pousa sobre a cidade de Joanesburgo, maior cidade da África do Sul. Sem
manter contato por anos, os humanos decidem invadi-la e acabam descobrindo uma
comunidade inteira de uma espécie não identificada em estado de subdesnutrição.
Decidindo hospedar todos em uma área restrita dentro da
cidade, a comunidade se reproduz, interage com os humanos, aprende a se
comunicar e, diante da ineficiência que assola o sistema de estrutura social de
muitos países, começam a desenvolver suas próprias ferramentas de
sobrevivência.
A partir dessa perda de controle é que os problemas do
Governo vigente começam. Buscando solicitar medidas para controlar a nova
praga, ele monta uma unidade especial para cuidar de todas as questões que envolvam
seres de outro planeta. É nesta parte que entra o agente Van De Merwe, que
acaba sendo infectado com uma solução líquida alienígena que o vai
transformando numa persona non grata
para os humanos, mas um excelente objeto de estudo para controlar o poder
bélico alien.
Para reforçar a ficcional veracidade dos fatos, a produção, e
o diretor Neill Blomkamp, optaram por filmar boa parte da história de forma
amadora. O formato documentário embala o espectador introduzindo comentários de
profissionais envolvidos no projeto de contenção das criaturas. Além disso, muitas
filmagens montam algo que podemos considerar um epílogo sobre o protagonista
através do desabafo de familiares e colegas de trabalho. Tudo muito bem
costurado e interpretado.
A filmagem que impressiona pelo amadorismo (handycam) é algo
que já foi utilizado de forma muito eficiente em outros filmes de sucesso. A
exemplo disto temos Cloverfield e o premiado A Bruxa de Blair. Dessa forma
o diretor de Distrito 9 pode aproximar o espectador do contexto dramático que
envolvia tanto os problemas do alienígenas quanto os de Wikus, que perdeu a
mulher e passou a ter a cabeça caçada
por um batalhão de soldados armados.
Para sustentar ainda mais este universo fantástico, a Direção
de Arte não poupou esforços na hora de trabalhar todas as características que
envolvem a mistura de duas culturas distintas e tão rica. De um lado, os
camarões, a nave e dezenas de armas e objetos extraterrenos. Do outro, o rico
e diversificado costume dos sul-africanos.
As armas, que vieram de outro planeta, são a peça-chave para
a trama. Pois, como qualquer humano ambicioso, controlar um poder de fogo
ainda mais com alta tecnologia e intensidade de destruição – é o sonho de
qualquer potência que siga os passos do Tio Sam. O problema? O mecanismo que
aciona os gatilho só funciona com DNA alienígena. Com isto, nem preciso dizer
quanto vale a cabeça de um homem que carrega a mistura perfeita de um código
genético.
Ficha Técnica
Distrito 9 (District
9, 2009)
Diretor: Neill
Blomkamp
Roteiro: Terri Tatchell e Neill Blomkamp
Elenco: Sharlto Copley; Jason Cope; Nathalie Boltt; Sylvaine Strike; John
Sumner; William Allen Young; Nick Blake; Johan van Schoor;
