Como se diz no jargão futebolístico, as tradicionais mudanças partidárias voltaram a ocorrer aos 47 do segundo tempo. Um verdadeiro troca-troca onde a defesa ideológica ou programática escoa literalmente pelos ralos. O que vale é mesmo o famoso toma-lá-dá-cá.
Troca-troca II
Cerca de 70 deputados e dois senadores haviam confirmado a mudança de partidos até quinta. E apesar de poderem solicitar o cargo de volta, agremiações como PP, PSDB, PV, PTB e PPS resolveram perdoar os ex-colegas. Motivos: bom relacionamento com o ex-parlamentar, interesses em alianças futuras e até falta de tradição da legenda em reivindicar a cadeira. Em tempo: o País tem 32 agremiações partidárias, sendo duas recém-criadas (Pros e Solidariedade).
Surpresa I
Na onda das mudanças de última hora, a mais surpreendente foi a do deputado federal Beto Mansur, que trocou seu amado PP do amigo Paulo Maluf para pedir as benções aos membros do PRB, partido ligado à Igreja Universal, e que tem como principal referência o ex-deputado Celso Russomano. A reviravolta foi tanta que até seus assessores mais próximos foram surpreendidos com a notícia, assim como o diretório estadual pepista.
Surpresa II
Mansur queria ocupar mais espaço no PP, hoje nas mãos de Paulo Maluf, mas não obteve êxito. Como o risco de não se reeleger era elevado caso permanecesse no partido, buscou em Russomano a sua tábua da salvação. O ex-parlamentar deve disputar uma vaga na Câmara, aumentando assim as chances de Mansur se reeleger.
Bola de cristal
Um membro do diretório estadual do PP lembrou-se de um episódio semelhante: quando o ex-ministro Delfim Netto estava no PP, conseguia se reeleger. Quando migrou para o PMDB, nunca mais voltou ao Congresso.
Baixas
Apesar de nada estar definido, assessores próximos a Mansur, como o secretário da Mobilidade Urbana do Ministério das Cidades, Julio Eduardo dos Santos, e Eliezer Prates, hoje na Cohab paulista, deverão deixar os cargos. Eles estão atrelados às cotas do PP nos governos federal e de São Paulo.
Fora da rede
Como era previsível, já começam as primeiras farpas públicas entre os grupos atrelados a Marina Silva e Eduardo Campos após a entrada surpreendente da ex-senadora no partido socialista. O deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO), que representa o setor agropecuário e havia acertado apoio a Campos, retirou-se de cena.Poderiam ao menos ter me avisado que eu fui vendido, disse à imprensa.
Novos ares
Com a ida de Marina Silva para o PSB, as chances de matrimônio entre o PSDB e o PSB em São Paulo praticamente acabaram. Assim, o deputado Márcio França, que sonhava ser vice de Alckmin, terá que mudar de planos.
À beira da churrasqueira
O PSDB santista está querendo reunir a militância e discutir política sem formalidade. De forma a atrair seus filiados, está promovendo uma enquete para os encontros mensais, que prometem ser descontraídos e com direito à churrascada. Entre os nomes listados estão Papo no Quintal, Poli-Papo no Partido, Papo 45 e Vamos Conversar?
Entusiasmo I
A pesquisa Enfoque/jornal Boqnews, divulgada na edição passada, causou frisson nos meios políticos. Até aqueles que não imaginavam entrar na disputa se sentiram animados com os resultados. Deve-se lembrar, é claro, que pesquisa é a fotografia do momento.
Estusiasmo II
Quem ficou animado mesmo foi o governador Geraldo Alckmin. Em visita a Santos no último sábado, ele leu atentamente o jornal enquanto tomava café em um estabelecimento no Boqueirão e compartilhou os números com o prefeito Paulo Barbosa e o ex-prefeito João Paulo Papa, que o acompanhavam. E fez questão de posar segurando um exemplar, cuja manchete era Chances de Reeleição (foto).
Jornada dupla
O secretário estadual de Gestão Pública, David Zaia (PPS), que será candidato à reeleição, tem dividido seus afazeres na pasta com as discussões sobre a greve dos bancários, a maior da história. Explica-se: Zaia preside a Federação dos Empregados em Estabelecimentos Bancários dos Estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul.
Mais transparência
O novo site da Câmara de Santos (www.camarasantos.sp.gov.br) passou a disponibilizar todos os contratos e convênios do Legislativo com prestadores de serviços e instituições, cumprindo a Lei de Acesso à Informação.
Números que preocupam
Hoje, o Governo do Estado de São Paulo conta com 700 mil servidores na ativa e 400 mil aposentados – uma proporção de 0,57. Em 2030, o volume de ativos e inativos será idêntico, aumentando ainda mais o peso sobre a folha salarial.
Convidado da segunda
O Jornal Enfoque, no ar a partir das 8h05 na Santa Cecília TV – com reapresentação às 17 horas – terá, na segunda (14), a participação do diretor de Tecnologia, Empreendimentos e Meio Ambiente da Sabesp, João Paulo Tavares Papa, e do jornalista Fernando De Maria.