Ponto de vista
Apenas 12%?
A Prefeitura de
Santos vai terminar o ano da mesma forma como começou: sob um temporal de
críticas, e sem guarda-chuvas. Nos três primeiros meses, a administração
municipal teve que se defender diante de mortes no desfile de Carnaval, do caso
do menino que foi eletrocutado nas tendas na orla da praia, além de uma greve
dos servidores, algo que não ocorria há 18 anos.
Agora, o prefeito Paulo Alexandre Barbosa e os vereadores
da base de apoio tentam explicar porque o IPTU será reajustado em 12%, na
média, no próximo ano. O aumento, o dobro da inflação, provocou críticas da
imprensa e queixas de centenas de moradores nas redes sociais.
É óbvio que se trata
de uma medida impopular. A classe política já esperava por isso. Atualizar a
Planta Genérica de Valores pode soar como uma justificativa plausível, mas a
população entende e com razão que elevar a carga de impostos é transferir
as chibatadas para o lombo mais fraco.
Ninguém aguenta mais impostos, ainda mais diante do
testemunho diário de que os recursos não aparecem de forma latente em
benefícios públicos. A Prefeitura responde, como se previa, com o argumento das
grandes obras, como a entrada da cidade e a macrodrenagem na Zona Noroeste ou
se envolve em discussões sobre projetos como o VLT e o túnel, ambos com sinais
cristalinos de planejamento falho.
Neste
tempo, os serviços públicos não iluminaram os olhos. Um exemplo é a dificuldade
da Prefeitura em intervir no transporte coletivo. Meia dúzia de coletivos com
ar-condicionado e internet mal cutucam os problemas reais. Mudou-se o sistema
de cobrança e a eficiência no atendimento seguiu inerte.
A
administração municipal e os vereadores usaram jogos de palavras para justificar
o reajuste do IPTU. Na verdade, o aumento foi de 100%, com um desconto de 88%. Assim,
a retórica matemática alcança os 12%. O vereador José Lascane usou este
argumento em entrevista ao Jornal A Tribuna.
Por
hipótese e o prefeito prometeu o contrário no Jornal Enfoque, na Santa
Cecília TV -, a Prefeitura pode perfeitamente reduzir o tal desconto em 2015 e
aplicar novo reajuste bem acima da inflação.
Os 17
vereadores, que aprovaram a toque de caixa o aumento do IPTU, também viraram alvo
das críticas nas redes sociais. Alguns deles se defenderam com um caminhão de
números. O vereador Kenny Mendes, por exemplo, afirmou que votar contra o
reajuste seria permitir que a cidade quebrasse financeiramente. E disse que o
município não precisa de heróis para brigar contra as estatísticas.
Realmente,
Santos não necessita de heróis. A cidade precisa de uma Câmara capaz de
questionar a administração, e não de se ajoelhar diante de todos os projetos do
Poder Executivo, prática usual desde a gestão Beto Mansur. E necessita de uma administração
que seja capaz de abrir a caixa preta de suas finanças, para que saibamos se há
possibilidade de quebra e quais foram os responsáveis pela bagunça. Mas é
esperar que a gestão atual corte a própria carne muitos estão no governo há
quase 17 anos e confrontar o ex-prefeito Papa, hoje no próprio PSDB.
Os
vereadores têm a obrigação de saber que aprovar o reajuste de 12% no IPTU,
rejeitando todas as emendas, é esperar pelos tomates do público, revoltado com
tantas vozes desafinadas. E sabem disso!
Diante
disso, você sabe quem votou pelo reajuste? Eis os 17 parlamentares, em ordem
alfabética: Ademir Pestana, Antônio Carlos Banha Joaquim, Cacá Teixeira,
Douglas Gonçalves, Fernanda Vanucci, Hugo Dupreé, Jorge Vieira da Silva Filho
(Carabina), José Lascane, José Teixeira (Zequinha), Kenny Mendes, Manoel
Constantino, Marcus de Rosis, Murilo Barletta, Roberto Oliveira, Sadao Nakai, Sandoval
Soares e Sérgio Santana. A conta também é deles!