Após tragédia em Brumadinho, cava subquática provoca questionamentos | Boqnews
Foto: Divulgação/VLI
31 de janeiro de 2019

Após tragédia em Brumadinho, cava subquática provoca questionamentos

Com o rompimento da barragem de Brumadinho (MG), as discussões ambientais voltaram a ser discutidas.

Até o momento desta Reportagem, 99 mortes já foram confirmadas e 259 pessoas desaparecidas.

Em razão da tragédia, o assunto que ganhou destaque nas redes sociais durante a última semana foi a cava subaquática, construída pelo Terminal Integrador Portuário Luiz Antonio Mesquita (Tiplam), localizada no Canal de Piaçaguera, do grupo VL!.

No entanto, o temor de uma tragédia semelhante, como base em informações divulgadas nas redes sociais,  foi logo descartado pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb).

De acordo com a Cetesb, as comparações feitas com o Brumadinho (MG) são “irrisórias, devido ao tipo de dragagem feita na cava”.

Ou seja, eles explicam que em Minas, o rejeito é feito com o rejeito de minério.

“Já na cava, é lodo de dragagem do canal Piaçaguera”.

O canal divide Santos e Cubatão.

 

De acordo com a VLI e Cetesb, não há risco de vazamento da cava. Foto: Divulgação/VLI

 

Em reportagem divulgada pelo Jornal A Tribuna, o assistente executivo da Diretoria de Avaliação de Impacto Ambiental da Cetesb, José Eduardo Bevilacqua, garantiu não haver risco de risco de poluição, e a obra não atrapalhará a pesca artesanal.

Conforme o executivo,  de acordo com os modelos matemáticos, 99,7% do material ficará retido no interior da cava.

Portanto, o risco, segundo consta no texto, é praticamente inexistente.

VL!

Assim como a Cetesb, o gerente-geral do Tiplam, Alessandro Gama, afirma que os sedimentos depositados na cava estão confinados e seguros.

“Nos últimos anos, a empresa monitora a qualidade da água, dos sedimentos e a avifauna da região e esse trabalho é permanente”, ressalta.

Conforme o gerente, todos os indicadores levantados não apontam qualquer dano ao ecossistema.

Ele garante que os relatórios são compartilhados com a autoridade ambiental.

No próprio site, a VLI explica, em vídeo recente (confira), como funciona o método da cava subaquática e o motivo porque foi escolhida.

“A cava subaquática nada mais é do que um espaço em área predeterminada para receber algum tipo de sedimento no subsolo do mar”, explica.

O método, segundo ele, é mais ágil, eficiente e seguro.

No entanto, no vídeo publicado, existiam outros métodos que poderiam levar anos, assim, aumentando o risco de dispersão.

Hoje,  o processo que dragou/retirou mais de 2,6 milhões de m³ de sedimentos do canal foi feito em poucos meses sem  vazamento, garante a empresa.

 

 

Confira o passo a passo do trabalho

1 Abertura da cava submersa em local preservado de correntes

2 Dragagem por sucção dos sedimentos do fundo do canal – Mais de 2,6 milhões de metros cúbicos retirados

3 O material recolhido é direcionado para a cava, a partir do fundo. Equipamentos e uma cortina garantem que o conteúdo não disperse

 

Neste momento, a cava conta com uma tela submersa que impede a passagem ou a dispersão das substâncias.

Segundo Gama, esse equipamento permanecerá até a fase de selamento, com uma capa de material de “boa qualidade na espessura de 1,5 metros”.

No entanto, vale ressaltar que tal procedimento acontecerá esse semestre após a decantação natural dos sedimentos já depositados.

 

Repercussão política

Após o trágico acidente em Brumadinho (MG), diversos políticos deram o parecer contrário à cava subaquática.

Por exemplo, o deputado estadual eleito, Kenny Mendes (PP), publicou em suas redes sociais que pedirá uma CPI para investigar sobre o que se trata esta cava.

“Aguardando ansiosamente o dia 15 de março deste ano, que é quando tomo posse na Assembleia como deputado estadual para enfim buscar respostas sobre esta bomba-relógio”, publicou.

Outro que também se posicionou foi o deputado estadual Paulo Corrêa Jr. (PATRI).

O deputado garantiu que agirá na Assembleia Legislativa para que isso seja investigado.

Ele solicitará uma reunião da Comissão de Assuntos Metropolitanos e Municipais em conjunto com a Comissão de Meio Ambiente para que ouçam os responsáveis e tomem conhecimento de causa.

“Convocaremos os responsáveis por usar essa área como a CETESB, diretores da VLI, entre outras autoridades para coletar mais informações, com o objetivo de o que estiver errado vir à tona e procurarmos soluções. É para isso que estamos aqui”, pontuou Corrêa Jr.

Da Redação
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