Que Deus nos proteja! | Boqnews

Ponto de vista

3 de maio de 2012

Que Deus nos proteja!

Com o início da corrida eleitoral, os políticos deixam aflorar uma das suas principais características: adoram festas. Não se trata de comer e beber de graça, até porque a receita indica apenas degustação para suportar a maratona de visitas e evitar qualquer imprevisto estomacal. Ali, em um ambiente mais descontraído, eles entendem ser mais saborosa a aproximação, abordagem e manipu-lação de suas vítimas. Frequentam jogos de futebol, churrascos, noite de pizza, casamentos e aniversários.


Até a velha feira livre ganha singularidade, onde se multiplicam apertos de mão, beijos, abraços, crianças no colo e apresentações de novos “amigos” a se esquecer nos cinco minutos seguintes. Preparados e higienizados para o “confronto” com o eleitor em potencial, os candidatos são observadores. Recitam a tabuada eleitoral com eloquência, sem o menor rastro de que decoraram o texto.


Mas a classe política em campa-nha precisa da purificação ou do exorcismo. Não basta gastar sola de sapatos para ser visto como trabalhador ou como alguém interes-sado em problemas coletivos.  É fundamental parecer um sujeito de alma limpa, sólido espiritualmente, sensível às questões filosóficas mais profundas do ser humano. O candidato deve ser, em essência, um homem de fé, ainda que seja a máscara da fé exclusiva em si mesmo.


Numa época em que religiões se multiplicam como produtos em prateleiras de supermercado, qualquer candidato que se preze acredita nas variações de Deus. A fórmula é crer em um ser supremo capaz, acima de tudo, de mutação conforme a doutrina, conforme a camisa da bancada da fé.


Políticos distorcem o papel de missionários. Não levam a palavra. Buscam a conversão sem ouvi-la. Colecionam fiéis, de qualquer idioma. Acompanham rituais na fila do gargarejo, mas de olho no relógio para o compromisso seguinte, às vezes de doutrina distinta. Adeptos do sincretismo eleitoral, conversam com todas as alas e fazem o outro acreditar que a sua crença é a preferida.


Embora as candidaturas ainda não estejam oficializadas, os concorrentes se postam como irretocáveis em missas, cultos, sessões espíritas e outros eventos correlatos. Alguns negam a força da religião, pregam o Estado laico oficialmente, enquanto flertam com a fé alheia.


A prova de fé está, por exemplo, nas redes sociais. Não basta ir à missa. A ordem agora é que seus apoiadores – pagos ou não – divulguem as imagens do evento no Facebook. E compartilhem como a grande novidade do dia. É o sacramento cumprido com rigor monástico.


O nascimento e crescimento de diversas religiões fizeram com que a moral cristã (em suas interpretações) se tornasse pré-requisito para o sucesso nas urnas. Na última eleição presidencial, Serra e Dilma entraram em um debate estéril sobre aborto, sem contribuição para o tema como saúde pública ou para a agenda política brasileira. Apenas para agradar uma parcela do eleitorado.


As bancadas da fé se organiza-ram e se assumiram desta forma na busca de seus próprios interes-ses. Para algumas religiões, ocupar cadeiras no Executivo e no Legislativo compõe um projeto de poder e expansão patrimonial. Neste cenário, até políticos outrora ateus resolveram entrar na ciranda das crenças. Adaptam os programas de governo a líderes religiosos, prometem ações específicas para uma corrente ou outra, juram amor ao Deus do interlocutor.


É claro que institucionalizar uma religião sempre é um ato político. Mas transformar a fé em votos na urna soa mais como heresia, na qual o político jamais expurgará seus pecados. A fogueira sobrará inevitavelmente para o eleitor, crente nas falsas promessas libertadoras do visitante de ocasião.

Da Redação
A opinião manifestada no artigo não representa, necessariamente, a opinião do boqnews.com

Quem Somos

Boqnews.com é um dos produtos da Enfoque Jornal e Editora, que edita o Boqnews, jornal em circulação em Santos, no litoral paulista, desde 1986.

Fundado pelo jornalista Jairo Sérgio de Abreu Campos, o veículo passou a ser editado pela Enfoque desde 1993, cujos sócios são os jornalistas Humberto Challoub e Fernando De Maria dos Santos, ambos com larga experiência em veículos de comunicação e no setor acadêmico, formando centenas de gerações de jornalistas hoje atuando nos mais variados veículos do País e do exterior.

Seguindo os princípios que nortearam a origem do Jornal do Boqueirão nos anos 80 (depois Boqueirão News, sucedido pelo nome atual Boqnews) como veículo impresso, o grupo Enfoque mantém constante atualização com as novas tendências multimídias garantindo ampliação do leque de conteúdo para os mais variados públicos diversificando-o em novas plataformas, mas sem perder sua essência: a credibilidade na informação divulgada.

A qualidade do conteúdo oferecido está presente em todas as plataformas: do jornal impresso ou digital, dos programas na Boqnews TV, como o Jornal Enfoque - Manhã de Notícias, e na rádio Boqnews, expandido nas redes sociais.

Aliás, credibilidade conquistada também na realização e divulgação de pesquisas eleitorais, iniciadas em 1996, e que se transformaram em referência quanto aos resultados divulgados após a abertura das urnas.

Não é à toa que o slogan do Boqnews sintetiza o compromisso do grupo Enfoque com a qualidade da informação: Boqnews, credibilidade em todas as plataformas.

Expediente

Boqnews.com é parte integrante da Enfoque Jornal e Editora (CNPJ 08.627.628/0001-23), com sede em Santos, no litoral paulista.

Contatos - (13) 3326-0509/3326-0639 e Whatsapp (13) 99123-2141.

E-mail: [email protected]

Jairo Sérgio de Abreu Campos - fundador / Humberto Iafullo Challoub - diretor de redação / Fernando De Maria dos Santos - diretor comercial/administrativo.

Atenção

Material jornalístico do Boqnews (textos, fotos, vídeos, etc) estão protegidos pela Lei de Direitos Autorais (Lei 9.610 de 1988). Proibida a reprodução sem autorização.

Este site usa cookies para personalizar conteúdo e analisar o tráfego do site. Conheça a nossa Política de Cookies.