Mesmo à distância, casais superam barreiras para manter o relacionamento | Boqnews
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12 de junho de 2019

Mesmo à distância, casais superam barreiras para manter o relacionamento

“Olhos fechados/ Pra te encontrar/ Não estou ao seu lado/ Mas posso sonhar”, o trecho da música Aonde Quer Que Eu Vá, do Paralamas do Sucesso, retrata bem uma das formas de com que muitos casais encontram para se manterem unidos: o relacionamento à distância.

Prova disso são os 13 anos de namoro – farão 14 em julho – de Thiago Mendes (28) e Elora Cura (26), que se conheceram por intermédio de amigos via uma rede social, em 2005.

Os 55 quilômetros que os separam (ele mora em Santos e ela em Santo André), não os impede de passarem um tempo, mesmo que curto, um ao lado do outro.

Atualmente, eles se encontram apenas uma vez ao mês.

De acordo com Thiago, a distância é um obstáculo bem complicado e não pode ser ignorada, mas ressalta que a confiança é a base para que o relacionamento flua.

“Os problemas são agravados pela distância, porque você não tem a pessoa fisicamente ali para estar com você e entender melhor como você está”, salienta.

Contudo, mesmo tendo como maior agravante a distância, a logística também é problema para o casal.

Para ele, o desafio maior é o planejamento, ou seja, saber onde e quando irão se encontrar.

Já para Elora, um relacionamento à distância é como qualquer outro, onde, com a presença da tecnologia, a saudade pode ser amenizada.

“Para dar certo, precisa de muito amor e dedicação, ficar períodos longos sem se ver é difícil, mas quando você realmente ama alguém isso se torna algo que você está disposto a aguentar por essa pessoa”, enfatiza.

 

 

Bahia de todos os amores

Com um pouco mais de 20 mil habitantes, a pacata cidade de Belmonte, na Bahia, ganhou atrativos ainda mais românticos nestes últimos dois anos para o casal Louyse Oliveira (17) e Lucas Matos (19).

Juntos há dois anos, Louyse ressalta que um relacionamento assim é complicado, no entanto, não impossível.

Hoje, o casal se encontra apenas de seis em seis meses.

De acordo com ela, o momento mais complicado deste tipo de namoro é não poder manter contato físico com o amado, principalmente em momentos difíceis.

Se o tempo hoje já não corre a favor de ambos, em 2020, ele será mais difícil de se tornar um aliado.

A estudante de Gastronomia irá estagiar na França para aprimorar os dotes culinários, porém, nada que a impeça de se manter ao lado do namorado.

Ela afirma que ele se mostrou feliz com a notícia e que irá esperá-la quando retornar.

 

 

 

Quatro anos ‘separados’

Era 2013, 25 anos e casada.

Essa era a situação em que Lissa Sampaio se encontrava à época, quando o marido Rodrigo recebeu uma proposta para trabalhar fora do País.

Ela relata que não acreditava ser possível, em um casamento, em que o casal morasse à distância, tendo em vista que tinham um filho de 4 anos.

Porém, mesmo contrária à ideia, Lissa vislumbrou a possibilidade de melhora no futuro familiar. Assim, abraçou a ideia do marido e concordou com a viagem a trabalho.

“Meu marido aceitou a proposta de trabalho e foi para Angola e, posteriormente para a Indonésia, numa somatória de tempo de aproximadamente quatro anos”, conta.

No entanto, mesmo apenas se encontrando de 3 em 3 meses – muitas vezes o tempo se estendia a 4 – a confiança fora a base do relacionamento.

Ela relata que o ‘combinado’ era o marido passar 21 dias em casa a cada período, mas nem sempre isto acontecia.

“Está maluca?!”

Outro fator que a incomodava era o de pessoas agourando o relacionamento. Segundo relatos, inúmeras pessoas julgaram o posicionamento dela em deixar o marido ir trabalhar em outro continente.

“Lembro-me de ouvir as pessoas dizendo coisas do tipo: “você é louca, eu não aceitava isso…”; “onde já se viu casar pra morar longe?”; “ah, mas até quando isso?”, explica.

Mesmo sendo julgada pelas medidas adotadas, Lissa afirma que não ligava para o preceitos dos demais. A confiança e o amor que sentia pelo marido eram fortes o suficiente para acreditar que, nem mesmo o tempo, poderia tirar o futuro que se deparava à família.

Após quatro anos passando por saudades, tristezas e euforias, a família mora há um ano em Portugal e conquista, cada vez mais, espaço entre os lusitanos.

Hoje, depois de todos os problemas enfrentados, a saudades familiar, dos amigos e de Santos aperta o coração de Lissa.

 

 

Especialista

Para a sexóloga Márcia Atik, os namoros à distância detêm características muito próprias.

Onde deve existir uma firmeza de propósito reais e uma maturidade imensurável para se relacionar, tendo em vista que não há contatos físicos.

Segundo a profissional, o toque, o beijo e o cheiro alimentam e aumentam a paixão no casal. “Pela internet, essas questões precisam ser apresentadas de alguma maneira, nem que seja de forma sutil ou delicada”, afirma.

No entanto, Márcia destaca os casais que se encontram poucas vezes ao mês nem consideram isto um relacionamento à distância.

O motivo? O modo de cultivar o apimentamento do namoro é o fator que nutri os sentimentos dos casais. De acordo com ela, deve haver um cultivo da saudade e da sedução, assim, aumentando o sentimento.

Porém, ela salienta que por mais que a distância possa ser o maior empecilho, ela também gera um lado benéfico aos casais. Ou seja, aumentando a imaginação e as fantasias dos pares.

“Einstein diz que quando a realidade nos frustra, a imaginação nos salva e o relacionamento assim instiga a imaginação”, explica.

A sexóloga explica que o cérebro é o grande órgão sexual humano, portanto, quando há palavras que são bem encaixadas no contexto do relacionamento, ou até mesmo lembranças de momentos vividos, estimulam a sexualidade e o desejo. Assim, no momento em que há o encontro, a vontade possa ser até melhor do que os casais que se encontram todos os dias.

Da Redação
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