Equipe precisa de local para treinos
Thaís Cardim (*)
O primeiro e único time de beisebol da Baixada Santista, Black Dogs, completa três anos de existência em meio a grandes dificuldades. Desde julho do ano passado, o time amador está sem um local fixo para a realização dos treinos semanais. A equipe costumava treinar no gramado da praia do Itararé, em São Vicente, mas devido as obras de urbanização do local, perderam o espaço.
Passaram a treinar na Associação Atlética Portuários por um período, mas os custos elevados fizeram com o time retornasse à praia do Itararé, disputando com os times de futebol, o campinho existente na orla. Porém, o campo pertence ao Itararé Praia Clube, que também quer cobrar aluguel pelo espaço.
Essa é apenas uma das dificuldades relatadas por Fábio Guimarães Bartolo, o Binho, 26 anos, um dos fundadores do time. Desde o ano passado, o Black Dogs arca com todos os custos em jogos disputados pela Liga Paulista de Beisebol, organização independente criada por representantes dos times de beisebol do estado de São Paulo. “Além de todo o material individual ainda temos as despesas de transporte e aluguel do campo para a disputa. Até agora, a única ajuda que tivemos veio de alguns times do interior do estado que nos cederam equipamentos e da Confederação Brasileira de Beisebol e Softbol (CBBS), que cedeu duas dúzias de bolinhas no início do projeto”, lembra. Os jogos organizados pela Liga são na Capital ou no interior do estado e cada integrante do time desembolsa cerca de R$ 80,00 por partida.
Para Bartolo, a falta de tradição do esporte, pouco difundido no País, e o custo dos materiais, que não são fabricados no Brasil, afastam os investimentos. “Nos EUA, uma bolinha simples custa, em média, US$2,00 (R$ 4,00) cada. Já no Brasil, cada bolinha é vendida entre R$ 20 e R$ 30. Comparado a uma bola de futebol, é muito mais cara”, afirma.
A idéia de criar um time de beisebol na região surgiu por meio da comunidade do orkut, Baseball na Baixada Santista, que, mais tarde, tornou-se a comunidade do Black Dogs. “Vi que um pessoal dessa comunidade estava tentando combinar de jogar na praia e entrei em contato com o dono da comunidade, Rafael Esperati. Ele me disse que o pessoal estava meio parado, desanimado e, por conta, resolvi criar um tópico nessa comunidade para chamar o pessoal. No dia 25 de junho de 2006, conseguimos juntar cinco pessoas e seguimos para o Itararé. Ao final do dia, combinamos de ir no dia seguinte e o pessoal começou a tomar gosto. Na época, tínhamos apenas três bolinhas sendo que duas dessas eram de tênis e um bastão de madeira. Com o tempo chegaram novas pessoas e equipamentos. Assim, resolvemos formar o Black Dogs”, lembra Bartolo.
Segundo Bartolo, a equipe pretende alcançar vôos ainda mais altos, visando participar de competições de caráter nacional. No ano passado, três integrantes do Black Dogs foram escolhidos pela Liga Paulista para integrar o time do I Jogo das Estrelas, incluindo Wagner Sassaki, técnico e jogador do Black Dogs, que atuou como receptor do time das estrelas da Conferência B na partida, realizada em março do ano passado. Na última temporada, Sassaki foi considerado o melhor receptor da Conferência B.
A escolha do nome do time é curiosa. Segundo Bartolo, uma labradora de cor preta, chamada Iara, vivia na praia do Itararé e ‘assistia’ aos jogos, protegia os equipamentos e era a gandula oficial do time. “Iara era, praticamente, a segurança do time. Ninguém além de nós conseguia chegar perto dos equipamentos e mochilas quando ela estava próxima. Era só o pessoal do time aparecer que ela já vinha nos recepcionar”. Algum tempo depois, Iara não apareceu mais na praia e os jogadores resolveram prestar essa última homenagem à jogadora extra.
(*) Aluna do curso de Jornalismo da Universidade Santa Cecília