Carnaval sem assédio: iniciativas buscam combater a violência nas ruas do Brasil | Boqnews
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4 de fevereiro de 2020

Carnaval sem assédio: iniciativas buscam combater a violência nas ruas do Brasil

Os casos relacionados a denúncias de violência sexual contra a mulher costumam aumentar até 20% nos meses em que ocorre o Carnaval, segundo dados do Disque 100 e Ligue 180

Diversos tipos de violência contra a mulher ocorrem cotidianamente no Brasil e no mundo.

Em ocasiões como o Carnaval, porém, esse problema tende a se acentuar, pois é ainda mais naturalizado.

As aglomerações nas ruas são motivadas pelo desejo de festejar livremente, mas, para muitas mulheres, não é tão simples assim, já que essa diversão coloca em risco sua própria integridade física e psicológica

 

Mentalidade machista gera violência

Em 2017, uma mulher foi agredida a cada 4 minutos durante o Carnaval carioca.

Dados como esse revelam apenas uma superfície da realidade, já que nem todas as vítimas denunciam seus agressores.

Em contrapartida, de acordo com uma pesquisa do Data Popular, para 61% dos homens entrevistados, uma mulher solteira que vai pular Carnaval não pode reclamar de ser cantada.

“Quem, seja homem ou mulher, não gosta de ser assediado(a)? Massageia o ego”, aferiu o deputado estadual pelo PSL, Jessé Lopes, para criticar o feminismo e a campanha “Não é não”, que conscientiza foliões para combater o assédio no Carnaval.

Como a fala demonstra, há quem defenda a impunidade diante de situações de assédio sexual.

Muitas vezes, essa postura está ligada a códigos de comportamentos machistas, em que o homem deve ser hipersexual e dominador.

 

Mais respeito

Segundo a mesma pesquisa, para 49% dos homens, bloco de Carnaval não é lugar para mulher “direita”.

Pensamentos como esse aumentam a sensação de permissividade para a violência.

Não apenas porque muitos comportamentos abusivos partem da confusão entre paquera e assédio verbal e até mesmo físico, mas também porque alguns discursos opressores ganham força e espaço.

É o caso daqueles que acreditam que a escolha da roupa da mulher pode justificar um crime, ou seja, a famosa culpabilização da vítima.

O que ainda não ficou claro para muitos, dada a grande quantidade de relatos e denúncias de casos de violência, é que as ruas são espaços de natureza pública, mas o corpo da mulher não.

 

Respaldo da Constituição

O Carnaval deste ano será o segundo em que o assédio sexual é tipificado como crime.

“Praticar ato libidinoso contra alguém sem consentimento para satisfazer a própria lascívia ou a de terceiro”.

A pena pode ir de 1 a 5 anos de prisão.

 

Carnaval de São Paulo 2020

Representantes de 49 blocos de carnaval criaram uma comissão que, desde agosto de 2019, tem se reunido para levar mais segurança e redução de danos para as ruas da cidade durante o Carnaval.

A ideia é que, para isso, seja produzida uma comunicação contrária ao assédio, no esforço de educar os foliões e combater o assédio.

Também desejam intensificar a distribuição de camisinhas femininas, aumentar o número de banheiros, transporte 24 horas e médicos e policiais nas ruas.

 

“Não é Não”

Desde 2017, após um caso pontual de assédio no pré-Carnaval do Rio de Janeiro, um grupo de amigas se inspirou para formar um coletivo que hoje já é composto por membras de 15 estados brasileiros.

São elas que deram início à campanha “Não é Não” em eventos carnavalescos, distribuindo tatuagens temporárias para as foliãs.

O coletivo também produziu uma cartilha para esclarecer do que se trata o crime de estupro e importunação sexual. Além disso, promove palestras e rodas de conversa sobre o tema.

A frase que dá nome à campanha também dá voz às mulheres que desejam criar uma barreira de proteção contra o assédio sexual e mobiliza outras mulheres para criar uma rede de apoio para que haja mais debate sobre o tema.

Portanto, o objetivo final é claro: que haja mais segurança para a população feminina nessas comemorações.

Além disso, a campanha foi inaugurada com a participação de 40 mulheres e 4 mil tatuagens, feitas por meio de financiamento coletivo pela internet.

Em 2019, foram 1.420 participantes e 120 mil tatuagens distribuídas.

Neste ano, cinco estados brasileiros farão parte, pela primeira vez, dos locais em que essa ação ocorre: Santa Catarina, Piauí, Paraíba, Rio Grande do Sul e Espírito Santo.

 

#CarnavalSemAssédio

Em 2016, a Prefeitura de São Paulo se juntou à produtora de blocos Rua Livre e também à campanha “Não é Não”.

A empresa e aplicativo de transporte individual 99 App decidiu apoiar a campanha #CarnavalSemAssédio, que gerou conteúdos informativos sobre o tema no site Catraca Livre.

Carnaval de São Luís do Paraitinga

A foliã Lia Marques foi uma das três mentes criativas do projeto “Apito Contra o Assédio”.

Assim, o projeto  distribuiu em 2016 apitos para mulheres nos tradicionais blocos de São Luiz do Paraitinga, um dos maiores carnavais do estado de São Paulo.

Dessa forma, a ideia é que os apitos sejam usados para sinalizar outras mulheres sobre a ocorrência de abordagens masculinas abusivas ou de outras formas de assédio e para unir as mulheres que buscam sentir-se menos sozinhas e mais seguras durante o evento.

O grupo também participou de reuniões com a Polícia Militar da cidade.

Como denunciar

Assim, as denúncias podem ser realizadas através da Central de Atendimento à Mulher, pelo número 180, nas Delegacias de Defesa da Mulher (DDM) ou pelo e-mail [email protected].

 

Da Redação
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