Há comida para todo mundo? | Boqnews

Ponto de vista

3 de agosto de 2020

Há comida para todo mundo?

Embora tenha havido uma redução considerável da pobreza – de 36% em 1990 para 10% em 2015, os esforços para acabar com a fome não foram tão bem-sucedidos. Após décadas de declínio constante, mas leve, ela voltou a aumentar em 2015. O mundo passa por duas situações antagônicas. De um lado, mais de 10% das pessoas passam fome e de outro cerca de 25% estão acima do peso ou obesas – e outros 25% carecem de micronutrientes, podendo estar sub ou superalimentadas. O fato é que se alimentar abrange muito mais do que o simples ato de comer. Muito antes de chegar às prateleiras dos supermercados, o processo de produção de alimentos desencadeia múltiplos fatores que afetam o tempo e qualidade de vida na Terra.

Florestas são desmatadas para criar espaços agrícolas, o que aquece o ar atmosférico, reduz sistematicamente a biodiversidade, destrói as barreiras naturais que protegem os seres humanos de vírus de origem animal – como a COVID-19, contamina o solo e a água e infunde os animais e plantas com substâncias tóxicas.

Evidências sugerem que o problema enfrentado hoje não é a falta de alimentos, mas algo relacionado à ineficiência do sistema alimentar. Há falhas em todo o processo de produção e consumo, a começar com o uso da terra. Por exemplo, como uma resposta à crescente demanda por carnes e laticínios, cerca de 60% das terras agrícolas do mundo são usadas para a atividade pecuária. Outro dado terrível é que cerca de um terço dos alimentos produzidos são perdidos – entre a fazenda e a mesa, enquanto eles são armazenados, transportados, processados, embalados, vendidos e preparados, pois compra-se mais do que se consume. Com isso, 1,3 bilhão de toneladas de alimentos são perdidas ou desperdiçadas a cada ano.

“Não podemos resolver um problema e criar outro, ou seja, produzir mais comida apenas para desperdiçá-la”, explicou a chefe do Programa de Sistemas Alimentares Sustentáveis do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), Clementine O’Connor.
Problemas ambientais e de saúde acontecem com as práticas de produção intensiva de alimentos. A expansão da produção agrícola exige o desmatamento de árvores e a morte de animais selvagens; o desmatamento contribui para as mudanças climáticas; as mudanças climáticas favorecem a ocorrência de inundações, secas e tempestades, o que resulta em maior insegurança alimentar. Outro fator preocupante é o uso de pesticidas e fertilizantes para garantir maior rendimento à produção de alimentos. Além de poluir terra e água, causando a perda da biodiversidade, eles também intoxicam cerca de 25 milhões de pessoas a cada ano. O glifosato – herbicida mais utilizado no mundo, por exemplo, está associado ao surgimento do Linfoma não Hodgkin (LNH) e de outros tipos de câncer.

A adoção de dietas baseadas em vegetais requer menos uso de terras, produz menos gases de efeito estufa e exige menos uso de água, além de também desempenhar um papel importante na redução de doenças crônicas – como doenças cardíacas, derrames, diabetes e câncer – e de custos associados a tratamentos e a perda de renda.
O (PNUMA) apoia a transição para sistemas alimentares globais que impactem positivamente a nutrição, o meio ambiente e os meios de subsistência dos agricultores.

A agricultura precisa ser reconhecida como uma solução para a perda da biodiversidade, as mudanças climáticas e a poluição. As políticas devem ser construídas com a colaboração de várias partes interessadas e devem abordar de forma abrangente os sistemas alimentares, valorizando o capital natural, promovendo o uso sustentável da terra, prevenindo a poluição e a degradação ambiental e possibilitando aos produtores a oportunidade financeira de inovar em modelos mais sustentáveis.
Também é essencial a mudança de comportamento por parte dos consumidores, no sentido de adotarem dietas saudáveis e sustentáveis e práticas de prevenção de desperdício de alimentos – por meio da educação, conscientização, fortalecimento de ligações urbano-rurais e ambientes alimentares acolhedores. Fonte (ONU).

Da Redação
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