Corrida pela vacina contra Covid-19 no Brasil gera politização | Boqnews
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11 de dezembro de 2020

Corrida pela vacina contra Covid-19 no Brasil gera politização

Assim como a pandemia da Covid-19, a vacina não escapou da politização no Brasil, pois a cada dia surge um novo episódio desta novela entre as autoridades políticas e sanitárias. Enquanto isso, a curva de óbitos e internações está crescendo no País. Infelizmente, centenas de vidas estão sendo perdidas todos os dias.

Porém, a luz começa a surgir. A última semana foi de extrema importância para o avanço das vacinas.

O Reino Unido iniciou a vacinação em massa na última terça-feira (9), a primeira fase da distribuição de doses foi destinada aos profissionais da saúde e às pessoas que moram em asilos. A vacina utilizada pelo país europeu é da Pfizer em parceria com a laboratório alemão BioNTech. A dose tem eficácia de 95%, uma das peculiaridades da vacina é que ela precisa ser mantida em um ambiente a -70°C.

A Rússia também começou a realizar o mesmo processo de vacinação em massa com a Sputinik V, que tem vantagem de ser mais barata do que as outras.

Brasil

No Brasil, a questão da vacina vem sendo muito discutida e politizada. O bate-boca entre o governador de São Paulo, João Doria (PSDB) e o presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Saúde Eduardo Pazuello é o símbolo da situação do País na pandemia.

Doria criticou a conduta do ministro por excluir a Coronavac no plano nacional de imunização e a resposta de Pazuello foi seca. “A vacina do Butantan não é do Estado de São Paulo, tá governador!”, cutucou. Mas por que há tanta discussão principalmente entre os governos estadual e federal?

O cientista político Fernando Chagas citou que é importante lembrar que Bolsonaro e Doria disputam o mesmo eleitorado de centro, centro-direita, direita e extrema-direita em qualquer situação política e ambos são cotados à presidência do País na próxima eleição. Nesse contexto, os dois antagonistas desses espectros ideológicos politizam todos os assuntos de interesse nacional, até mesmo a forma de combate à pandemia da Covid-19, com um único objetivo de enfraquecer o seu adversário no campo político para ele entrar na disputa eleitoral de 2022 em desvantagem.

Vacinas

Três vacinas ganham destaque no Brasil. A primeira delas é a Coronavac. O governador João Doria anunciou que a vacinação será iniciada no dia 25 de janeiro.

Vale destacar que a primeira fase que ocorre do dia 25 de janeiro até o dia 22 de março com a aplicação de duas doses é exclusiva aos profissionais da saúde, indígenas, quilombolas e idosos.

Para a vacina ser aprovada, ela depende da liberação emergencial da Anivsa. Contudo há uma Lei Federal n° 13.979, no artigo n°3, que permite a autorização provisória da vacina, porém os critérios não são claros. A Coronavac já começou a ser produzida pelo Instituto Butantan. A previsão é que em janeiro 46 milhões de doses sejam disponibilizadas.

A vacina da Astrazeneca, em parceria com a Universidade de Oxford, da Inglaterra, também entrou na fase final dos testes. No Brasil, o desenvolvimento da vacina está sendo feito pela Fundação Oswaldo Cruz e tem o aval do Governo Federal. Tanto que o plano era vacinar a população a partir de março.
No entanto, este anúncio foi criticado, já que até lá, milhares de brasileiros serão vítimas da Covid-19. Outro detalhe importante consiste na eficácia da dose, tanto que as autoridades britânicas foram monitorar a situação dos testes clínicos do laboratório.

Já a vacina da Pfizer surge como uma alternativa possível para o Brasil ganhar tempo na luta contra o coronavírus. O laboratório já enviou os testes e os estudos da Anvisa, caso a aprovação emergencial seja feita. A vacinação poderá começar no País, se o Governo Federal realizar a compra.

As informações ainda são confusas por parte das autoridades. Nesta semana, o ministro Eduardo Pazuello, em entrevista à CNN Brasil, citou que a vacinação poderá começar neste mês ou em janeiro, data considerável improvável.

Médico

De acordo com médico infectologista Marcos Caseiro, a vacinação não pode ficar para março “O Governo Federal precisa tomar alguma medida efetiva. Não dá mais para ficar esperando. Voltamos a bater a marca de 800 óbitos por dia. É necessário que a vacina seja aprovada, seja de onde ela vier”, enfatizou o profissional.

Da Redação
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