Hora de fechar a torneira, crise hídrica volta a preocupar | Boqnews
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4 de junho de 2021

Hora de fechar a torneira, crise hídrica volta a preocupar

Novamente podemos ver o filme se repetir, com o mesmo clímax. A crise hídrica em grande parte do Brasil e no Estado de São Paulo neste ano já deixou de ser um risco e começa a ganhar contornos dramáticos que podem ter efeitos nos próximos meses.

É importante frisar que esta não é a primeira vez que a crise hídrica chama a atenção da população. Afinal, em 2014, São Paulo teve a pior crise de água de sua história.

Naquele ano, o Sistema Cantareira, responsável por abastecer a Região Metropolitana da Grande SP e parte da capital chegou a níveis críticos e foi preciso recorrer ao volume morto da represa que nunca tinha sido utilizado anteriormente. Além disso, outros reservatórios, como o Alto Tietê, lidaram com o mesmo problema.

Assim, em vários locais houve racionamento de água. Para se ter uma ideia, caminhões pipas foram utilizados para levar água às pessoas.

O principal fator para a crise em 2014 foi a estiagem que deixou o Estado na seca. Apesar desta situação se amenizar, São Paulo ainda não se livrou da crise hídrica.

Com menos prejuízos, a Baixada Santista também lidou com o mesmo problema naquele ano, segundo o climatologista Rodolfo Bonafim, foram 45 dias entre janeiro e fevereiro sem nenhuma chuva na região.

O climatologista destacou que em 2021 o índice pluvial novamente caiu, nada comparado a sete anos atrás, porém o cenário é preocupante “Em Santos, as chuvas ficaram abaixo da média nos primeiros meses do ano”, lembra o climatologista Rodolfo Bonafim. Como a Baixada Santista é uma área com chuvas razoáveis em todas as estações, as redes de abastecimento da região podem suprir a necessidade de outros locais, por meio de adutoras que fazem a transposição para a região metropolitana e o interior que tem uma previsão de índice pluvial pequeno ao longo do ano

“O Sistema Cantareira e outras bacias do interior já estão com problemas. A transposição de água já acontece, podemos citar como exemplo o Rio Itapanhaú, em Bertioga”. O rio sofreu reversão para abastecer, quando necessário, a Grande SP.

Especialista

O pesquisador da Universidade Santa Cecília (Unisanta), Renan Braga Ribeiro, ressaltou que o Sistema Nacional de Meteorologia emitiu um Alerta de Emergência Hídrica associado à escassez de precipitação para a região hidrográfica da Bacia do Paraná que abrange os estados de Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Paraná para o período de junho a setembro de 2021 “De modo geral, nessa região hidrográfica os riscos são de falta de água, racionamento tanto da água quanto da energia elétrica, pois mesmo em meses anteriores a precipitação foi abaixo da média histórica. Algo que já se concretizou, portanto não é mais risco”, citou o pesquisador.

Questionado sobre qual política o Governo Federal deve tomar para minimizar os impactos da crise hídrica, Ribeiro destacou que considerando que as mudanças climáticas afetam o ciclo hidrológico e que a vegetação contribui para o aumento das chuvas. Pensando no longo prazo, o governo deve adotar uma política ambiental efetiva, com redução do desmatamento, principalmente na região amazônica, e políticas para diminuição da emissão dos gases de efeito estufa. Por fim, ele citou que o aumento no desmatamento afeta diretamente as chuvas no Sudeste do país.

Pandemia

Lavar as mãos virou um hábito ainda mais comum na pandemia/ Foto: Divulgação

A crise hídrica é um fator ainda mais preocupante na pandemia da Covid-19, haja visto a necessidade de higienização. Assim, as pessoas aumentaram o hábito de lavar as mãos e tomar banho.

Mesmo com este panorama, as pessoas devem usar a água de forma consciente. A Sabesp, empresa responsável pelo abastecimento de água no Estado de São Paulo divulgou em seu site, formas para economizar água, como: usar regador para molhar as plantas ao invés de utilizar a mangueira, aproveitar a água da lavagem da roupa para fazer a faxina da casa e deixar a roupa acumular e lavar tudo de uma só vez.

Além disso, diminuir o tempo no banho e fechar a torneira, enquanto escovar os dentes são hábitos que fazem a diferença. Importante frisar que o Dia Mundial do Meio Ambiente é comemorado neste sábado (5).

Energia elétrica

Usinas hidrelétricas são responsáveis por grande parte da geração de energia no Brasil/ Foto: Divulgação

A crise hídrica também pode impactar o fornecimento de energia elétrica do Brasil, haja visto que grande parte das usinas no País são hidrelétricas, ou seja, usam a água para poder gerar a energia.

O sinal de alerta já foi ligado, tanto que a Agência Nacional de Nacional de Energia Elétrica (Aneel) anunciou que a partir deste mês, será imposta a bandeira tarifária vermelha patamar 2, assim será cobrado um valor adicional de R$ 6,24 a cada 100 kWh de energia consumidos.

Os aumentos na energia elétrica têm tido sucessíveis reajustes nos últimos anos no Brasil, tanto que o presidente Bolsonaro no fim do ano passado pediu para a população apagar a luz, caso não seja necessário, e diminuir o tempo do banho. É importante ressaltar que o Brasil pode usar ainda mais a energia termelétrica, que utiliza carvão, gás natural e o óleo combustível para a geração de energia. Além de ser mais poluente, esta tecnologia também é mais cara, trazendo ainda mais impactos.

Da Redação
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