Fernando Haddad (PT) defende união para enfrentar o PSDB em São Paulo | Boqnews
Foto: Carla Nascimento
29 de outubro de 2021

Fernando Haddad (PT) defende união para enfrentar o PSDB em São Paulo

Uma frente ampla de esquerda no Estado de São Paulo e no País.

É assim que o ex-ministro da Educação, ex-prefeito paulistano e candidato à Presidência da República em 2018, Fernando Haddad (PT), pensa para derrotar a atual situação nas próximas eleições, que acontecem em outubro de 2022.

Haddad esteve no Boqnews na última quinta-feira (28), onde concedeu entrevista. Dentre os principais pontos abordados pelo ex-prefeito incluíram a disputa para as eleições ao Governo de São Paulo. Haddad é um dos nomes cotados ao cargo.

É importante frisar que o cenário apresenta a possibilidade de diversos candidatos, como o ex-governador Geraldo Alckmin, que deve sair do PSDB, o também ex-governador Márcio França (PSB), Guilherme Boulos (PSOL), o atual vice-governador e possível candidato da situação, Rodrigo Garcia (PSDB), além de Arthur do Val (Patriota), entre outros.

O próprio presidente Jair Bolsonaro deverá lançar alguém em São Paulo.

Com muitos candidatos, podem surgir alianças no 2º turno. Assim, um amplo arco de composição está sendo discutido para derrotar um adversário comum. No caso, o PSDB. “Eu acho que não dá para ficar isolado”, salientou Haddad. “Não podemos errar no discurso no 1º turno”, complementou.

De acordo com o professor, o “Bolsodória” de 2018 não funcionou bem e trouxe muita controvérsia e pouco resultado, com prejuízos para a população em geral. “Não se brinca com ciência e saúde pública não pode ser objeto de disputa”, destacou Haddad.

uestionado sobre o encontro recente com Alckmin, conforme divulgado na imprensa, Haddad citou que sempre teve uma boa relação com o político.

Tanto Alckmin como Haddad lideram pesquisas eleitorais em São Paulo, com 26% e 17%, respectivamente, segundo o Datafolha.

Baixada Santista

Fernando Haddad ressaltou que antes de lançar pré-candidatura para o Palácio dos Bandeirantes, é necessário criar um bom plano de governo, estudando cada ponto das regiões.

Quanto à questão do sistema de travessia de balsas entre Santos e Guarujá, cujas filas cresceram desde o acidente envolvendo o navio Cap San Antônio, da Hamburg Sud, que destruiu duas plataformas de embarcação e uma balsa no mês de junho, além do projeto da ponte ou do túnel, Haddad foi taxativo.

“Uma obra pode atrasar um pouco, mas aqui nem começaram os trabalhos. Neste momento, temos a briga entre a ponte e o túnel, isso é para ganhar tempo, pois não querem resolver. Somos o Estado mais rico do Brasil e estamos atrasados, nenhum estudo leva tanto tempo assim. Eu garanto que vamos iniciar este projeto. É o desenvolvimento de São Paulo e da região”, citou Haddad.

Ele também acrescentou que é preciso oferecer mais oportunidades de emprego na Baixada Santista e em todo o Estado, pois esta inclusão pode ajudar outras áreas, como a segurança pública. Inclusive, a região está lidando casos de latrocínio nos últimos meses.

Pandemia

Adversário de Jair Bolsonaro (sem partido) nas últimas eleições, Haddad não poupou críticas ao Governo Federal, principalmente na questão da pandemia da Covid-19.

“O Bolsonaro não comprou vacina, estimulou a população a ficar sem máscara e reduziu o valor do Auxílio Emergencial. O resultado é que nem terminamos o mês de outubro e 2021 já teve o dobro de mortes por Covid-19 em relação ao ano passado”.

“Por mais de um ano, ele defendeu a cloroquina e ivermectina, medicamentos que não são comprovados cientificamente contra o coronavírus”, acrescentou.

Economia

Ele citou que o Governo Federal não respeita o teto de gastos.

“Bolsonaro está rompendo o teto do salário, chegando a pagar R$ 80 mil para militares próximos a ele”. Além disso, Haddad reprovou a política de economia de Paulo Guedes.

“A lógica do ministro é diminuir o salário do trabalhador, aumentar o lucro do empresário para ele investir. Porém, isso não acontece. De fato, o faturamento do empresário aumenta a curto prazo, mas ele acaba não investindo, pois não tem para quem vender. O Guedes está fazendo a conta errada”.

Além disso, o ex-ministro frisou que o Poder Executivo tem dinheiro em caixa para o orçamento para ajudar, sobretudo, a população mais vulnerável.

Presidência

Conforme as últimas pesquisas, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está na frente na corrida presidencial.

Questionado sobre quais erros, o Partido dos Trabalhadores não pode cometer se voltar ao poder, como os seguidos casos de denúncias de corrupção (Mensalão e Petrobras), Haddad não citou os erros e frisou que o PT descobriu a corrupção na Petrobras e que a então presidente Dilma Roussef demitiu os diretores da empresa.

Para Haddad, o juiz Sérgio Moro viu no caso do ex-presidente Lula uma possibilidade para ganhar destaque em âmbito nacional e entrar na política. “O caso do Lula não tem nada a ver com a Petrobras”.

Por fim, Haddad ressaltou que as operações da Polícia Federal aumentaram durante os governos do PT e o partido fortaleceu as leis para combater este tipo de crime.

Terceira Via

Ao que tudo indica, conforme ele, haverá polarização entre Bolsonaro e Lula. Ainda que muitos políticos como Ciro Gomes, João Doria, Eduardo Leite, Luiz Henrique Mandetta, Sérgio Moro tentem ocupar este espaço, chamado de ‘terceira via’.

Inclusive alguns deles participaram e discursaram na manifestação organizada pelo Movimento Brasil Livre (MBL) no mês passado.

Para Haddad, os candidatos da terceira via estão disputando poucos votos. “Talvez um consiga ultrapassar a marca de 10% de intenção de voto. Eu acho impossível alguém passar de 15%. Tenho 90% de certeza que teremos um segundo turno entre Bolsonaro e Lula”.

Meia-Entrada

Fernando Haddad, que é professor da Universidade de São Paulo (USP), também comentou sobre o projeto aprovado pela Assembleia Legislativa na última quarta-feira (27), de autoria do deputado estadual Arthur do Val (Patriota) que acaba com a meia-entrada de estudantes e idosos para eventos culturais e esportivos no Estado de São Paulo.

“É preciso investir na juventude. Eu acho um absurdo este projeto”.

O texto agora segue para o governador João Doria que vai decidir se veta ou não a proposta.

O governador do Estado em exercício Carlão Pignatari citou que o projeto não será sancionado.

Tanto João Doria como o vice Rodrigo Garcia estão no exterior.

Confira a entrevista completa.

Da Redação
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