Marcha da Maconha reúne mais de 500 no Rio
Para o sociólogo Renato Cinco, um dos organizadores do movimento, a
finalidade da marcha é “regulamentar o mercado da maconha”, desde a
produção até a comercialização e o uso. “Não só o uso recreativo como o
uso medicinal, o uso industrial, o uso religioso. Nós queremos a
regulamentação de todo esse mercado para que a proibição da maconha
deixe de ser mais um fator que alimenta a violência na nossa sociedade.”
Ele admite, no entanto, que o Congresso Nacional dificilmente
aprovaria qualquer mudança nesse sentido uma vez que a maioria da
sociedade ainda é contrária à liberalização da maconha. “A estratégia do
nosso movimento hoje não é pressionar o Congresso, mas debater com a
sociedade”, disse o sociólogo.
O líder da Banda Detonautas, Tico Santa Cruz, disse que apoia a
manifestação porque acredita que os artistas também têm responsabilidade
no debate sobre a descriminalização da maconha.
“Eu acho que é muita hipocrisia as pessoas continuarem discutindo
com preconceito. Acho que uma sociedade tabagista e alcoólatra não têm
moral para ter preconceito contra um debate tão sério quanto esse. E
para finalizar o que eu penso: quem é contra a legalização é a favor do
tráfico.”
A diretora da World Federation Against Drugs e presidente da
entidade Brasileiros Humanitários em Ação (BRAHA), Mina Carakushasnky,
especialista em prevenção ao uso de drogas, disse que a toxicidade da
maconha está bem estabelecida experimentalmente e clinicamente. “A droga
afeta o sistema nervoso central, o pulmão, a imunidade e a função
reprodutiva”, disse.
Mina afirma que a maconha é uma porta de entrada para outras drogas.
“Pessoas que usam maconha não usam necessariamente outras drogas, mas
todas as que usam cocaína, heroína, ecstasy, crack, começaram usando maconha”, afirmou.
A Marcha da Maconha foi autorizada pela Justiça estadual pelo terceiro ano consecutivo. Em 2008, a manifestação foi proibida.
O advogado do movimento, André Barros, conseguiu um habeas corpus
para que ninguém fosse preso durante a manifestação de hoje. “A
Constituição Federal garante o direito à liberdade de pensamento,
opinião e expressão e, para exercer esse direito, a Constituição também
garante o direito de reunião. Nós estamos aqui lutando contra esse
atraso da humanidade que é proibir a maconha, que inclusive é remédio
para diversos tipos de doença”, afirmou.