O relatório do IPCC e a raiva de António Guterres | Boqnews

Ponto de vista

Foto: Denis Balibouse
24 de março de 2022

O relatório do IPCC e a raiva de António Guterres

O Relatório do IPCC é um atlas do sofrimento humano. É dessa forma que António Guterres, secretário Geral da Organização das Nações Unidas, classifica o novo relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas. No discurso, Guterres abandona o tom ameno do “call to action” e dá uma verdadeira bronca mundial.

O Relatório do IPCC 2022 apresenta os resultados de anos de promessas vazias, tanto pelo mercado quanto pelos governos. O despertar tardio mundial para a crise climática claramente tem falhado em sua missão.

Entre os resultados mais perturbadores estão os impactos climáticos: quase metade da humanidade está vivendo em uma zona de perigo por causa das secas devastadoras, inundações recordes e a insegurança hídrica. Situações que ameaçam a segurança alimentar e os meios de subsistência de milhões de pessoas.

Segundo o reporte, mesmo se passássemos por um rápido processo de descarbonização, “os gases de efeito estufa que já estão na atmosfera e as atuais tendências de emissões ainda terão impactos climáticos significativos até 2040”. E isso significa que as mudanças climáticas poderão colocar aproximadamente 100 milhões de pessoas em situação de pobreza extrema.

Vocês querem um exemplo? Mesmo se atingirmos a meta global do Acordo de Paris, o aumento limite de 1,5º C, teremos o desaparecimento de geleiras por completo em todo o mundo; um adicional de 350 milhões de pessoas enfrentarão escassez de água até 2030 e até 14% das espécies terrestres estarão em risco de extinção.

Esses são alguns motivos pelos quais o secretário-geral da ONU está furioso. Guterres fala que a ausência de liderança é criminosa e que os maiores poluidores do mundo são os culpados pelo incêndio de nossa única resistência.

Ele cita que, ano após ano, a ciência nos mostra que é necessário cortar emissões em 45% até 2030 e alcançar emissão zero até 2050, porém estima-se um aumento de 14% nas emissões globais até o fim dessa década.

Em seu discurso, ele foca na responsabilização do setor privado que financia o carvão, alerta os gigantes do petróleo e gás e clama pela transição energética para um futuro de energias renováveis, como o “único caminho para garantir a segurança energética, o acesso universal e os empregos verdes de que o mundo precisa”. O que é necessário.

Comprometimento, financiamento e ação. Concordo com Guterres quando indica que o G20 precisa tomar a dianteira ou a humanidade vai pagar um preço ainda mais trágico. A janela de oportunidades para a ação climática está fechando.

É necessário um pacto entre governos, setor privado e sociedade civil com um planejamento para implementação de ações aplicáveis. Mudar de rumo, como temos visto, não é fácil, ainda mais por esbarrar em interesses econômicos tão diversos da agenda global.

A grande questão é: se não houver o compromisso, viveremos tragédias cada vez mais impactantes e recorrentes. Neste processo, a educação executiva é uma peça fundamental.

Quando despertamos no líder a consciência para o desenvolvimento sustentável e o impacto da sua organização nos indicadores ESG (meio ambiente, social e de governança), promovemos a mudança do micro para o macro.

Do chamado para década da ação, lá se foram dois anos. Em novembro será realizada no Egito a COP 27, espero que os resultados das discussões sejam muito mais aplicáveis do que nas outras Cúpulas. Queria terminar esse artigo com um discurso otimista, mas decido seguir o tom do discurso de António Guterres.

Estamos com raiva. E quero que você fique também, porque agora é hora de transformar essa fúria em ação para gerar impacto positivo na ação climática.

Norman de Paula Arruda Filho é presidente do ISAE Escola de Negócios, conveniada à Fundação Getulio Vargas, e membro do Comitê de Integridade da Rede Brasil do Pacto Global da ONU.

Norman de Paula Arruda Filho
Norman de Paula Arruda Filho
A opinião manifestada no artigo não representa, necessariamente, a opinião do boqnews.com

Quem Somos

Boqnews.com é um dos produtos da Enfoque Jornal e Editora, que edita o Boqnews, jornal em circulação em Santos, no litoral paulista, desde 1986.

Fundado pelo jornalista Jairo Sérgio de Abreu Campos, o veículo passou a ser editado pela Enfoque desde 1993, cujos sócios são os jornalistas Humberto Challoub e Fernando De Maria dos Santos, ambos com larga experiência em veículos de comunicação e no setor acadêmico, formando centenas de gerações de jornalistas hoje atuando nos mais variados veículos do País e do exterior.

Seguindo os princípios que nortearam a origem do Jornal do Boqueirão nos anos 80 (depois Boqueirão News, sucedido pelo nome atual Boqnews) como veículo impresso, o grupo Enfoque mantém constante atualização com as novas tendências multimídias garantindo ampliação do leque de conteúdo para os mais variados públicos diversificando-o em novas plataformas, mas sem perder sua essência: a credibilidade na informação divulgada.

A qualidade do conteúdo oferecido está presente em todas as plataformas: do jornal impresso ou digital, dos programas na Boqnews TV, como o Jornal Enfoque - Manhã de Notícias, e na rádio Boqnews, expandido nas redes sociais.

Aliás, credibilidade conquistada também na realização e divulgação de pesquisas eleitorais, iniciadas em 1996, e que se transformaram em referência quanto aos resultados divulgados após a abertura das urnas.

Não é à toa que o slogan do Boqnews sintetiza o compromisso do grupo Enfoque com a qualidade da informação: Boqnews, credibilidade em todas as plataformas.

Expediente

Boqnews.com é parte integrante da Enfoque Jornal e Editora (CNPJ 08.627.628/0001-23), com sede em Santos, no litoral paulista.

Contatos - (13) 3326-0509/3326-0639 e Whatsapp (13) 99123-2141.

E-mail: [email protected]

Jairo Sérgio de Abreu Campos - fundador / Humberto Iafullo Challoub - diretor de redação / Fernando De Maria dos Santos - diretor comercial/administrativo.

Atenção

Material jornalístico do Boqnews (textos, fotos, vídeos, etc) estão protegidos pela Lei de Direitos Autorais (Lei 9.610 de 1988). Proibida a reprodução sem autorização.

Este site usa cookies para personalizar conteúdo e analisar o tráfego do site. Conheça a nossa Política de Cookies.