Varíola dos macacos deve chegar ao Brasil em breve, explicam infectologistas | Boqnews
Foto: Arquivo/Agência Brasil
26 de maio de 2022

Varíola dos macacos deve chegar ao Brasil em breve, explicam infectologistas

O vírus Monkeypox, conhecido como varíola dos macacos começa a ganhar visibilidade na imprensa mundial, recentemente vários países da Europa registraram notificações da doença.

Só em Portugal, já foram detectados mais de 50 casos, o que liga o sinal de alerta para todas as nações. 

Cenário

Logicamente que existe uma preocupação natural das pessoas com a possibilidade da disseminação da varíola dos macacos, afinal no início de 2020, a covid-19 se espalhou pelo mundo e chegou ao Brasil no dia 26 de fevereiro. O vírus causou a maior tragédia sanitária da história do País, ao todo já são mais de 665 mil mortes. 

O infectologista Evaldo Stanislau explica que a varíola dos macacos não é preocupante no ponto de vista de causar uma pandemia ou uma complicação tão grave como o coronavírus, mas serve de alerta. 

“É preciso fazer uma reflexão, pois a varíola dos macacos é um indicador que estamos vulneráveis a doenças emergentes”, explicou. 

Stanislau citou que a doença deve chegar ao Brasil, não necessariamente com força. “Eu creio que vamos ter alguns casos e surtos localizados. Nós estamos vendo que os países que identificaram a doença, estão conseguindo controlar a disseminação e isso de uma maneira era esperado, pois é uma doença que já conhecemos a história natural dela”, enfatizou. 

O infectologista salientou que há vacinas para proteger e bloquear a progressão. 

Por fim, Evaldo Stanislau ressaltou que para evitar a disseminação é preciso identificar os casos suspeitos e isolados. Assim os pacientes deverão ser isolados e as pessoas que tiveram contato também devem ficar separadas e receber a vacina. 

Transmissão

O infectologista e professor de Medicina da Unaerp-Guarujá, Leonardo Weissmann explica que tradicionalmente, a varíola dos macacos é transmitida de animal para humano, principalmente por meio do contato com sangue, fluidos corporais ou lesões de pele ou mucosa de animais infectados, ou ainda por meio de uma mordida. 

“A transmissão de pessoa para pessoa pode ocorrer por contato próximo com material infeccioso de lesões de pele de um indivíduo infectado, por gotículas respiratórias em contato pessoal prolongado, frente a frente, e por objetos recentemente contaminados”, frisou Weissmann. 

Sintomas

A doença que surgiu no século passado no continente africano tem uma série de sintomas. 

Leonardo Weissmann cita que o sinal mais marcante são as lesões na pele com coceira, como verificamos na catapora, mas muito mais intensas. Além disso, a varíola dos macacos causa febre, dor de cabeça intensa, gânglios linfáticos aumentados, dores musculares e sensação de fraqueza intensa. 

“Sem proteção de vacina, a taxa de mortalidade varia de 3% a 6%, sendo mais letal em crianças pequenas, que têm um sistema imunológico menos desenvolvido”, finalizou o infectologista. 

Ministério da Saúde e Anvisa

Na última segunda-feira (23), o Ministério da Saúde anunciou a criação de uma sala de situação para monitorar o cenário da varíola dos macacos no Brasil. 

Até o momento, ainda não foi registrado nenhum caso da doença no País. 

Também nesta semana, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu uma nota reforçando a necessidade de adoção de medidas “não farmacológicas”, como distanciamento físico, uso de máscaras de proteção e higienização frequente das mãos, em aeroportos e aeronaves, para retardar a entrada do vírus no Brasil. 

 

Da Redação
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