Ensino médio: a emenda ficou pior | Boqnews

Ponto de vista

10 de abril de 2023

Ensino médio: a emenda ficou pior

Está decidido: a Reforma do Ensino Médio, discutida por 5 anos e adiada por mais 6, de 2017 (sua publicação) até 2023 (início da implantação), será descontinuada pelo Governo Federal.

A suspensão do prazo de implantação, além de ser uma surpresa para a maioria das pessoas, equipes e especialistas que trabalham com educação, se mostrou uma enorme incoerência do Ministro da Educação, Camilo Santana, e de seus principais secretários executivos da pasta.

O Ministro, ex-Governador do Ceará, e a Secretaria Executiva, Profª Izolda, ex-secretária de educação do mesmo Estado, foram os que mais se anteciparam durante suas gestões estaduais na implantação do novo ensino médio.

Cabe destacar que Ceará e Pernambuco fizeram parte de um grupo seleto de estados que receberam recursos e apoios técnicos de diversas ONGs para ter esta evolução rápida.

A chegada desta equipe, ministro e secretários, que atuaram neste projeto (implantação do ensino médio novo) com agilidade e qualidade, sinalizava uma outra direção e atitude.

Esperava-se um apoio do Governo Federal aos Estados para implantar a reforma e avaliar os resultados, dado que no Ceará foram excelentes.

Esta suspensão por 60 dias é quase que hilária, pois o que não se fez em cinco anos se fará até junho?

E os Estados que estão no meio da trajetória, voltam ou continuam remando em sua trajetória?

A insegurança e o desconforto causado com esta portaria de suspensão são maiores do que o descontentamento de alguns grupos de alunos, docentes e também representantes legais que não tem qualquer sugestão a apresentar.

O grande problema desta descontinuidade é a total falta de perspectiva de o que de melhor pode ser discutido e proposto se a nova discussão se encerrar em julho deste ano.

A discordância por parte de alunos consiste no entendimento de que flexibilidade curricular seria ‘fake’, dada a falta de ofertas motivadoras e de aplicação por conta de falta de recursos tecnológicos para desenvolver alguns cursos e também pela redução de 2400 horas para 1800 horas destinadas ao conteúdo curricular propedêutico a BNCC.

Sem concordar 100% com as condições da reforma, desarticulá-la sem ter o que ofertar de melhor nos parece uma postura de: “deixa como está para que o ENEM não tenha mudanças e crie mais dificuldades e custos em uma outra etapa, a de acesso ao ensino superior”.

Atender os grupos de esquerda que mais gritam, mas que não tem propostas a não ser fazer o mesmo do passado que não deu certo, é uma ação populista para baixar a tensão na comemoração dos 100 dias do Governo Federal.

A desmotivação dos que já acreditaram no Governo e avançaram muito na reforma é também alta.

A espera de mais 60 dias não trará nenhuma novidade relevante ao projeto.

O grande problema é que esta reforma ou outra qualquer trará à vista a baixa capacidade dos docentes da rede pública, a falta de recursos tecnológicos de todos os tipos nas escolas públicas e a baixa motivação das comunidades acadêmicas em pensar diferente ou aceitar trabalhar conteúdos de real demanda de mercado e interesse dos alunos.

Assim, esta reforma ou outra será sempre um grande fiasco, tendendo a desmoronar a cada momento de decisão, pois a visão é de que o saber não deve atender as necessidades sociais e, portanto, está dissociado da vida acadêmica da maioria dos alunos.

A reforma do ensino médio, bem aplicada, deveria dar conta de contextualizar o ensino e ampliar a educação profissional de nível médio, o que atenderia uma necessidade social importante de viabilizar a retomada do estudo de mais de dezenas de milhões de jovens que, hoje em idade produtiva, se tornarão os tomadores de recursos sociais para sobreviver no futuro.

Vamos acreditar que a serenidade e solidez faça parte da vida escolar em breve e que as dificuldades de encontrar parceiros deixem de existir para que a educação seja mesmo universal e verdadeira.

Francisco Borges é mestre em Educação e consultor da Fundação FAT em Gestão e Políticas Públicas voltadas ao Ensino

Francisco Borges
Francisco Borges
A opinião manifestada no artigo não representa, necessariamente, a opinião do boqnews.com

Quem Somos

Boqnews.com é um dos produtos da Enfoque Jornal e Editora, que edita o Boqnews, jornal em circulação em Santos, no litoral paulista, desde 1986.

Fundado pelo jornalista Jairo Sérgio de Abreu Campos, o veículo passou a ser editado pela Enfoque desde 1993, cujos sócios são os jornalistas Humberto Challoub e Fernando De Maria dos Santos, ambos com larga experiência em veículos de comunicação e no setor acadêmico, formando centenas de gerações de jornalistas hoje atuando nos mais variados veículos do País e do exterior.

Seguindo os princípios que nortearam a origem do Jornal do Boqueirão nos anos 80 (depois Boqueirão News, sucedido pelo nome atual Boqnews) como veículo impresso, o grupo Enfoque mantém constante atualização com as novas tendências multimídias garantindo ampliação do leque de conteúdo para os mais variados públicos diversificando-o em novas plataformas, mas sem perder sua essência: a credibilidade na informação divulgada.

A qualidade do conteúdo oferecido está presente em todas as plataformas: do jornal impresso ou digital, dos programas na Boqnews TV, como o Jornal Enfoque - Manhã de Notícias, e na rádio Boqnews, expandido nas redes sociais.

Aliás, credibilidade conquistada também na realização e divulgação de pesquisas eleitorais, iniciadas em 1996, e que se transformaram em referência quanto aos resultados divulgados após a abertura das urnas.

Não é à toa que o slogan do Boqnews sintetiza o compromisso do grupo Enfoque com a qualidade da informação: Boqnews, credibilidade em todas as plataformas.

Expediente

Boqnews.com é parte integrante da Enfoque Jornal e Editora (CNPJ 08.627.628/0001-23), com sede em Santos, no litoral paulista.

Contatos - (13) 3326-0509/3326-0639 e Whatsapp (13) 99123-2141.

E-mail: [email protected]

Jairo Sérgio de Abreu Campos - fundador / Humberto Iafullo Challoub - diretor de redação / Fernando De Maria dos Santos - diretor comercial/administrativo.

Atenção

Material jornalístico do Boqnews (textos, fotos, vídeos, etc) estão protegidos pela Lei de Direitos Autorais (Lei 9.610 de 1988). Proibida a reprodução sem autorização.

Este site usa cookies para personalizar conteúdo e analisar o tráfego do site. Conheça a nossa Política de Cookies.