Ano Internacional das Cooperativas: motivações e implicações | Boqnews

Ponto de vista

14 de março de 2025

Ano Internacional das Cooperativas: motivações e implicações

“As cooperativas estão presentes em comunidades grandes e menores, lutando contra a pobreza e a exclusão social, e demonstram a importância da cooperação para solucionar problemas mundiais.” (Organização das Nações Unidas – ONU)

Reconhecendo as contribuições e o potencial do movimento para a edificação de um mundo melhor, a Organização das Nações Unidas (ONU), depois de 2012, novamente contemplou o cooperativismo em seu calendário relevante, instituindo, em 2025, o segundo Ano Internacional das Cooperativas.

A iniciativa, ao dar visibilidade especial ao setor – que, por meio de 3 milhões de entidades, mobiliza mais de 1 bilhão de membros e emprega 280 milhões de trabalhadores nos cinco continentes –, lança luz sobre a sua repercussão na economia; na inclusão e justiça sociais; na sustentabilidade e na redução da desigualdade, dimensões que, entre outras, convergem para a paz social, desígnio maior da ONU.

Trata-se de marco significativo para o segmento, dado que o debate em escala global cria atmosfera propícia à renovação e verticalização de incentivos e a novas adesões a fortalecerem esse modelo de empreendedorismo coletivo no Brasil e no mundo.

Apesar dos avanços já alcançados dentro e fora do país – que não são poucos –, há espaço substantivo para que o movimento amplie seu impacto positivo nas dimensões socioeconômica, ambiental, climática e de governança (neste particular, lembrando do mês internacional da mulher, com a necessária ênfase à equidade de gênero) e, sob tal perspectiva, credencie-se a novos estímulos perante os governos locais.

Entre as matérias que deverão compor a pauta cooperativista estão:

Defesa e Ampliação de Políticas Públicas para Cooperativas – No Brasil, a manutenção, para alguns ramos, e a intensificação, para outros, do modelo regulatório favorável é essencial para ascender o protagonismo do setor. Com a Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30) no horizonte, o cooperativismo pode acentuar suas contribuições em áreas como finanças sustentáveis, mercado de carbono, transição energética e economia circular.

Fortalecimento da Educação Cooperativa e Financeira – A inserção da educação cooperativa e financeira nos currículos escolares e universitários tem-se tornado uma necessidade social inadiável, sendo fundamental para formar, desde logo, pessoas engajadas com o propósito cooperativista e conscientes de suas possibilidades financeiras.

Fomento à Inovação e Digitalização no Cooperativismo – O avanço da tecnologia descortina um campo extenso de oportunidades para estender os efeitos cooperativistas. A indução ao uso de plataformas digitais tende a melhorar a eficiência das cooperativas e torná-las ainda mais competitivas nos seus respectivos mercados. O caminho aqui é impulsionar ambientes propícios à inovação e à adoção de novas tecnologias; é escolher ir até onde outras instituições não foram. Ademais, a inclusão financeira deve ser uma prioridade entre os objetivos das cooperativas, garantindo que indivíduos e comunidades hoje sem acesso facilitado e adequado a serviços financeiros possam se beneficiar dessas prerrogativas.

Compromisso com a Sustentabilidade e a COP30 – Programada para ocorrer no Brasil, a COP30 será palco da eleição e reafirmação de importantes diretrizes globais para o enfrentamento da crise climática. Em razão de sua essência, o cooperativismo desempenha papel crucial nesse debate. As cooperativas devem expandir suas operações em defesa do clima, voltadas a energias renováveis e à agricultura e pecuária sustentáveis, além de contribuir ativamente com propostas para a agenda climática da Conferência e direcionadas a outras dimensões do tripé ESG.

Em síntese, o foco das atenções há de apontar para cinco grandes temas a merecerem abordagem conjunta entre o movimento, órgãos oficiais, instituições civis e a sociedade em geral: 1º) legislação, políticas e instituições de apoio às cooperativas; 2º) educação e capacitação; 3º) cultura cooperativa; 4º) financiamento e finanças e 5º) redes e parcerias.

A par de muitas outras ações voltadas ao interesse social, e de estar em centenas de localidades onde não há outra instituição presente, promovendo a prosperidade e a cidadania financeira, o cooperativismo financeiro brasileiro passa a dar a sua contribuição direta no âmbito do Círculo de Liderança de Cooperativas e Mútuas (CM50) da Aliança Cooperativa Internacional (ACI), fórum que tenho a honra de integrar com a chancela da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) e o endosso da ACI-Américas.

Formado por 50 líderes advindos da geografia e da demografia universais do cooperativismo, o grupo está à frente da missão de articular medidas concretas para tornar ainda mais efetiva a ação cooperativista em todo o Globo.

Entre os principais objetivos do CM50, cujos resultados serão anunciados em novembro próximo em Doha, no Catar, durante a Segunda Cúpula Social Mundial (WSS), convocada pela ONU, estão:

  •  – Influenciar políticas públicas globais para reforçar o papel das cooperativas no combate à pobreza, na redução das desigualdades e promoção da inclusão social.
  • – Criar um plano de compromisso de cinco anos, com diretrizes claras para a expansão do cooperativismo em diferentes campos.
  • – Apoiar e incentivar o poder público a adotar políticas de fomento ao setor, seguindo exemplos como o do Reino Unido, que busca dobrar o tamanho do seu setor cooperativo.

Vale ressaltar que atuação das nossas cooperativas financeiras e entidades coirmãs dos demais ramos, conjunto do qual provém 11% de toda riqueza produzida no país, reforça a importância do cooperativismo brasileiro nos cenários doméstico e internacional, reunindo todas as condições para dar respostas mais expressivas aos desafios globais.

Para concluir, a velha máxima do bônus que carrega ônus equivalente: a celebração, do lado cooperativo, implica responsabilidade em correspondente escala, uma vez que se elevará a expectativa da instituição promotora e dos governos apoiadores, bem como da própria sociedade – doravante mais bem informada –, sobre as entregas cooperativistas.

Como retribuição, portanto, e em fidelidade ao lema proclamativo, cabe aos líderes, sobretudo, e demais atores do movimento assumirem compromissos firmes e adotarem atitudes transformadoras a consagrarem o cooperativismo como solução vanguardista e de referência na construção de um mundo melhor.

 

Ênio Meinen é diretor de Coordenação Sistêmica, Sustentabilidade e Relações Institucionais do Sicoob (Sistema de Cooperativa de Créditos do Brasil) e autor de “Cooperativismo financeiro na década de 2020: sem filtros! (Confebras, 3ª ed. 2023)”

Ênio Meinen
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