Calor extremo no trabalho afeta saúde a curto e longo prazo | Boqnews
Foto: Tânia Rego/Agência Brasil
23 de março de 2025

Calor extremo no trabalho afeta saúde a curto e longo prazo

Para enfrentar o calor intenso, a pesquisadora Tatiane Cristina Moraes de Sousa recomenda manter-se hidratado e ter uma toalha úmida sempre por perto. Professora do Departamento de Epidemiologia do Instituto de Medicina Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), ela alerta sobre os impactos imediatos e a longo prazo na saúde humana devido às altas temperaturas registradas na cidade do Rio de Janeiro.

Somente nos dois primeiros meses de 2023, mais de 5 mil pessoas procuraram atendimento médico no Sistema Único de Saúde (SUS) devido ao calor excessivo, segundo dados da Secretaria Municipal de Saúde (SMS-RJ).

“Quando falamos dos impactos, é importante considerar como a pessoa está exposta ao calor — por quanto tempo, se está em um ambiente fechado ou ao ar livre, se está trabalhando”, explica a professora.

Entre os efeitos imediatos da exposição ao calor, ela cita sinais como exaustão e insolação, que, em casos graves e sem o tratamento adequado, podem levar a complicações em órgãos vitais. “A pessoa pode desmaiar, ter náuseas e outros sintomas que indicam que está desenvolvendo uma insolação. O risco mais grave é o óbito, que pode ocorrer dependendo das condições”, alerta Sousa, mencionando o caso trágico da universitária Ana Clara Benevides Machado, que morreu de exaustão durante um show de Taylor Swift no Rio em 2023.

Efeitos

Além dos efeitos imediatos da exposição direta ao sol, principalmente em dias com altas temperaturas e sensação térmica, a professora também alerta para os impactos a longo prazo. Ela explica que a exposição prolongada ao calor exige um maior esforço do corpo para regular sua temperatura. “Nosso sistema cardiovascular e renal trabalham mais para manter a temperatura do corpo em torno de 37ºC. Expor o corpo a esse esforço constante pode aumentar o risco de doenças crônicas”, diz.

Além disso, embora o Rio de Janeiro tenha registrado temperaturas recordes, como a máxima de 44ºC em 17 de janeiro de 2025, a pesquisadora destaca que o calor excessivo não é um problema exclusivo da cidade, mas uma questão que precisa ser enfrentada por diferentes sistemas de gestão pública e pela sociedade.

“A hidratação é essencial. A prefeitura disponibilizou pontos de hidratação gratuita pela cidade, mas sabemos que a melhor estratégia é evitar a exposição ao calor entre 11h e 15h. No entanto, isso afeta principalmente os trabalhadores, que têm horários fixos e muitos deles não podem parar nesse período”, reflete Sousa.

Contudo, ela também alerta sobre a vulnerabilidade de trabalhadores informais, como entregadores e vendedores ambulantes, que dependem dos horários de pico para ganhar a vida. “Como garantir que esses trabalhadores não atuem nos horários mais quentes, se é justamente nesse período que eles mais ganham?”, questiona a pesquisadora.

Outro fator de risco é a idade. Idosos e crianças são mais suscetíveis aos problemas causados pelo calor intenso. Muitos trabalhadores informais, como vendedores ambulantes, também sofrem de doenças como hipertensão, diabetes e problemas renais e cardíacos, o que aumenta o risco de complicações durante o calor extremo.

Proteção 

Para proteger os trabalhadores informais, Sousa recomenda procurar áreas cobertas e ventiladas, usar chapéus o tempo todo e saber quando é hora de interromper a atividade e procurar ajuda. “O poder público precisa intensificar o acesso a socorro e assistência durante esses períodos de calor extremo”, diz.

Além disso, ela sugere refrescar o corpo com água ou uma toalha molhada. Para Sousa, essas precauções não devem ser exclusivas do verão, mas precisam ser parte de um planejamento mais amplo para os próximos períodos quentes. “Faltam ações concretas, e isso não pode parar agora, só porque estamos no verão. Precisamos de um planejamento para enfrentar os períodos de calor, que, embora inesperados, se tornarão cada vez mais frequentes”, conclui a professora.

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Francielly Barbosa, Agência Brasil
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