Aos 17 anos, Robinho Jr. vive um dos capítulos mais marcantes de sua ainda curta trajetória no futebol. Herdeiro de um nome forte na história do Santos, o atacante estreou oficialmente pelo time profissional na vitória por 1 a 0 sobre o Flamengo, pela 14ª rodada do Campeonato Brasileiro. O cenário não poderia ser mais simbólico: gramado da Vila Belmiro lotado, torcida empolgada e a camisa 7 nas costas — a mesma que imortalizou o pai, hoje preso por condenação em segunda instância por violência sexual.
A estreia de Juninho, como é chamado internamente e nas categorias de base, marca não apenas a ascensão de um novo talento, mas também um novo momento para o clube, que aposta no protagonismo jovem sob a tutela de um dos seus maiores nomes recentes: Neymar.
O craque santista, campeão da Libertadores de 2011 e destaque na volta ao clube em 2024, assumiu papel de mentor de Robinho Jr. Desde os primeiros treinos no CT Rei Pelé, Neymar tem se aproximado do garoto, orientando-o, aconselhando -o e até participando de desafios de habilidade em vídeos compartilhados nas redes sociais do Santos.
Pressão, herança e apoio
Juninho carrega o peso de um sobrenome que evoca memórias poderosas na Vila Belmiro. O pai, Robinho, foi revelado no Santos e conquistou títulos marcantes com a camisa 7, incluindo o Campeonato Brasileiro de 2002.
Mas desde 2024, o ex-jogador cumpre pena em regime fechado por crime cometido na Itália. A sombra dessa condenação é inevitável, mas o clube e Neymar têm atuado para blindar o jovem.
Mesmo com o legado controverso, Juninho tem mostrado personalidade e maturidade. Sua chegada ao elenco principal aconteceu durante a paralisação para a Copa do Mundo de Clubes.
Nos treinos, chamou atenção do técnico Cleber Xavier, que o levou para o amistoso contra a Desportiva Ferroviária, no Espírito Santo.
Vestindo a histórica camisa 7, Juninho deu uma assistência para Diego Pituca naquele jogo e reforçou sua condição de promissor.
O desempenho abriu caminho para a estreia no Brasileirão. Diante do então líder Flamengo, entrou no segundo tempo, com o placar ainda em 0 a 0, e mostrou movimentação, iniciativa e bom entendimento tático.
Estreia no profissional
A torcida, que já demonstrava carinho pelo jovem desde o anúncio das escalações, se empolgou ainda mais com sua entrada em campo aos 19 minutos da segunda etapa.
Na arquibancada, ecoou um canto que marcou gerações: “Olê, lê, olá, lá, o Robinho vem aí e o bicho vai pegar” — agora reeditado em homenagem ao filho.
Neymar, autor do gol da vitória, também viveu um reencontro com as origens. Após ter sido apadrinhado pelo pai de Juninho no início da carreira, ele agora retribui com o mesmo gesto, guiando a nova promessa nos primeiros passos como profissional.
Cautela
Apesar da empolgação da torcida, o Santos trabalha com cautela na transição de Robinho Jr. ao elenco profissional.
A diretoria e a comissão técnica estão atentas para evitar a superexposição do garoto, especialmente neste momento em que carrega, além do sobrenome pesado, uma expectativa crescente por parte da mídia e da torcida.
A estratégia é integrá-lo gradualmente ao time principal, dando espaço em momentos pontuais e trabalhando aspectos físicos e psicológicos com a equipe multidisciplinar do clube.
Enquanto isso, a torcida santista volta a sonhar com o surgimento de mais um “raio”. O termo, usado para descrever a aparição de talentos como Robinho, Neymar e Rodrygo, pode ter encontrado seu novo protagonista.
Com habilidade, confiança e o suporte do maior nome da atual geração santista, Robinho Jr. dá seus primeiros passos para tentar construir a própria história — dentro e fora das quatro linhas.
Gramado da Vila
A parada no futebol brasileiro por causa da Copa do Mundo de Clubes foi valiosa para o Santos dentro e fora das quatro linhas. Enquanto Neymar e o elenco santista realizaram uma intertemporada com foco em preparação física e ajustes táticos — refletidos na vitória por 1 a 0 sobre o Flamengo — a Vila Belmiro passou por uma renovação completa no gramado.
Quase um mês sem partidas, o clube realizou uma revitalização técnica no campo, aproveitando o tempo livre no calendário.
A intervenção gerou resultados visíveis no reencontro com a torcida e foi bem recebida até por jogadores adversários. O lateral Danilo, ex-Santos e hoje no Flamengo, elogiou a nova condição do gramado logo após a partida da última quarta-feira (16).
Segundo Alexandre Librandi, coordenador de patrimônio do Santos, houve um pequeno investimento adicional fora do orçamento regular de manutenção. Ainda assim, controlamos o custo e obtivemos resultados imediatos.
“O gramado da Vila foi pioneiro quando implantado, entre 1996 e 1997. Até hoje, mantém uma infraestrutura de qualidade. Ele conta com drenagem a vácuo, o que garante boa jogabilidade mesmo em dias de chuva”, explicou Librandi.
O Santos FC volta a campo nete sábado quando enfrentará o Mirassol, no interior paulista, às 18h30. O Mirassol já venceu Corinthians e São Paulo pelo Brasileirão e empatou na última quarta contra o Palmeiras por 1 a 1, o que mostra que a equipe – até então desacreditada – tem sido uma verdadeira ‘pedra no sapato’ da elite paulista.
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