Acordo Mercosul-UE é a resposta do multilateralismo ao isolamento | Boqnews

Ponto de vista

Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
19 de janeiro de 2026

Acordo Mercosul-UE é a resposta do multilateralismo ao isolamento

Numa época em que o unilateralismo isola os mercados e o protecionismo inibe o crescimento global, duas regiões que partilham valores democráticos e um compromisso com o multilateralismo optam por um caminho diferente.

Contrariando a lógica das guerras comerciais, que fragmentam as economias, empobrecem as nações e aumentam a desigualdade, o Mercosul e a União Europeia assinarão amanhã um dos acordos mais abrangentes do século XXI.

Após mais de 25 anos de negociações e fundamentado na convicção de que somente a integração e a abertura comercial podem promover a prosperidade compartilhada, o acordo cria a maior área de livre comércio do mundo. Nenhuma economia existe isoladamente.

O comércio internacional não é um jogo de soma zero. Todas as economias buscam crescer, e essa nova parceria criará oportunidades mútuas de emprego, geração de renda, desenvolvimento sustentável e progresso econômico.

Juntos, os 31 países do Acordo Mercosul-União Europeia representam aproximadamente 720 milhões de cidadãos.

Nosso PIB combinado ultrapassa US$ 22 trilhões. O acordo ampliará o acesso recíproco a mercados estratégicos por meio de regras claras, previsíveis e equilibradas.

Ao remover barreiras comerciais e estabelecer padrões regulatórios comuns, o investimento, as exportações e as cadeias de valor se expandirão em ambos os lados do Atlântico.

Uma sólida complementaridade comercial une as economias da América do Sul e da Europa.

A versão do acordo aprovada protege os interesses dos setores vulneráveis, garante a proteção ambiental, promove valores compartilhados como democracia e direitos humanos, fortalece os direitos trabalhistas e preserva o papel do Estado como motor estratégico do desenvolvimento econômico e social.

Este acordo foi possível porque o Mercosul e a União Europeia compreenderam que tinham muito mais a ganhar juntos do que individualmente e optaram por um diálogo baseado no respeito e na igualdade.

Os dois blocos encontraram áreas de convergência mesmo diante de perspectivas divergentes, demonstrando que a cooperação é significativamente mais eficaz e vantajosa do que a intimidação e o conflito. Agradecemos aos países do Mercosul e à União Europeia pelo seu empenho em concluir um acordo tão importante.

A assinatura, no entanto, representa apenas um primeiro passo. Amanhã começa uma nova fase de análise para garantir a implementação rápida e transparente do que foi acordado.

O verdadeiro sucesso do acordo será medido pela rapidez com que seus benefícios chegarem às prateleiras dos supermercados, aos campos, às fábricas e aos lares.

Inúmeros setores de ambos os lados se beneficiarão, da bioeconomia à indústria de alta tecnologia, e dos pequenos e médios agricultores às pequenas, médias e grandes empresas.

Os consumidores europeus e sul-americanos terão acesso a uma gama mais ampla de produtos a preços mais baixos, enquanto os produtores alcançarão novos mercados.

Além dos benefícios comerciais e econômicos, o acordo também une parceiros ligados por laços históricos e um compromisso comum com a democracia e o multilateralismo. A interdependência é tanto uma necessidade quanto uma realidade.

Somente a ação conjunta entre Estados e blocos regionais pode promover a paz, prevenir atrocidades e enfrentar os efeitos mais severos das mudanças climáticas.

Num contexto de crescente protecionismo e unilateralismo, o acordo demonstra que um modelo diferente de governança global é possível – um modelo mais ativo, representativo, inclusivo e justo.

Esses mesmos princípios orientam nossa busca por instituições multilaterais renovadas, incluindo a reforma da Organização Mundial do Comércio e do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Em meio à ascensão do extremismo político, o Mercosul e a União Europeia demonstram, de forma concreta, como o multilateralismo, que trouxe imensos benefícios ao mundo após a Segunda Guerra Mundial, continua relevante e indispensável.

 

Luiz Inácio Lula da Silva é presidente residente da República Federativa do Brasil

Luiz Inácio Lula da Silva
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