Cidade que se destaca pela diversidade cultural, turismo, economia e esportes, Santos celebra mais um ano de história na próxima segunda-feira (26).
É uma data importante para relembrar o passado, valorizar o presente e projetar o futuro de uma cidade que segue em constante transformação.
Datas controversas
Contudo, uma curiosidade é que existe uma confusão com a data de aniversário de Santos. Segundo o jornalista e presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Santos, Sergio Willians, a data de aniversário é considerada controversa porque ela mistura critérios históricos diferentes em um mesmo bolo.
“Durante muito tempo, a cidade comemorou seu aniversário com base em um critério jurídico claro: o dia 26 de janeiro de 1839, quando Santos foi oficialmente elevada à condição de cidade por meio de uma lei provincial”.
“Esse era um marco preciso, documentado e fácil de explicar. O problema é que Santos já existia muito antes disso, funcionando como povoado, porto ativo e, depois, como vila desde o século XVI. Em história, também é comum considerar como “fundação” o momento da primeira ocupação permanente, a criação de instituições essenciais, como igrejas e hospitais. Assim como, principalmente no período colonial, a elevação do povoado à categoria de vila, que era o verdadeiro nascimento administrativo de uma localidade”.
Confusão
Aliás, ele acrescenta que a confusão se aprofundou em 1995, durante o governo do prefeito David Capistrano. Naquele momento, a assessoria de comunicação da Prefeitura preparava as comemorações dos 177 anos de Santos, que seriam celebrados em 1996, com base na elevação à condição de cidade. Foi então que se percebeu que, se o aniversário fosse “transportado” para o período colonial, considerando o ano de 1546 como referência para a elevação do povoado à condição de vila, Santos estaria completando 450 anos. Desse modo, um número muito mais simbólico, redondo e forte do ponto de vista da comunicação e do imaginário coletivo do que os modestos 177 anos.
Portanto, Willians menciona que o governo decidiu adotar oficialmente a contagem colonial, transferindo o aniversário da cidade para o século XVI. Como não existe uma data precisa para o ato de elevação da vila por Braz Cubas, optou-se por manter o já tradicional 26 de janeiro, que, na verdade, está ligado à elevação de Santos à condição de cidade em 1839. Assim, passou-se a comemorar, no mesmo dia, um aniversário baseado em outro evento histórico e em outro século, o que tornou a data ao mesmo tempo simbólica, prática e historicamente controversa, uma solução engenhosa, mas que explica por que o aniversário santista até hoje provoca debates.
Braz Cubas
Além disso, o jornalista comenta que Braz Cubas foi a figura central na consolidação de Santos. “Investido no cargo de capitão-mor da Capitania de São Vicente em 1545, ele optou por fixar residência no então povoado de Enguaguaçu, rompendo com a tradição de seus antecessores, que residiam na Vila de São Vicente. Coube a ele impulsionar o crescimento do núcleo santista, promovendo a transferência definitiva do porto para junto do povoado, estimulando a ocupação agrícola, estruturando a defesa do território e, sobretudo, fundando a Santa Casa de Misericórdia de Todos os Santos, primeiro hospital do Brasil, instituição que conferiu prestígio, centralidade e identidade ao lugar.”
Assim, Willians ressalta que a dificuldade em estabelecer uma data exata para a elevação do povoado à condição de vila reside no fato de que o ato praticado por Braz Cubas não deixou registro formal preservado, como um foral, uma carta régia ou um auto solene com data definida.
Ao contrário do que ocorreu em outros núcleos coloniais, o processo parece ter sido gradual, diluído no tempo, fruto da consolidação prática do poder local e do reconhecimento progressivo do povoado como vila, sem que tenha sobrevivido um documento fundador inequívoco.
Santa Casa de Santos
Além disso, Willians menciona que em 1543, Braz Cubas, juntamente com alguns moradores do povoado, fundou a Irmandade da Misericórdia de Todos os Santos, que mantinha um pequeno espaço com funções hospitalares. Essa iniciativa deu origem à atual Santa Casa da Misericórdia de Santos, considerada o hospital mais antigo do Brasil.
“Ao longo de sua história, a instituição funcionou em quatro endereços diferentes: inicialmente na atual Praça Antônio Telles, esquina com a Rua Braz Cubas; depois na Praça Mauá, esquina com a Rua Riachuelo (no lado voltado para o Monte Serrat); em seguida, nas encostas do Morro Fontana; e, por fim, em sua sede atual, no bairro do Jabaquara, inaugurada em 1945 com a presença do então presidente Getúlio Vargas.”
Porto de Santos
Enguaguaçu, palavra indígena que tem como tradução grande enseada do rio. Assim era chamada a atual cidade de Santos, fundada em 1546 como vila é uma das mais antigas do Brasil. A colonização pode ser observada nas ruas do municípios, que carrega uma forte arquitetura portuguesa, com referências da época europeia. As histórias se fundem e assim, nasce apenas uma: a consolidação de uma importante cidade portuária para o País.
Com os primeiros movimentos marítimos datados no início do século XVI, o fundador da Vila Santos, Braz Cubas, foi o responsável por estabelecer a localização do porto. A geografia do estuário santista era ideal para receber os navios, inibindo piratas e saqueadores. Ao decorrer do tempo, o comércio se intensificou, aumentando gradativamente o fluxo econômico e populacional.
Para compreender o enlace do Porto com a cidade é necessário voltar algumas décadas. No final do século 19, a produção de café no interior de São Paulo ganhou grandes proporções. E era necessário mão de obra para suprir a demanda.
Logo, houve a necessidade de construir moradias e conduzir as águas do rio, que estava se misturando com o esgoto e proliferando doenças entre os habitantes. Para sanar o problema, Saturnino de Brito projetou os canais de Santos que funcionam até os dias atuais para escoar águas pluviais. A inauguração oficial do Porto de Santos só ocorreu em 1892. Dessa forma, quando a empresa privada Companhia de Docas de Santos (CDS) inaugurou os primeiros 260 metros de cais, tornando-se o primeiro Porto Organizado do Brasil. Em 1980, a administração portuária passou a ser do Governo Federal.
Café
A história do café em Santos confunde-se com a do próprio Porto. Desde que a produção cafeeira teve início no Vale do Paraíba, no final do século XVIII, a cidade assumiu o papel de principal canal de escoamento do País. Desse modo, conectando o grão brasileiro aos exigentes mercados da Europa. O auge da indústria cafeeira reconfigurou a paisagem urbana de Santos. No epicentro desse dinamismo estavam as ruas XV de Novembro e do Comércio. A primeira, em particular, ficou imortalizada como a “Wall Street brasileira”. Portanto, servindo de reduto para casas exportadoras, agências marítimas, bancos e a imponente Bolsa Oficial de Café.
Santos FC
O Santos FC foi fundado por três esportistas do município, Mário Ferraz de Campos, Francisco Raymundo Marques e Argemiro de Souza Júnior. Os três convidaram os interessados para participar de reunião para inaugurar o novo clube. A reunião aconteceu no dia 14 de abril de 1912. Dessa maneira, na sede do Clube Concórdia, na antiga rua do Rosário, 18 (atual rua João Pessoa, 8/10). São considerados sócios-fundadores os 39 participantes dessa reunião. O nome foi sugerido por Edmundo Jorge de Araújo: Santos Foot-Ball Club.
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