Master: o alerta de delegados da Polícia Federal em rota de colisão com o STF | Boqnews

Ponto de vista

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
30 de janeiro de 2026

Master: o alerta de delegados da Polícia Federal em rota de colisão com o STF

O Brasil já viu esse filme antes: um grande caso, cifras bilionárias, impacto direto no sistema financeiro e a promessa de que, desta vez, tudo será apurado e os responsáveis punidos com o rigor da lei.

No começo, expectativa. Depois, decisões estranhas. No fim, processos questionados, provas fragilizadas e aquela sensação amarga de que a verdade ficou pelo meio do caminho.

E não é que a história parece se repetir, agora, com o Banco Master?

A investigação envolvendo a instituição financeira, com liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central do Brasil, começa a acender tal alerta.

O escândalo, um dos mais emblemáticos dos últimos tempos, ganhou novos contornos com a divulgação de nota pública, no dia 17 de janeiro, pela Associação Nacional dos Delegados da Polícia Federal (ADPF), com direito a severas críticas à atuação do Supremo Tribunal Federal (STF) nos inquéritos relacionados à empresa de Daniel Vorcaro.

A entidade diz acompanhar com elevada preocupação a condução das investigações e descreve um cenário que classifica como atípico.

A nota fala, ainda, em interferências no planejamento investigativo, prazos incompatíveis com a complexidade do caso, determinações sobre diligências específicas, lacração e envio de materiais apreendidos a outros órgãos e até em escolha nominal de peritos.

Para quem não vive o dia a dia do sistema de Justiça, vale explicar o funcionamento.

Investigação criminal exige método, técnica, sequência lógica e cadeia de custódia – incumbências da Polícia Federal (PF).

Ao Ministério Público (MP), cabe a tarefa de acusar. Já o Judiciário tem a missão de julgar.

Essa divisão de atribuições é que protege processos de abusos e evita que tudo seja anulado lá na frente – como já vimos por um sem-número de vezes na história recente do Brasil.

O debate sobre a separação desses papéis rompeu a lógica de que qualquer crítica ao STF partiria apenas de um campo político.

Isto, porque setores da Esquerda, do mercado financeiro e até a grande Imprensa, historicamente cautelosos, passaram a expressar desconforto com a expansão de poderes e de interferências que extrapolam o papel constitucional do Judiciário no Brasil.

Analiso isso com o olhar de quem passou décadas no Jornalismo e aprendeu que silêncio também é uma escolha.

Chama a atenção como um tema dessa gravidade foi tratado, por tanto tempo, de forma lateral. Talvez, por ser técnico, por não render manchetes, ou por mexer com estruturas que muitos preferiram não questionar. Mas Democracia não combina com mudez seletiva.

Questionar excessos, afinal, não é atacar o Judiciário. Defender limites não é enfraquecer o combate à corrupção no País. Ao contrário: investigações fortes só geram resultados duradouros quando respeitam diretrizes, papéis e regra de competência.

O Brasil não precisa de investigações espetaculares que terminam anuladas, mas, sim, de processos sólidos, com técnica, equilíbrio e respeito à legislação vigente, capazes de resistir ao tempo e ao escrutínio público.

Quando até delegados da PF sentem a necessidade de alertar, publicamente, que algo está fora do lugar, o mínimo que se espera é atenção, debate e correção de rumo.

Democracia, por fim, não é poder sem limite. É autoridade com responsabilidade.

Ignorar isso, hoje, é preparar o País para a frustração de amanhã e para mais um capítulo da famigerada certeza da impunidade.

 

Rosana Valle é deputada federal pelo PL-SP, em segundo mandato; presidente da Executiva Estadual do PL Mulher de São Paulo; jornalista há mais de 25 anos; e autora dos livros “Rota do Sol 1” e “Rota do Sol 2”.

Rosana Valle
Rosana Valle
A opinião manifestada no artigo não representa, necessariamente, a opinião do boqnews.com

Quem Somos

Boqnews.com é um dos produtos da Enfoque Jornal e Editora, que edita o Boqnews, jornal em circulação em Santos, no litoral paulista, desde 1986.

Fundado pelo jornalista Jairo Sérgio de Abreu Campos, o veículo passou a ser editado pela Enfoque desde 1993, cujos sócios são os jornalistas Humberto Challoub e Fernando De Maria dos Santos, ambos com larga experiência em veículos de comunicação e no setor acadêmico, formando centenas de gerações de jornalistas hoje atuando nos mais variados veículos do País e do exterior.

Seguindo os princípios que nortearam a origem do Jornal do Boqueirão nos anos 80 (depois Boqueirão News, sucedido pelo nome atual Boqnews) como veículo impresso, o grupo Enfoque mantém constante atualização com as novas tendências multimídias garantindo ampliação do leque de conteúdo para os mais variados públicos diversificando-o em novas plataformas, mas sem perder sua essência: a credibilidade na informação divulgada.

A qualidade do conteúdo oferecido está presente em todas as plataformas: do jornal impresso ou digital, dos programas na Boqnews TV, como o Jornal Enfoque - Manhã de Notícias, e na rádio Boqnews, expandido nas redes sociais.

Aliás, credibilidade conquistada também na realização e divulgação de pesquisas eleitorais, iniciadas em 1996, e que se transformaram em referência quanto aos resultados divulgados após a abertura das urnas.

Não é à toa que o slogan do Boqnews sintetiza o compromisso do grupo Enfoque com a qualidade da informação: Boqnews, credibilidade em todas as plataformas.

Expediente

Boqnews.com é parte integrante da Enfoque Jornal e Editora (CNPJ 08.627.628/0001-23), com sede em Santos, no litoral paulista.

Contatos - (13) 3326-0509/3326-0639 e Whatsapp (13) 99123-2141.

E-mail: [email protected]

Jairo Sérgio de Abreu Campos - fundador / Humberto Iafullo Challoub - diretor de redação / Fernando De Maria dos Santos - diretor comercial/administrativo.

Atenção

Material jornalístico do Boqnews (textos, fotos, vídeos, etc) estão protegidos pela Lei de Direitos Autorais (Lei 9.610 de 1988). Proibida a reprodução sem autorização.

Este site usa cookies para personalizar conteúdo e analisar o tráfego do site. Conheça a nossa Política de Cookies.