As muitas mazelas, desrespeito a valores éticos e casos de corrupção que se sucedem no cenário político e institucional do País comprova, mais uma vez, a necessidade de reformulação do modelo vigente, comprovadamente oneroso e perdulário.
Nesse contexto, mais do que nunca a escolha dos futuros representantes que ocorrerá nas eleições gerais deste ano reveste-se de extrema importância, exigindo do eleitor maior comprometimento e responsabilidade na escolha dos candidatos que estarão na disputa.
Mais do que nunca, a opção por um nome deve-se dar por meio de uma análise criteriosa do currículo, histórico de vida pública e, principalmente, pela real capacidade para exercer o cargo que ele pretende ocupar.
É sabido que as muitas experiências negativas abstraídas do cenário político ao longo da história recente, com a proliferação de desmandos administrativos e atos de corrupção, geraram descrença, ampliando assim o grau de desinteresse dos eleitores.
Da mesma forma, a infidelidade partidária e as muitas incoerências presentes nas normas reguladoras da atividade política, especialmente as que estabelecem os critérios de proporcionalidade e representatividade, tornou insignificante o valor atribuído aos princípios ideológicos e programáticos que deveriam orientar as candidaturas e coligações partidárias.
O desinteresse e o afastamento do cidadão comum das atividades políticas deram espaço à ação dos oportunistas e à formação de conluios travestidos de pseudopartidos, aperfeiçoados nas práticas de negociatas e na utilização dos recursos públicos no atendimento de interesses particulares.
Apesar das imperfeições do sistema democrático – e o conceito pejorativo que forja a imagem da prática eleitoral -, ainda é o exercício do voto livre o principal instrumento de transformação de uma sociedade que busca justiça social e prosperidade.
Por isso, seu valor não pode ser diminuído ou desprezado, mesmo que se condene a obrigatoriedade da sua prática.
As experiências adquiridas até aqui propiciaram valiosa experiência aos eleitores, cada vez menos suscetíveis a falsas promessas e cientes de que as melhorias desejadas não ocorrerão pela força de milagreiros ou pelas mãos dos arautos de ideias fáceis.
Além da presença nas urnas é de se esperar uma postura mais participativa da população nas decisões dos governantes e legisladores, por meio do engajamento em entidades de classe, conselhos de moradores e organismos civis de representação.
Cobrar e fiscalizar continuamente os atos dos mandatários eleitos representa a única fórmula capaz de moralizar, de forma eficaz, o atual sistema político ainda vigente.

Humberto Challoub é jornalista, diretor de redação do jornal Boqnews e do Grupo Enfoque de Comunicação
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