Música Popular Brasileira | Boqnews

Ponto de vista

17 de fevereiro de 2026

Música Popular Brasileira

No final dos anos de 1970 e início dos de 1980, Rita Lee perpetrou a música: “Arrombou a festa”, em parceria com o “mago” Paulo Coelho: “Ai! Ai, meu Deus! O que foi que aconteceu com a Música Popular Brasileira?”.
Era uma crítica ácida e bem-humorada ao então cenário musical brasileiro.
Não querendo ser nostálgico, eu adorava os festivais da década de 1960.
Compositores, intérpretes e músicas defendiam músicas memoráveis, entoadas apaixonadamente por plateias e telespectadores.
No dia seguinte, a gente já as assobiava nas ruas!
O Brasil já tinha a tradição de grandes autores, instrumentistas e intérpretes, além de próprios ritmos: chorinho, seresta, sambas de todo tipo, as incomparáveis marchinhas de Carnaval, baião…
A bossa-nova misturou samba-canção, jazz e os bons ares dos “Anos Dourados”. Jovens compositores de classe média pegaram um pouco de bom de cada coisa para encantar o mundo.
Foram aos morros buscar inspiração nos grandes compositores das escolas de samba.
O Brasil continuou assim, criativo e virtuoso, embora já “pisando no freio”, até os anos de 1980, quando ocorreu o último movimento musical que merece destaque: o BRock.
Agora, novamente: “Ai! Ai, meu Deus! O que foi que aconteceu com a Música Popular Brasileira?
As vozes foram substituídas por glúteos!
Os instrumentos musicais, que antigamente eram “sobrenome” de mestres dos morros, foram substituídos por “percussão vocal”!
Os temas são sempre os mesmos: mulheres que só pensam em dançar, beber e namorar.
Os sambas e músicas sertanejas são tão iguais que mal dá para identificar quem canta.
Jovens de classe média criticam hipocritamente sua própria condição social e vão aos morros não mais para buscar inspiração, mas aspiração, se é que me entendem.
E o “Arrastão”, antes sucesso de Edu Lobo, hoje, em vez de aplausos, arranca dinheiro, colares e vidas.
Antes, grandes músicos surgiam a todo instante, nos morros e subúrbios: gente simples que tinha música na alma e vontade de vencer na vida, pelo bem.
Mesmo o “classe média” Noel Rosa admitia: “A gíria que o nosso povo criou, bem cedo a cidade adotou e usou”, evidenciando a democracia cultural.
Mais tarde, Martinho da Vila celebrou a mobilidade social: “Eu nasci no morro e me criei na cidade. Saí do submundo e penetrei no seio da alta sociedade”.
Ironia: hoje o submundo está no seio da alta sociedade.
Com tanta tradição musical, hoje importamos ritmos ruins para piorá-los ainda mais.
Para isso, não há censura: a liberdade é total para qualquer “legítima manifestação cultural” que não afete outros “interesses”.
E, como dizia Rita Lee: “Quando a gente fala mal, a turma toda cai de pau, dizendo que esse papo é besteira”.
Afinal, “É proibido proibir!”, mesmo que só um lado tenha direito à expressão, democraticamente perseguindo quem critica esse “senso comum”.
Para os críticos desse novo “status quo” sobra o alerta da “Rainha do Rock”: “Corre, que lá vêm os ‘home'”!
Adilson Luiz Gonçalves é escritor, engenheiro, pesquisador universitário em membro da Academia Santista de Letras
Adilson Luiz Gonçalves
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