As revelações contidas nos relatórios produzidos pela Polícia Federal para apurar a fraude do Banco Master não deixam dúvidas sobre o envolvimento de figuras importantes ligadas aos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.
Mais do que o golpe de elevada monta contra o sistema financeiro, o dano moral e a quebra da credibilidade das instituições já produziram o maior prejuízo à sociedade brasileira, que vê fragilizada a crença no estado democrático de direito.
Somado aos fatos revelados na CPMI do INSS, o caso do Banco Master aos poucos evidencia os métodos utilizados para a usurpação do poder público em prol de quadrilhas estruturadas sobre a égide de partidos e sistemas de justiça corrompidos.
Difícil acreditar que diante de tantas suspeições invocadas nos documentos apresentados pela Polícia Federal, bem como a excessiva blindagem e falta de transparência que envolve o caso, existam argumentos plausíveis que possam justificar as relações espúrias envolvendo aqueles que deveriam ter condutas exemplares no cargo que ocupam.
O processo endêmico de corrupção e clientelismo se destaca hoje como uma das principais mazelas que afetam o serviço público e o sistema político institucional brasileiros.
Ainda mais grave é saber da contaminação dos sistemas jurídicos que, em muitas situações, se valem das égides da inviolabilidade e imunidade para acobertar decisões orientadas por interesses econômicos e ideológicos, tornando as decisões em desconformidade com a Constituição e os conceitos que asseguram direitos fundamentais.
Nesse sentido, mais do que nunca é preciso dar total transparência aos resultados das investigações e aos trâmites do processo, para que todos os comprovadamente envolvidos nos atos criminosos sejam exemplarmente punidos e destituídos das funções que exercem na atividade pública, como forma restabelecer minimamente a confiança no sistema institucional vigente.
O atual cenário de descrença suscita o questionamento sobre a real serventia de se manter um sistema político e institucional nos moldes em que ele está concebido, especialmente quando considerado o seu custo e os benefícios reais que tem proporcionado à sociedade brasileira.
A manutenção das instituições que alicerçam o Estado brasileiro já é por demais oneroso diante as imensas necessidades da população.
Assim, mais do que nunca se impõe a necessidade de, nas próximas eleições, eleger candidatos comprometidos com a tarefa de recuperar valores morais e promover as reformas que o País tanto espera e precisa, na qual, sem dúvida, se inclui a revisão da legislação e dos princípios que norteiam os poderes constituídos.

Humberto Challoub é jornalista, diretor de redação do jornal Boqnews e do Grupo Enfoque de Comunicação
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